sexta-feira, 6 de novembro de 2009 - 0 Comentários

Já falei tanto sobre a expectativa da estreia de 500 Dias com Ela, que é até bobagem falar mais.

De qualquer forma, pra quem não sabe do que se trata: 500 Dias com Ela é uma comédia romântica com ar de cinema independente e pop (Juno, Encontros e Desencontros, etc), que arrebatou o verão nos EUA. Fez de Zooey Deschanel a estrela do momento (ver post desta semana) e revelou Joseph Gordon-Levitt, até então um ator secundário, aqui se mostrando um cara versátil, talentoso e carismático.

O filme foge do esquema comum das comédias românticas "de mulherzinha". O foco é no homem, ele está perdidamente apaixonado por Summer (Zooey), uma mulher que o faz de gato e sapato - e que deixa isso claro logo na saída. Quer dizer, bem diferente do que vemos no cinema e bem mais próximo do que realmente acontece na vida.



No recheio, muitas cenas sensacionais (Gordon-Levitt cantando Here Comes Your Man, dos Pixies, no karaoke), alguns diálogos antológicos ("meu gato foi batizado em homenagem ao Springsteen...") e um show de carisma de Zooey Deschanel, com olhos que, não importa a distância e a posição no enquadramento, são sempre o centro das atenções. Trata-se de um filme muito criativo, com recursos variados de fotografia, edição, animação, o diabo... sob esse aspecto, lembrou-me Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, do Woody Allen - e não consigo pensar num elogio melhor do que este.

Só um teaser para o leitor de BLOGIE: em determinada cena, o cara consegue finalmente levar Summer pra cama. Este é ele deixando o apartamento na manhã seguinte:



O som é soul-pop descartável dos anos 80, da dupla Hall & Oates. A cena que antecede (a da transa) cita A Primeira Noite de um Homem (referência recorrente no filme) e Beijos Roubados. De resto, é música pop de primeira qualidade, referências à mitologia do cinema e do rock... tudo de primeira.

Boa ida ao cinema!

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009 - 2 Comentários

Muita gente acha que o que Hollywood tem de melhor é sua vocação para o espetacular, o blockbuster, o filme-evento - enfim, essa encrenca que é o filme milionário lançado no verão americano sob uma campanha publicitária agressiva e acompanhado de uma penca de produtos adjacentes. Guerra nas Estrelas, E.T., Titanic, ...E o Vento Levou, todos fazem parte dessa categoria.


Isso tudo é bacana, principalmente quando o oba-oba serve para promover um filme bom (ou ótimo, como os citados acima), mas não é a essência da coisa. Hollywood é o que é não devido aos seus executivos e marqueteiros, mas sim aos seus artistas. E a prova disso são não os filmes-eventos, mas os pequenos filmes que se tornam grandes sucessos (ou que simplesmente se mostram obras grandiosas de tão singelas e despretensiosas). Esses são os verdadeiros símbolos de Hollywood: Casablanca, Bonequinha de Luxo, A Primeira Noite de um Homem, Butch Cassidy & Sundance Kid, Chinatown, Rocky, Uma Secretária de Futuro, Uma Linda Mulher, Ghost... Dispostos em ordem cronológica, todos filmes ?pequenos?, de orçamento modesto, produções bancadas por pouco mais do que a teimosia de seus diretores... e que se tornaram grandes clássicos - quase todos os citados foram o grande sucesso dos cinemas nos seus anos de lançamento. Obras de arte cunhadas com a despretensão e a leveza de um filminho. Quando isso acontece, o resultado é único e pensamos: "nada com um bom filme americano".


O grande trunfo desses filmes é, acima da direção e das estrelas que neles são reveladas, o roteiro. Um bom e velho roteiro amarradinho, sucinto, encerrado em três atos bem definidos e recheados de personagens cheios de vida. Faça o teste: o que fez de Curtindo a Vida Adoidado, aparentemente uma comédia adolescente debilóide, esse verdadeiro ícone pop? O roteiro sensacional, cheio de falas antológicas e situações engraçadas - e Bueler, Ferris Bueler, herói de uma geração sem bandeiras.


Tudo isso para dizer (e defender a tese de) que Sorte no Amor (Bull Durham), filme de 1988 sobre baseball que passou quase despercebido no Brasil, é um filmaço, uma obra de arte, uma joia rara daquelas que dão orgulho a quem as descobre. Não posso afirmar que "descobri" o filme, porque o mesmo foi um grande sucesso nos EUA, contando com Kevin Costner no auge (e em sua melhor atuação), Susan Sarandon maravilhosa e encantadora (e em sua melhor atuação) e Tim Robbins despontando para o sucesso (e conhecendo sua futura esposa durante as filmagens: a própria Sarandon). Mas descobri o filme no meio de uma pilha de bobagens, numa liquidação das Lojas Americanas. Orgulho-me dessa que é uma das minhas maiores habilidades: descobrir coisas boas no meio do lixo nas Lojas Americanas.
























A história parece besta: Costner, no papel de um jogador de baseball maduro e em fim de carreira, é contratado para tutelar e "acelerar o amadurecimento" de um arremessador jovem, talentoso e inconsequente (Robbins). Sarandon é a improvável groupie do time, que escolhe um jogador a cada temporada para namorar. Por namorar, entenda-se sexo, carinho maternal e lições de literatura.



















E tranquilo, naquele esquema "conhecendo os personagens na primeira meia hora / botando os personagens pra correr atrás das suas necessidades durante sessenta minutos / resolvendo a bagunça na última meia hora", o autor e diretor Ron Shelton (um ex-jogador de baseball nas ligas menores) conseguiu sua pequena obra-prima.


Ao amigo leitor, fica a dica: não há razão para deixar de assistir a Sorte no Amor, obra que diz muito mais sobre a fugacidade da vida e dos seus ciclos (de amor, de carreira, de juventude) do que muito tratado intelectual por aí. Disponível em DVD, lançado há dois ou três anos. Vale uma ida à locadora.

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terça-feira, 3 de novembro de 2009 - 3 Comentários

A VEJA publicou uma matéria de duas páginas sobre a Zooey Deschanel, aproveitando o gancho do lançamento, na próxima sexta-feira, de 500 Dias Com Ela, comédia romântica diferentona que foi a sensação do verão americano. A crítica Isabela Boscov aproveitou para rotular a estrela como "musa do homem romântico", daquele que se encanta mais com os enormes olhos de Zooey do que com a sacanagem escancarada de uma Megan Fox.

Bem, não quero me gabar, mas BLOGIE sentiu o cheiro desse fenômeno antes e declarou que Zooey será a próxima grande estrela de Hollywood. Relembre o post de 25 de junho deste ano:

http://vip.abril.com.br/cinema/2009/06/falando-em-zooey-deschanel.shtml

Bem, e isso faz de mim - e dos leitores que nutrem uma afeição especial pela moça - um "homem romântico"? Sinceramente, não me importo.

O ponto é que Megan Fox, Angelina Jolie e outras mulheres mais fatais, dessas que exalam sexo, não têm alguns dos tributos de Zooey, a saber:

1) Em Quase Famosos, ela sai de casa e deixa para o irmão sua coleção de discos. É Led Zeppelin, The Who, Simon & Garfunkel, Yes... Eu angariei a minha coleção com enorme esforço, e imagino o sonho que seria ter ganhado esse tesouro de uma gata com aqueles olhos me dando instruções detalhadas sobre como ouvir Tommy.

2) Em Sim, Senhor, ela surge como uma aparição para Jim Carrey, num momento sinistro: ele acabara de ficar sem gasolina, em uma área um tanto inóspita. Dá uma carona para o cara na sua scooter e vira sua namoradinha, dando uma graça superior a uma comédia que ficaria abaixo da média. Bem, eu já passei por uma situação de ficar sem gasolina durante a madrugada, e quem me deu uma carona até o posto mais próximo foram dois caras que fumavam maconha dentro de um Gol branco 1991. Confesso que confiaria mais numa bonequinha numa scooter do que em dois maconheiros, mas é a vida...

3) Ela canta no She & Him, um misto de folk com Beatles com Supremes - um som pra lá de agradável e nostálgico, que me dá a sensação de que estamos em 1964, e que não houve Jimi Hendrix, nem punk rock, nem hip hop. A vida é simples como um programa de auditório da Jovem Guarda. Nos sentimos em casa. Veja uma apresentação da dupla na MTV Canada:


"Estou sozinha numa bicicleta para dois", diz a cantora-atriz. Isso porque ela não pinta na nossa área.

4) Aqueles olhos.

Bom, além disso tudo, 500 Dias Com Ela estreia na sexta. Outro post tratará do filme, mas é bem previsível a minha dica para o final-de-semana, não?

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009 - 0 Comentários

Neste final-de-semana, dois astros de Lua Nova, o segundo filme da série Crepúsculo, estarão no Brasil para promover o lançamento. Um deles é o índio fortinho que vira lobisomem - alguém cujo nome, sinceramente, não interessa a mim ou ao amigo leitor. Mas a outra pessoa é aquela coisinha linda chamada Kristen Stewart, a Bella Swan da série.


















Bem, este blogueiro obteve a oportunidade de ir até o hotel onde acontecerá a entrevista coletiva. Mas, devido a compromissos familiares inadiáveis em um feriadão como este de Finados, terei que passar. Com isso, o leitor não verá no BLOGIE nenhuma entrevista ou novidade sobre a pequena.


Talvez seja melhor assim. No material, uma série de restrições são impostas. Não se pode fazer perguntas sobre o próximo filme da série, Eclipse. Não é permitida nenhuma pergunta pessoal, seja sobre intimidades, seja sobre opiniões. Só vale perguntas estritamente relacionadas ao filme Lua Nova.

OK, sabemos que isso é padrão nesse tipo de entrevista. Mas a entrevista que não acontecerá, com as três perguntas que eu gostaria de ver Kristen Stewart responder, está aí:

1- Kristen, bom dia. Em Crepúsculo, assistimos ao seu surgimento como uma mulher muito sexy, ainda que não consciente do seu potencial. Vendo algumas cenas de Lua Nova, vejo uma lenga-lenga sobre depressão e muitas cenas de ação com lobisomens, sem o resultado sedutor do primeiro filme. Seria o caso de, tal qual as ninfetas do Nabokov, você ter perdido a graça depois da puberdade?


2- Minha querida, por que você morde o beiço inferior com tanta recorrência? É tique ou é estratagema para parecer mais sexy?


Coletânea de cenas de Kristen mordendo seu beiço inferior.


3- Por favor, você vai ao programa do David Letterman novamente? Por favor, diga que vai, por favor...


A pobre Kristen, dando show de nervosismo e falta de senso de humor no David Letterman.


Bom, vamos parar de pegar no pé da menina. Ela faz um ótimo trabalho. Carregar nas costas uma série dessas não é mole.

Lua Nova estreia em 20 de novembro.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009 - 0 Comentários

A trilha proposta por BLOGIE para esta semana é agressiva: o filme é a grande bomba de 1996, Twister, de Jan De Bont (o mesmo diretor de Velocidade Máxima). A música é Human's Being, do Van Halen (heróis de infância deste blogueiro, algo que motivou meses de espera ansiosa pelo filme).



Pra falar a verdade, a guitarra de Eddie Van Halen é um dos únicos atrativos deste filme fraquinho. A introdução feita por uma orquestra valoriza bastante a canção, e não seria má ideia lançar uma versão completa numa dessas coletâneas da vida...
De resto, o filme traz como curiosidade a participação de Alan Ruck, o Cameron de Curtindo a Vida Adoidado, outro ícone da infância que estava sumido (e que sumiu de novo depois de Twister).

Este é o espírito da semana: guitarra distorcida, amplificador no último volume e pé no acelerador. Pau na máquina, como diz meu pai!

Boa semana para os amigos do BLOGIE!

P.S.: Justiça seja feita, os efeitos especiais dos tornados são muito bacanas. Em especial, é legal a cena de um furacão que chega na calada da noite, arrebentando um cine drive-in que exibia O Iluminado, do Stanley Kubrick. O furacão arrebenta a tela no mesmo momento em que Jack Nicholson arrebenta a porta (here's Johnny!)...

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