quarta-feira, 25 de novembro de 2009 - 5 Comentários

Por duas vezes, em toda a minha vida, fiquei arrebatado, obcecado, tomado por inveja ao ler um livro: a primeira, ao ler Dom Casmurro, ainda no colégio, e a segunda, bem mais tarde, ao ler Lolita.

Todo marmanjo cita o livro de Vladimir Nabokov ao babar por mocinhas muito atraentes: um dos feitos do romance é ter criado e consagrado expressões como "ninfeta" e sua variação mais específica, "lolita".
























Suas qualidades, no entanto, vão muito além: Nabokov, que era russo exilado e que tinha no inglês sua terceira língua (além da nativa, ela escrevera em francês antes de chegar aos EUA), perpetrou um dos grandes romances do século 20. Foi apenas sua primeira tentativa em inglês, e saiu aquela coisa perfeita, logo no primeiro parágrafo:

"Lolita, luz da minha vida. Labareda da minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve no terceiro, contra os dentes. Lo-li-ta."

Que se deixe claro: o protagonista da história é um pedófilo confesso, um cinquentão que matou sua namorada para ficar com a filha da mulher - uma mocinha chamada Dolores, de apelido Lolita, que tinha de doze pra treze anos. De cara, sabemos que ele se deu mal e que o livro tem o formato de uma defesa que o próprio réu preparara para o tribunal. O recheio é uma road-trip pelos EUA, na qual se revela muito mais do que gostaríamos da alma humana, do instinto masculino, da cultura ocidental - de muita coisa que tem o potencial de chocar - e foi isso que Lolita fez quando do seu lançamento, lá na década de 50. Um choque.

Transpor a literatura perfeita de Nabokov, meio Machado, meio Flaubert, para o cinema - e se servindo do seu potencial incendiário - não era tarefa fácil. Mas transformaram Lolita em filme. Duas vezes.


1962 - Stanley Kubrick inventa sua própria Lolita
A primeira tentativa, de 1962, foi feita por Stanley Kubrick, um diretor ousado, obsessivo, um gênio doentio, perfeitamente adequado à empreitada. Para o papel de Humbert Humbert (era esse o nome do protagonista), o grande ator inglês James Mason, indicado para três Oscars. Como Lolita, uma novata: Sue Lyon, 15 aninhos.

Parece perfeito, não?
















Humbert pinta as unhas do pé de Lolita no filme de Kubrick (1962).

Infelizmente, o resultado não foi dos melhores. O Humbert de Mason é atrapalhado demais, quase engraçado, abertamente ridículo. Não parece ser um homem com domínio sobre suas ações. A Lolita de Sue Lyon, compreensivelmente, é um pouco mais velha. Muito da ironia e do cinismo originais somem no preto-e-branco respeitoso de Kubrick. Houve um excesso de cuidado, por um lado, e um excesso ainda maior de liberdades em relação ao texto - especialmente os diálogos. O diretor evitou que seu filme se transformasse em um road movie. E evitou a coisa do tribunal, apostando em um final surreal com a participação de Peter Sellers. Ainda é um grande filme, mas é a Lolita de Kubrick, não a Lolita de Nabokov.

1997 - Adrian Lyne paga seu tributo a Nabokov
Décadas se passaram e quem resolve fazer sua tentativa é Adrian Lyne, diretor irregular que se especializara em thrillers sexuais - 9 e 1/2 Semanas de Amor, Atração Fatal, Proposta Indecente, Infidelidade. O ano era 1997. Como Humbert, o altivo Jeremy Irons, um cara comprovadamente convincente em papéis de homens atormentados por mulheres mais novas (vide Perdas e Danos). Como Lolita, descobriu-se a pequena Dominique Swain, então com 17 anos, mas com corpo, carinha e modos mais infantis do que os de sua antecessora.



















Jeremy Irons e Dominique Swain no filme de Adrian Lyne: Humbert mais pervertido e Lolita mais infantil, como quis o autor.


No mais, Lyne provou ser um fã que teve a sorte e as condições de retratar seu livro favorito. Botou o romance debaixo do braço e filmou um roteiro fiel ao clima de angústia e loucura imaginados por Nabokov.

(Aliás, uma das coisas que me irritam no Lolita de Kubrick é o modo como a coisa toda parece ser culpa da menina - ela parece ter controle total da situação e age como uma adulta, ao passo que Humbert padece como um joguete patético nas mãos da sua enteada. No filme de Lyne, como no livro, Humbert é um pedófilo confesso, cínico, que sabe o que está fazendo e que se entrega à perversão como quem pula de uma falésia.)

De quebra, cenas inesquecíveis do romance são recriadas com precisão e devoção - como a cena do carro, em que o estranho casal é interrompido por um policial, ou a cena do sofá, que tem o poder de deixar leitores de primeira viagem atormentados por semanas... esta ficou tão forte que foi cortada da versão final do filme, mas você pode conferi-la nos extras do DVD ou aqui, no BLOGIE:



Muita gente chiou. Críticos sérios disseram que Lyne transformou a classe e a provocação de Kubrick em pornô-soft. Disseram que o filme ficou rasteiro, pouco inventivo, burocrático. Disseram muita coisa. Mas BLOGIE discorda e declara que o interessante e absurdo Lolita, de 1962, perde de longe para o fiel e mundano Lolita, de 1997.

Até porque Kubrik, lá no início dos anos 60, não tinha mesmo como escancarar na cara da sociedade a cena em que a adolescente é enviada para o colégio interno, mas volta para se despedir do padrasto. Adrian Lyne, por sua vez, foi pras cabeças:



No fim das contas, concluo que é muito bom haver os dois filmes, para vermos, revermos e discutirmos. E melhor ainda é haver outras obras de maior ou menor valor inspiradas na história de Nabokov, como o igualmente genial folhetim Asfalto Selvagem, de Nelson Rodrigues, que gerou a série Engraçadinha e a carreira da Alessandra Negrini, ou a série Presença de Anita, que serviu para revelar a Mel Lisboa. Ou a canção Don't Stand So Close to Me, do Police, que trata de um professor atormentado por uma aluna espevitada. Ou dez ou doze contos do Rubem Fonseca e meia obra do Dalton Trevisan...

Enfim, literatura boa rende assunto pra mais de metro.

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terça-feira, 24 de novembro de 2009 - 3 Comentários

Todo mundo passou por esse momento.



Melhor para quem teve sua primeira apaixonite por alguém da sua idade, e disponível, e tudo mais.

... Mas não dá pra reclamar da sina do personagem adolescente de Houve uma Vez um Verão (ou Verão de 42, conforme o lançamento em DVD recente) - apaixonar-se pela Jennifer O'Neal e conseguir uma iniciação básica com a moça, enquanto o maridão combatia na 2ª  Guerra, não era mal negócio. 

Um belo filme sobre a adolescência, uma bela atriz em seu melhor momento e uma música inesquecível, composta por Michel Legrand - uma das trilhas mais marcantes do cinema do século 20.

Para ver e rever.

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009 - 3 Comentários

O blogueiro está na praia.

Para entrar no clima, nada melhor do que uma cena de praia, digamos, inusitada:



Esta é a abertura da bizarra comédia Zohan - O Agente Bom de Corte, estrelada por Adam Sandler - um dos improváveis ídolos de BLOGIE.

Há quem odeie, e eu entendo. Mas tive grande prazer ao ver o início SEM NOÇÃO de Zohan.

Porque não dá pra ficar levando tudo muito a sério o tempo todo. Há de se saber a hora de chutar o balde. Nisso, Adam Sandler é o melhor.

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009 - 8 Comentários

Quem gosta de cinema do bom e mora em São Paulo ou no Rio de Janeiro pode comemorar sua sorte: o Centro Cultural Banco do Brasil está promovendo, desde a semana passada até meados de dezembro, a mostra "A Elegância de Woody Allen".






















A proposta é simples: todos os 40 filmes do genial diretor nova-iorquino - incluindo o último, Tudo Pode Dar Certo, ainda inédito no Brasil - serão exibidos na Mostra.

Clique aqui para ver todos os trailers dos filmes!!!

Para facilitar o trabalho, BLOGIE seleciona o que não pode ser perdido de jeito nenhum.


Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977) - tido como a obra-prima (ou uma das principais obras-primas) de Allen, esta comédia venceu quatro Oscars, incluindo o de melhor filme e o de melhor atriz para Diane Keaton. Inovador, inteligente, cheio de classe, impagável. Em São Paulo: 05/12 e 13/12, ambos às 18:00. No Rio: 19/11, às 17:30, e 24/11, às 18:30.

Manhattan (1979) - BLOGIE já deixou claro em diversas ocasiões que este é seu preferido, contando com a melhor cena de abertura de todos os tempos. Os cariocas já perderam suas chances no início da semana; já os paulistas ainda têm três chances: 19/11, às 19h; 29/11, às 18h; e 09/12, às 13 h.

A Rosa Púrpura do Cairo (1984) - durante a Grande Depressão, uma mulher escapa da sua vida miserável dentro do cinema. Até que o personagem-galã literalmente salta pra fora da tela e dá uma apimentada nas coisas. Uma declaração de amor ao cinema.Sensacional. Em SP: 28/11, às 18h; e 03/12, às 17h. No Rio: já foi, parabéns aos felizardos que assistem ao filme enquanto escrevo estas linhas!

Hannah e Suas Irmãs (1986) - questões existenciais, relacionamentos complicados e o cinema como salvação. Um dos filmes que melhor resumem a obra de Woody Allen. Em SP: 21/11, às 18h; e 29/11, às 16h. No Rio: já foi, sorry.

Crimes e Pecados (1989) - aqui, os relacionamentos mal resolvidos ganham solução na base da porrada. O assassinato e a convivência com a culpa são examinados, à moda de Dostoievski. Antecipa, em quase vinte anos, o tema do clássico recente Match Point. Em SP: 06/12, às 16h; e 09/12, às 17h. Os cariocas têm ainda uma chance: 27/11, 19:30.

Tiros Na Broadway (1994) - John Cusack faz o papel habitual de Woody Allen - o de artista inseguro e atrapalhado. Um filme menos badalado, mas não menos qualificado. Dianne Wiest faz um trabalho incrível, que lhe valeu o Oscar de atriz coadjuvante. Em SP: 04/12, às 13h; e 12/12, às 18h. No Rio: 21/11, às 20h; 25/11, às 13:30; e 29/11, às 18h.

Poderosa Afrodite (1995) - Mira Sorvino levou o Oscar de atriz coadjuvante como a prostituta de boca-suja e coração de mãe que Allen encontra ao procurar a mãe de seu filho adotivo, que é um gênio precoce. um coro de tragédia grega pontua as cenas com brilhantismo. Em SP: 28/11, às 14h; e 11/12, às 17h. No Rio: não percam a seção única no dia 22/11, às 14:00.

Todos Dizem Eu Te Amo (1997) - Allen entra de sola no musical e bota grande elenco (Goldie Hawn, Drew Barrymore, Edward Norton, Julia Roberts, Alan Alda, Natalie Portman...) pra cantar standarts da música americana. Locações em Nova York, mas também em Paris e em Veneza. Classe total e uma cena antológica: Woody Allen fazendo Goldie Hawn literalmente voar enquanto dançam à beira do rio Sena. Em SP: 21/11, 20h; e 26/11, 17h. No Rio, a última exibição foi no feriado de 15/11...

Quanto a Match Point e Vicky Cristina Barcelona, considero-os igualmente essenciais, mas imagino que quem gosta de Woody Allen não deixou de vê-los no cinema quando dos seus lançamentos...

Para os paulistanos apressados, aviso que o novo filme de Allen, Tudo Pode Dar Certo, terá sua última exibição na retrospectiva nesta quinta-feira, 19/11, às 14h...

Se você perder, tudo bem: até o final do ano o filme estreia no Brasil em circuito comercial. O essencial é ver na tela grande um ou mais clássicos do mestre.

Em tempo: se eu tivesse que optar por uma única sessão, eu iria em Manhattan. Como segunda opção...vejamos... OK: A Rosa Púrpura do Cairo. Ou Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Ah, eu gostaria é de ver todos!

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Uma das maiores estrelas, e também uma das mulheres mais bonitas da história do cinema: Natalie Wood.


















Sua história é das coisas mais loucas: filha de imigrantes russos que não falavam uma palavra em inglês, foi parar em Hollywood cedo e virou estrela mirim já aos quatro anos de idade. Fez o clássico natalino absoluto, Milagre na Rua 34. Aos 17, tornou-se uma grande estrela - e recebeu sua primeira de três indicações para o Oscar - como Judy, a namorada de James Dean no imortal Juventude Transviada.
























Com James Dean em Juventude Transviada, de 1955.

Seis anos depois, aos 22, foi a Maria de Amor, Sublime Amor, uma versão musical de Romeu e Julieta passada em Nova York, com os Capuletos e Montéquios substituídos por gangues de imigrantes do Brooklyn. O filme ganhou tudo no Oscar de 1961. Mas ela foi indicada ao Oscar de melhor atriz daquele ano por outro filme: Clamor do Sexo, do grande Elia Kazan, no qual dividia a tela com um jovem Warren Beaty.















Com Warren Beaty, em Clamor do Sexo, de 1961.

A partir daí, estrelou comédias de grande sucesso, como A Corrida do Século, ao lado de Tony Curtis. Em 1966, aos 30 anos, e cada vez mais bonita, lá estava ela com outro jovem galã que surgia: Robert Redford. O filme é Esta Mulher é Proibida.




















Com Robert Redford, em Esta Mulher é Proibida, de 1966.

Depois disso, Natalie se afastou do cinema por alguns anos, e já na década de 70, fez esporádicas participações em alguns filmes.Em 1981, com apenas 43 anos, morreu afogada em um acidente até hoje inexplicado: ela estava em um iate com seu marido, o ator Robert Wagner, e Christopher Walken, com quem, dizem, rolava um casinho. Segundo a lenda, aconteceu uma discussão e Natalie, que não sabia nadar e fora atormentada durante toda a vida por pesadelos que envolviam afogamento, pegou um bote e se mandou. Suicídio? Homicídio? Ninguém sabe. Mas a história é muito estranha, e quem ficou sem Natalie Wood fomos todos nós.

Mais um caso não resolvido da série "Não ganhou um Oscar - azar do Oscar"...

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009 - 0 Comentários

Retomando as atividades do BLOGIE, nada melhor do que trazer uma das cenas antológicas do mestre e ídolo máximo de qualquer pessoa que leve a sério a arte de escrever um roteiro e dirigir um filme: Billy Wilder.



A cena é de Se Meu Apartamento Falasse, vencedor do Oscar de melhor filme em 1960. Jack Lemmon, um dos atores mais soberbos que Hollywood já abrigou, é o dono do apartamento "pegador" que serve de rendezvous para o chefe. Neste momento, ele está preparando um jantar para seu interesse amoroso, a ascensorista Shirley MacLaine (que é a namoradinha do tal chefe). Em um daqueles momentos mágicos que Billy Wilder tinha especial talento para rechear seus filmes, Lemmon escorre o  macarrão com uma raquete de tênis. É a quintessência da solteirice bem vivida: improviso, precariedade e a sensação de que há todo um estilo nisso.

"Espere só para ver como eu 'sirvo' as almôndegas!", diz Lemmon, aproveitando o trocadilho em inglês ("servir" é sinônimo de "sacar", no tênis).

Genial, não?

Dica de livro para os mais interessados: E o Resto é Loucura, biografia definitiva de Wilder. Trata de tudo na vida do cara, especialmente dos inúmeros clássicos (Crepúsculo dos Deuses, Sabrina, Irma LaDouce, Quanto Mais Quente Melhor, O Pecado Mora ao Lado...).

Santo Graal para os admiradores de Billy Wilder: Cameron Crowe (diretor de Jerry Maguire e Quase Famosos) escreveu, pouco antes da morte de Wilder, um livro de entrevistas chamado Conversations com Billy Wilder. Eu nunca encontrei esse livro. Já procurei... muito, acredite. Quem encontrar um exemplar, além de ser um bem-aventurado, será objeto de eterna gratidão se avisar este blogueiro.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009 - 3 Comentários

Além de ser postulante ao título de maior estrela de todos os tempos, Audrey Hepburn concorre ao posto de rosto mais bonito do cinema - e é, incontestavelmente, o maior ícone fashion que Hollywood já gerou.

Isso tudo fez da moça magrinha com olhos enormes um ídolo entre as mulheres (e na comunidade gay-fashion), enquanto os machos sempre babaram por outra contemporânea - a loura, exagerada e mais recheada Marylin Monroe.

Mas BLOGIE continua achando Audrey a maior gata que já habitou uma tela. Que tal uns momentos diferentes da musa?

Primeiro, Audrey abrindo o forno, em uma das antológicas fotos preparadas no set de Sabrina (há um livro feito só com essas fotos, vale procurar!):
























E agora, algo bem diferente: Audrey com chapéu de caubói, cabelos inusitadamente longos e soltos, pouca maquiagem, camisa de homem - alguém vê algo de Shania Twain em começo de carreira?

























Depois dessas imagens inspiradoras, não há como não ter uma ótima semana!

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009 - 6 Comentários

Já falei tanto sobre a expectativa da estreia de 500 Dias com Ela, que é até bobagem falar mais.

De qualquer forma, pra quem não sabe do que se trata: 500 Dias com Ela é uma comédia romântica com ar de cinema independente e pop (Juno, Encontros e Desencontros, etc), que arrebatou o verão nos EUA. Fez de Zooey Deschanel a estrela do momento (ver post desta semana) e revelou Joseph Gordon-Levitt, até então um ator secundário, aqui se mostrando um cara versátil, talentoso e carismático.

O filme foge do esquema comum das comédias românticas "de mulherzinha". O foco é no homem, ele está perdidamente apaixonado por Summer (Zooey), uma mulher que o faz de gato e sapato - e que deixa isso claro logo na saída. Quer dizer, bem diferente do que vemos no cinema e bem mais próximo do que realmente acontece na vida.



No recheio, muitas cenas sensacionais (Gordon-Levitt cantando Here Comes Your Man, dos Pixies, no karaoke), alguns diálogos antológicos ("meu gato foi batizado em homenagem ao Springsteen...") e um show de carisma de Zooey Deschanel, com olhos que, não importa a distância e a posição no enquadramento, são sempre o centro das atenções. Trata-se de um filme muito criativo, com recursos variados de fotografia, edição, animação, o diabo... sob esse aspecto, lembrou-me Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, do Woody Allen - e não consigo pensar num elogio melhor do que este.

Só um teaser para o leitor de BLOGIE: em determinada cena, o cara consegue finalmente levar Summer pra cama. Este é ele deixando o apartamento na manhã seguinte:



O som é soul-pop descartável dos anos 80, da dupla Hall & Oates. A cena que antecede (a da transa) cita A Primeira Noite de um Homem (referência recorrente no filme) e Beijos Roubados. De resto, é música pop de primeira qualidade, referências à mitologia do cinema e do rock... tudo de primeira.

Boa ida ao cinema!

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terça-feira, 3 de novembro de 2009 - 7 Comentários

A VEJA publicou uma matéria de duas páginas sobre a Zooey Deschanel, aproveitando o gancho do lançamento, na próxima sexta-feira, de 500 Dias Com Ela, comédia romântica diferentona que foi a sensação do verão americano. A crítica Isabela Boscov aproveitou para rotular a estrela como "musa do homem romântico", daquele que se encanta mais com os enormes olhos de Zooey do que com a sacanagem escancarada de uma Megan Fox.

Bem, não quero me gabar, mas BLOGIE sentiu o cheiro desse fenômeno antes e declarou que Zooey será a próxima grande estrela de Hollywood. Relembre o post de 25 de junho deste ano:

http://vip.abril.com.br/cinema/2009/06/falando-em-zooey-deschanel.shtml

Bem, e isso faz de mim - e dos leitores que nutrem uma afeição especial pela moça - um "homem romântico"? Sinceramente, não me importo.

O ponto é que Megan Fox, Angelina Jolie e outras mulheres mais fatais, dessas que exalam sexo, não têm alguns dos tributos de Zooey, a saber:

1) Em Quase Famosos, ela sai de casa e deixa para o irmão sua coleção de discos. É Led Zeppelin, The Who, Simon & Garfunkel, Yes... Eu angariei a minha coleção com enorme esforço, e imagino o sonho que seria ter ganhado esse tesouro de uma gata com aqueles olhos me dando instruções detalhadas sobre como ouvir Tommy.

2) Em Sim, Senhor, ela surge como uma aparição para Jim Carrey, num momento sinistro: ele acabara de ficar sem gasolina, em uma área um tanto inóspita. Dá uma carona para o cara na sua scooter e vira sua namoradinha, dando uma graça superior a uma comédia que ficaria abaixo da média. Bem, eu já passei por uma situação de ficar sem gasolina durante a madrugada, e quem me deu uma carona até o posto mais próximo foram dois caras que fumavam maconha dentro de um Gol branco 1991. Confesso que confiaria mais numa bonequinha numa scooter do que em dois maconheiros, mas é a vida...

3) Ela canta no She & Him, um misto de folk com Beatles com Supremes - um som pra lá de agradável e nostálgico, que me dá a sensação de que estamos em 1964, e que não houve Jimi Hendrix, nem punk rock, nem hip hop. A vida é simples como um programa de auditório da Jovem Guarda. Nos sentimos em casa. Veja uma apresentação da dupla na MTV Canada:


"Estou sozinha numa bicicleta para dois", diz a cantora-atriz. Isso porque ela não pinta na nossa área.

4) Aqueles olhos.

Bom, além disso tudo, 500 Dias Com Ela estreia na sexta. Outro post tratará do filme, mas é bem previsível a minha dica para o final-de-semana, não?

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009 - 1 Comentários

Neste final-de-semana, dois astros de Lua Nova, o segundo filme da série Crepúsculo, estarão no Brasil para promover o lançamento. Um deles é o índio fortinho que vira lobisomem - alguém cujo nome, sinceramente, não interessa a mim ou ao amigo leitor. Mas a outra pessoa é aquela coisinha linda chamada Kristen Stewart, a Bella Swan da série.


















Bem, este blogueiro obteve a oportunidade de ir até o hotel onde acontecerá a entrevista coletiva. Mas, devido a compromissos familiares inadiáveis em um feriadão como este de Finados, terei que passar. Com isso, o leitor não verá no BLOGIE nenhuma entrevista ou novidade sobre a pequena.


Talvez seja melhor assim. No material, uma série de restrições são impostas. Não se pode fazer perguntas sobre o próximo filme da série, Eclipse. Não é permitida nenhuma pergunta pessoal, seja sobre intimidades, seja sobre opiniões. Só vale perguntas estritamente relacionadas ao filme Lua Nova.

OK, sabemos que isso é padrão nesse tipo de entrevista. Mas a entrevista que não acontecerá, com as três perguntas que eu gostaria de ver Kristen Stewart responder, está aí:

1- Kristen, bom dia. Em Crepúsculo, assistimos ao seu surgimento como uma mulher muito sexy, ainda que não consciente do seu potencial. Vendo algumas cenas de Lua Nova, vejo uma lenga-lenga sobre depressão e muitas cenas de ação com lobisomens, sem o resultado sedutor do primeiro filme. Seria o caso de, tal qual as ninfetas do Nabokov, você ter perdido a graça depois da puberdade?


2- Minha querida, por que você morde o beiço inferior com tanta recorrência? É tique ou é estratagema para parecer mais sexy?


Coletânea de cenas de Kristen mordendo seu beiço inferior.


3- Por favor, você vai ao programa do David Letterman novamente? Por favor, diga que vai, por favor...


A pobre Kristen, dando show de nervosismo e falta de senso de humor no David Letterman.


Bom, vamos parar de pegar no pé da menina. Ela faz um ótimo trabalho. Carregar nas costas uma série dessas não é mole.

Lua Nova estreia em 20 de novembro.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009 - 0 Comentários

A trilha proposta por BLOGIE para esta semana é agressiva: o filme é a grande bomba de 1996, Twister, de Jan De Bont (o mesmo diretor de Velocidade Máxima). A música é Human's Being, do Van Halen (heróis de infância deste blogueiro, algo que motivou meses de espera ansiosa pelo filme).



Pra falar a verdade, a guitarra de Eddie Van Halen é um dos únicos atrativos deste filme fraquinho. A introdução feita por uma orquestra valoriza bastante a canção, e não seria má ideia lançar uma versão completa numa dessas coletâneas da vida...
De resto, o filme traz como curiosidade a participação de Alan Ruck, o Cameron de Curtindo a Vida Adoidado, outro ícone da infância que estava sumido (e que sumiu de novo depois de Twister).

Este é o espírito da semana: guitarra distorcida, amplificador no último volume e pé no acelerador. Pau na máquina, como diz meu pai!

Boa semana para os amigos do BLOGIE!

P.S.: Justiça seja feita, os efeitos especiais dos tornados são muito bacanas. Em especial, é legal a cena de um furacão que chega na calada da noite, arrebentando um cine drive-in que exibia O Iluminado, do Stanley Kubrick. O furacão arrebenta a tela no mesmo momento em que Jack Nicholson arrebenta a porta (here's Johnny!)...

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009 - 6 Comentários

Para os paulistanos, o programa desta sexta-feira já tem endereço. É a Mostra de SP. O difícil vai ser arrumar ingresso - tem que ser rápido no gatilho!

São duas opções:

1) Abraços Partidos, o novo filme de Pedro Almodóvar, com Penélope Cruz. Ao que dizem, é  um filme menos expansivo do que os outros do diretor espanhol (que tem o costume de deixar seus personagens com emoções à flor da pele). Desta vez, a coisa é mais contida. E diz que Penélope está mais linda do que nunca (por exemplo, ela aparece loira, como na foto abaixo, e de muitas outras maneiras), no papel de uma atriz por quem um diretor de cinema se apaixona. Onde e quando: Espaço Unibanco Augusta, 23:10.



2) 500 Dias Com Ela, a grande surpresa do verão americano. Trata-se de uma comédia romântica que trata daquela coisa toda: um rapaz conhece a garota; a garota dá bola pro rapaz; eles brigam, mas ficam juntos. Segundo o trailer oficial, o filme trata não dessas coisas, mas de tudo que vem no meio desses eventos - e que os outros filmes não mostram. O filme é levemente amargo, pois se sabe, de cara, que não há final feliz. Sabe-se que o cara é um mané, e que a mulher é uma maravilhosa - Zooey Deschanel  (foto), dizer mais o quê? - e que o cara vai ser feito de gato e sapato, como o Fynn de Grandes Esperanças... Onde e quando: HSBC Belas Artes, 23:00.
















Para quem perder, vale dizer que esses filmes serão exibidos em mais quatro dias. Aproveite!

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Pra terminar a semana de homenagens ao grande François Truffaut, nada melhor do que ver o próprio falando sobre sua noção de fazer cinema - buscar aquele equilíbrio entre lágrimas e risos que faz a vida -, nesse vídeo irresistível gravado durante as filmagens de Domicílio Conjugal.

Repare na Claude Jade, linda, linda, linda, ao lado dele, embevecida ao observar o cara falando.




Repórter: neste filme, você trata de problemas de relacionamentos. Como você os aborda?

Truffaut (meio constrangido): bem... não como problemas!

Caso encerrado.

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terça-feira, 20 de outubro de 2009 - 3 Comentários

A revista VIP deste mês (que é lançada nesta quarta-feira, dia 21) é a principal do ano: nela, você encontrará as 100 mulheres mais sexy do mundo, embelezando páginas e mais páginas.

De maneira bem mais modesta, mas rigorosamente adequada, lá no final da revista se encontra um texto deste blogueiro, no qual tentei resumir em uma página boas razões para os amigos leitores comprarem uma caixa de filmes do cineasta François Truffaut. Há dois ganchos: 1) exatamente nesta quarta, é o 25º aniversário de sua morte; e 2) ele pode ensinar muita coisa para nós, homens que habitam o universo VIP.
























Um sujeito simples

Geralmente Truffaut é citado em rodas de papo-cabeça, contextualizado em meio a termos como nouvelle vague, Goddard e Cahiers du Cinema. Explica-se: ele e o outro camarada aí, egressos de uma turma de jovens críticos cheios de gás, fundaram há cinquenta anos a "nova onda" do cinema francês, movimento que revolucionou o cinema mundial, reinvidicando a autoria do filme para o diretor e renovando vários códigos e técnicas da sétima arte.  

Essa conversa toda, acredite, não vale nada. F. Scott Fitzgerald certa vez escreveu: "comece com um indivíduo e, antes que se dê conta, você concluirá que criou um tipo; comece com um tipo e concluirá que o que criou foi - nada." Ou seja, não adianta começar a falar em Truffaut como parte de um conceito, de uma turma, de um troço chato.

Truffaut era um cara único. Um cronista simples. Ele abordou o cinema como Drummond abordava a prosa - através do cotidiano, da simplicidade, da beleza e da dureza que há nas coisas comuns.


E ele gostava de três coisas:



1- Pessoas:

Nos filmes de Truffaut, ninguém salva o mundo. Raramente alguém corre risco de vida. As pessoas têm profissões nada excitantes, mas que fazem parte da vida: balconistas, vigias noturnos, floristas, barbeiros. As grandes questões enfrentadas por seus personagens são as grandes questões que enfrentamos nas nossas vidas: escolher um emprego (ou ser escolhido por ele); arrumar uma mulher (ou como lidar com mais de uma); preencher o vazio deixado pela nossa própria limitação.

A melhor declaração sobre a humanidade de Truffaut está no magnífico Beijos Roubados (1968), segundo filme da série que narra a vida do jovem Antoine Doinel, vivido por Jean Pierre Leaud. Em determinada cena, o jovem está obcecado pela mulher do seu patrão (o dono de uma loja de calçados), e lhe escreve uma carta. Para sua surpresa, a dondoca surge, como uma aparição, em seu quarto.


E se põe a destruir o mito em que ela tinha sido transformada pelo próprio Antoine: diz a ele que, se ele a julga extraordinária, ela aceita o elogio - afinal, todas as pessoas são extraordinárias, posto que são únicas. Mas ela diz isso de uma maneira inigualavelmente agradável e sexy - e vai pra cama com o rapaz.

Veja a cena (com legendas em inglês, foi o melhor que consegui). É um tratado sobre humanismo em forma de cortejo pré-acasalamento.


"Pessoas são maravilhosas", disse o pai dela antes de morrer. Cena-chave na obra do diretor.


2- Mulheres:


Truffaut, assim como seus personagens, era uma criança quando o assunto era mulher. Claramente apaixonado por suas atrizes, o cineasta as fotografava como ninguém. Jeanne Moreau (Jules e Jim), Catherine Deneuve (Sereia do Mississipi e O Último Metrô), Jacqueline Bisset (A Noite Americana), Isabelle Adjani (A História de Adèle H.), todas foram exibidas como entidades em seus filmes.

Com Claude Jade, no entanto, foi diferente: aos 19 anos, ela foi descoberta pelo diretor para ser a namorada de Doinel em Beijos Proibidos. Depois de namorar a atriz (e de levar um pé na bunda), Truffaut a efetivou no cargo, trazendo-a como a esposa de Doinel em Domicílio Conjugal (1970) e em Amor em Fuga (1978).















Claude Jade e Jacqueline Bisset: duas musas eternizadas pela câmera de Truffaut.


No final da carreira, Truffaut casou-se com a grande atriz francesa Fanny Ardant, com quem filmou A Mulher do Lado (1981).

Mas sua homenagem defintiva às mulheres está na comédia O Homem que Amava as Mulheres (1979), um despretensioso retrato de um escritor que dedicou toda sua vida a seduzir mulheres. Autobiográfico é pouco.


3- Cinema:


Ningúém se sentiu tão realizado ao dirigir um filme quanto François Truffaut. Isso pode ser percebido assistindo a qualquer um dos seus filmes, desde sua brilhante estreia em Os Incompreendidos (pelo qual ganhou o prêmio de melhor direção em Cannes em 1959) até sua participação como ator na ficção Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1979), do fã e amigo Steven Spielberg. Ou através das deliciosas entrevistas conduzidas pelo francês junto ao ídolo, Alfred Hitchcock, no melhor livro sobre cinema já escrito (intitulado simples e adequadamente Hitchcock/Truffaut). Ou de suas homenagens ao cinema mudo (em Jules e Jim), ao cinema de suspense de Hitchcock (A Sereia do Mississipi) ou, simplesmente, ao cinema.


É isso que se encontra em A Noite Americana, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1973: um filme sendo feito, do seu primeiro dia de filmagens até o último. Truffaut faz o papel do diretor, seu staff faz papel do seu staff, Jean Pierre Leaud faz o papel do seu ator principal. Truffaut faz um filme sobre Truffaut fazendo um filme, e o cinema reina. Veja que beleza! Um trecho selecionado de A Noite Americana:



Com uma música dessas, quem precisa de legendas?


Uma vida que vale uns filmes

Do delinquente juvenil que achou na cinemateca sua verdadeira escola ao jovem diretor que influenciou meio mundo, Truffaut viveu a vida. Fez amigos bacanas como Spielberg e Hitchcock e ironizou o elitismo do seu rival Goddard, sugerindo que este escrevesse uma autobiografia chamada Uma merda é uma merda. Seguiu produzindo um filme por ano até sua morte, em 1984, aos 52 anos.

Apesar de ser fundador de um movimento que fez a cabeça de gerações de intelectuais esnobes, Truffaut incutiu uma humanidade e uma paixão no seu "novo cinema", sem receio de parecer brega, ingênuo, popular - e se tornou um militante da arte contra o cinismo.
Ninguém filmou mulheres com tanta paixão. Ninguém fez cinema com tanta devoção. Ninguém, no papel quase divino de diretor de um filme, se colocou de maneira tão humilde para fazer filmes tão despretensiosos - e ainda assim geniais. Truffaut foi um artista cujo talento, hoje, só encontraria rivalidade em um um Woody Allen, um Scorsese ou um Almodóvar.  Para os quais, aliás, Truffaut foi herói e influência.

Sua obra, toda lançada em DVD, merece ser descoberta. Sugiro começar pela caixa As Aventuras de Antoine Doinel, que é o objeto da seção Estante VIP deste mês (leia mais lá na revista), e então partir para os dois clássicos absolutos, Jules e Jim A Noite Americana. Depois disso, difícil será parar de comprar os outros DVDs...

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Steven Soderbergh é um desses caras que apresentam um primeiro filme muito promissor e que, na sequência da carreira, são sempre tratados como "autor", mesmo que seus filmes não tragam nada de autoral ou interessante.

De fato, ele teve um começo de carreira bem interessante com Sexo, Mentiras e Video-Tape, e causou grande impacto em 2000, ao enfiar dois filmes na lista dos principais indicados ao Oscar (Erin Brokovitch e Traffic). Mas a partir daí sua carreira ficou oscilando entre competentes e carismáticos filmes-pipoca (Onze Homens e um Segredo) e bombas pretensiosas que ele pensa vender como "pequenos filmes independentes" (Full Frontal, Confissões de uma Garota de Programa). É no primeiro banquinho dessa gangorra que se senta seu mais novo filme, O Desinformante!, que estreou nos cinemas na última sexta-feira.

















Matt Damon dá tilt no detector de mentiras...

A história, baseada em fatos reais, trata de Mark Whitacre, vice-presidente de uma grande empresa agrícola que mentiu. Mentiu uma vez, para seus patrões, e a mentira foi crescendo, a ponto de ele ter que inventar outra mentira para encobrir a primeira. E depois outra. E depois mais outra. Daqui a pouco, o executivo será um informante do FBI infiltrado dentro da tal empresa, prestando valiosas informações sobre a formação de cartel na qual ele teria se envolvido a mando dos chefes.

Matt Damon engordou bastante e ostentou um bigode horrível para encarar o papel, e o defendeu de uma maneira um tanto confusa, que até agora não entendi se é habilidade do ator e parte do personagem, ou se é apenas uma atuação limitada. De qualquer modo, o jeito esquisito de Damon e sua fala mansa acabam confundindo o espectador. Há quem goste disso, e há quem se irrite. O crítico Inácio Araújo, da Folha de São Paulo, considera uma trapaça a maneira como Soderbergh nos enrola, deixando uma sensação de que assim não dá pra jogar...

Já eu gostei; acho que iludir o público através de uma falsa trama é um artifício lícito nas mãos de cineastas espertos. Hitchcock tinha até nome pra isso: MacGuffin. Mas Hitchcock usava MacGuffins com parcimônia, enquanto Soderbergh se lambuza nas mentiras do executivo - e esconde demais a "verdade", ao não dar nenhum indício desse tipo de motivador no mitômano Whitacre.


Veja o trailer de O Desinformante!

De qualquer modo, vale dizer que O Desinformante! é um filme inteligente, com boa trama, integralmente conduzido por diálogos e classudo. Desde seus créditos iniciais, vemos que se trata de um filme que remete às décadas de 50 e 60, época em que Hitchcock e seus thrillers assombravam as sessões de cinema. É um filme que proporciona duas horas bem agradáveis e que adiciona mais um tijolinho na obra que, aos trancos e barrancos, Soderbergh vai construindo. Tramas emboladas, mentiras e conspirações corporativas são seus temas preferidos.

Quando isso é colocado a serviço da diversão, todos saem ganhando. Boa sessão!

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Já falei algumas vezes que muito me agradam as comédias do Judd Apatow e da sua turma de astros não exatamente convencionais, como Seth Rogen e Jonah Hill. E a melhor de todas é Ligeiramente Grávidos, na minha opinião a melhor comédia desta década.

A trilha da semana é pinçada de uma cena chave desse filme - aquela em que Katherine Heigl entra em trabalho de parto. O som escolhido é o urgente e acelerado Police on My Back, daquela que foi chamada de "a única banda que importa" na virada da década de 70 para a de 80: The Clash.



Não consegui a cena, mas a qualidade de som está ótima, assim como a montagem com as fotos da banda de Mick Jones e Joe Strummer.

Boa semana a todos!

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009 - 6 Comentários

Alguém se deu ao trabalho de juntar 100 das melhores frases do cinema em 200 segundos.

A pegada é pop: tem desde clássicos obrigatórios como Cidadão Kane e Taxi Driver até comédias despretensiosas como Ace Ventura  e Penetras Bons de Bico - mas sempre com frases imediatamente identificáveis. Tem o Adriaaaaan! de Rocky Balboa e o I'll be back do Terminator. Tem Biff praticando um bullying pra cima de Marty McFly em De Volta para o Futuro e tem Han Solo "desejando" que a Força esteja com Luke Skywalker...

Veja o resultado:



Vendo todas juntas, as que mais me chamam a atenção são as aparições do Marlon Brando: o grito desesperado (Steeeeella!) em Uma Rua Chamada Pecado, o desabafo (I could've been a contender...) em Sindicato dos Ladrões e a calma da "oferta que ele não poderá recusar" em O Poderoso Chefão.

Assustadora também é a fala do diretor do presídio em Rebeldia Indomável (aquela frase que foi usada na abertura de Civil War, do Guns'n'Roses).

E o contraponto cômico é ver Mel Gibson urrando por liberdade no seu Coração Valente...

Diga o que achou da lista!

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Ontem, completaram-se 45 anos sem Cole Porter.

O homem que foi, provavelmente, o maior compositor do século 20. Páreos para ele, apenas John Lennon, Paul McCartney e seus contemporâneos, Irving Berlin e os irmãos Gershwin. (Eu acrescentaria Paul Simon na lista, mas aí é gosto pessoal.)

























Profícuo, Porter escreveu canções avulsas, peças para a Broadway e, de bola cheia, aportou em Hollywood para ser o dono da bola na era de ouro dos musicais.

Seu repertório ficou imortalizado nas vozes dos maiores cantores americanos (Frank Sinatra, Tony Bennet, Ella Fitzgerald fizeram carreira baseados na obra de Porter) e meio mundo pop (U2, Rod Stewart e muitos outros ganharam uma grana gravando seus clássicos).

Mas Porter não pensava em astros pop ao compor. Pensava em ter suas canções cantadas por Fred Astaire no palco ou na tela grande.

Foi assim em A Alegre Divorciada, primeiro filme de Astaire com sua parceira ideal, Ginger Rogers. O grande dançarino mostrou que era um excelente cantor ao apresentar ao mundo o grande clássico de Cole Porter: Night and Day. Veja!

Um pensamento: mesmo para os padrões atuais, Ginger Rogers é nota dez!

Muitas outras músicas de Porter chegaram ao cinema. No mínimo dois filmes foram feitos em sua homenagem: Night and Day, biografia chapa-branca estrelado por Cary Grant, teve resultado constrangedor. Já De-Lovely, mais recente e com Kevin Kline defendendo com elegância o papel do compositor, foi bem ao escancarar o homossexualismo e o lado menos agradável de Porter. E teve resultados irregulares ao misturar Elvis Costello, Alanis Morrisete, Diana Krall e outros para cantar seus standarts. Bom mesmo, só o I Get a Kick Out of You com Robie Williams.

Mas mais bacana é lembrar a parceria de Frank Sinatra e Bono Vox em I've Got You Under My Skin (composta para o filme Born to Dance, de 1936, indicada - e inacreditavelmente derrotada - para o Oscar de melhor canção daquele ano).


Sinatra em seu campo de jogo (nota 10). Bono tirando uma onda (nota 8). Na média, um 9,0 honroso para a versão. 

Cole Porter representa uma era de ouro de Hollywood, época de produtores poderosos, diretores tiranos, estrelas inatingíveis. Filmes de sonho, escapistas, maiores que a vida. Catarse coletiva. Trilha sonora mais adequada, impossível.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009 - 3 Comentários

Durante a semana passada, a Forbes deu uma notícia curiosa: dentre todas as estrelas de Hollywood, a que dá mais retorno financeiro para os estúdios não é Angelina Jolie, Nicole Kidman ou Scarlett Johansson, mas sim a australiana - e agora quarentona - Naomi Watts.

























Naomi Watts: quem não investiria nela?

A conta é a seguinte: pegaram a bilheteria total dos filmes em que as moças atuaram e dividiram pelo cachê de cada uma. E Naomi venceu, ao pagar aos empregadores US$ 41 milhões pra cada milhão recebido.

Avaliação do BLOGIE: justo, justíssimo. Naomi é linda, talentosa e séria como atriz. Protagoniza dramalhões (21 gramas), thrillers (Trama Internacional) e blockbusters de ação (King Kong) e de terror (O Chamado). De vez em quando, privilegia filmes de autor, como o cult Cidade dos Sonhos, do David Lynch. No ano que vem, estará no novo filme do Woody Allen.
















Em Cidade dos Sonhos, Naomi embarca na viagem de David Lynch - e deixa pelo menos uma cena na história do cinema...

Quer dizer: Angelina Jolie emagrece, adota pencas de filhos, rouba o marido da Jennifer Aniston, representa a Unicef, causa confusões, se tatua e tudo mais, mas, no fim das contas, ela deveria é estar estudando uns roteiros e escolhendo bons filmes pra fazer. Sua decantada atuação em A Troca, do Clint Eastwood, é a única coisa digna de nota que ela fez desde Garota, Interrompida - e, mesmo assim, não é grande coisa.

Veja a lista das estrelas que dão grana pros estúdios:

1- Naomi Watts (O Chamado, King Kong, 21 Gramas)

2- Jennifer Connelly (Uma Mente Brilhante, Hulk, Diamante de Sangue, Ele Não Está Tão a Fim de Você - aliás, depois de ter sido musa teen, que grande carreira Jennifer tem feito nesta década!)

3- Rachel McAdams (Diário de uma Paixão, Penetras Bons de Bico, Meninas Malvadas - uma surpresa, não? Mas a moça é talentosa e muito bonita, merece um ingresso sério no primeiro escalão de Hollywood...)

4- Natalie Portman (série Star Wars, Closer - Perto Demais  e poucos outros filmes: Natalie escolhe a dedo seus projetos, faz filmes independentes por dinheiro de pinga e evita a superexposição. Seu papel de Rainha Amidala a garante na lista.)

5- Meryll Streep (graças a Mamma Mia! e O Diabo Veste Prada, e sem perder a mão de grande atriz, como mostram Dúvida e tantos outros...)

Depois, vêm Jennifer Aniston, Halle Berry, Cate Blanchett, Anne Hathaway e Hillary Swank.

Nem sinal de Scarlett e Angelina.

Tem gente se atribuindo um preço muito alto para o que entrega.

Quanto a mim, nem preciso mentir. Já escrevi no BLOGIE várias vezes que considero Naomi Watts a atriz que está no "ponto ótimo" (maturidade, talento e beleza). A aposta mais segura que posso fazer é que ela ganhará um Oscar dentro dos próximos três anos (já deveria ter levado o seu por 21 Gramas).

Minhas outras apostas pessoais são Natalie Portman e Scarlett Johansson. Tirando o preço alto e a falta de medo de se expor da loira, ela é sempre uma atração e, hoje, é provavelmente a maior estrela do cinema. Natalie cuida melhor da carreira, é mais seletiva, mas ainda vai fazer bastante barulho. O destino de ambas é serem ícones complementares de uma era, como foram Marylin Monroe e Audrey Hepburn nos anos 50.

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009 - 7 Comentários

(Aviso: comentário escrito sob forte impacto pós-sessão. Revela-se mais sobre o filme do que seria razoável. Funciona melhor se lido após a ida ao cinema... afinal, quem precisa de um conselho de um blogueiro para ver o novo Tarantino?)

Dizer o quê?

Coloquemos a coisa da seguinte maneira: ninguém - repito, ninguém - vai tão longe quanto Quentin Tarantino. Depois de ter marcado o cinema da década de 90 com Cães de Aluguel e Pulp Fiction, e de ter chutado o balde da indulgência com Kill Bill, o cara resolveu mudar o curso da História.

A História segundo Tarantino














O Hitler mais afetado desde o de Mel Brooks em Primavera para Hitler. By Tarantino.

Em Bastados Inglórios, seu anunciado "épico da Segunda Guerra Mundial", uma milícia de judeus americanos escalpela nazistas e uma menina judia que perdera toda a família tem seu próprio plano pra ganhar a guerra sozinha. O nazista que é apelidado "caçador de judeus" é a atração cômica do filme.

Desnecessário dizer que Tarantino anda numa corda bamba - basta lembrar de quanta gente reclamou de Roberto Benigni e de um suposto revisionismo histórico no seu A Vida é Bela -, mas o que realmente impressiona é que ele não anda nessa corda com cuidado; antes, corre tresloucadamente, esbarrando em tudo e todos e berrando, e chega ao final ateando fogo no seu próprio filme. E chega intacto.

Bastardos pode não ser o melhor filme de Tarantino (talvez Pulp Fiction, por seu impacto e influência, seja imbatível), mas é a coisa mais inusitada que chegou aos cinemas neste ano. Vale cada centavo do ingresso.

O festival de referências cinematográficas









Mélanie Laurent em Bastardos e Catherine Deneuve em O Último Metrô: mais do que mera coincidência...

Em Bastardos, o diretor paga seu maior tributo ao cinema.O início é Sergio Leone puro, aquela calma e aquele acúmulo de tensão que beira o insuportável, como em Era Uma Vez no Oeste. É ali que aparece o Coronel Landa, o tal "caçador de judeus". Sua abordagem é genial, e este é provavelmente o melhor diálogo de Tarantino desde Pulp Fiction.

As referências ao western não param por aí: a trilha é cheia de canções marcantes do bangue-bangue à italiana, como O Dólar Furado e uma saraivada de canções do Ennio Morricone. A trupe dos Bastardos Inglórios - os judeus liderados por Brad Pitt - tem como costume escalpelar suas vítimas, como se fossem índios apaches. A história, como a de Kill Bill, é a de vingança irredutível.

Além do western, há espaço para homenagens a todo tipo de filme:

- Aos épicos de guerra, com seus heróis e vilões caricatos e planos grandiosos;

- A filmes europeus, como mostra a preparação de Mélanie Laurent para a grande noite, ao som de Puttin' Out the Fire, do David Bowie, trilha de A Marca da Pantera... ou, mais forte, as recorrentes discussões sobre o cinema alemão da década de 20, contraposto aos filmes ufanistas -e tecnicamente geniais - do 3º Reich;


Ouça Puttin' Out the Fire, de David Bowie, acompanhada de uma montagem de fotos de Bastardos Inglórios!
- Ao cinema francês, com toques de Goddard aqui e plots de Truffaut ali (por exemplo, a heroína da história é uma moça linda, herdeira de um cinema que acaba virando foco de resistência em Paris - alguma semelhança com O Último Metrô, que traz Catherine Denéuve como herdeira de um teatro que acaba virando foco de resistência em Paris?);

- Ao próprio cinema de Tarantino, como mostra a cena do bar clandestino no porão: soldados alemães e alguns dos Bastardos (devidamente disfarçados) jogam Perfil, discutem cinema e acabam protagonizando a situação clássica de Tarantino: um apontando arma para o outro, o outro apontando arma pra fulano, fulano apontando arma para o um...

Enfim, o filme é uma festa para cinéfilos, e mesmo estes perderão dezenas de referências, pois desta vez Tarantino gastou todo seu arsenal - e ninguém é páreo para ele em matéria de "nerdice".

Enfim, um grande diretor

















A primeira cena de Bastardos, entrando direto na lista das melhores cenas de todos os tempos.

Tarantino começou como um roteirista fanfarrão e genial, criador de diálogos de efeito e que ignoravam a necessidade de trazer algum conteúdo. Seus personagens pareciam saídos de HQ, tão visualmente definidos e tão rasos em suas motivações. Dessa primeira leva saíram Assassinos por Natureza (dirigido por Oliver Stone), Cães de Aluguel e Pulp Fiction.

Depois, melhorou e tentou criar personagens mais complexos. Patinou um pouco em Jackie Brown, mas criou uma Noiva e um Bill sensacionais em Kill Bill Vol. 2.

Foi também em Kill Bill  - o primeiro - que notamos a enorme evolução de Tarantino como diretor - fotografia e direção de arte passaram a dar as cartas, mais do que o próprio texto. O visual da vingança da Noiva é, de fato, um soco no estômago.

E agora chegamos a Bastardos Inglórios, em que o diretor não precisa de cores espalhafatosas ou de artimanhas engraçadinhas como a de um David Fincher. Aqui, ele atinge a maturidade como cineasta: tem a calma de um Sergio Leone, a delicadeza de um Truffaut, a mordacidade os irmãos Cohen... e uma esperteza que só encontra paralelo em Scorsese. 

Atuações sensacionais

















Christoph Waltz como o Cel. Landa: a atuação do ano... That's a bingo!, diria o nazista...

Sua direção de atores também atinge um novo patamar com as atuações de Mélanie Laurent (uma pequena joia francesa prestes a conquistar o mundo), de Diane Kruger (uma atriz limitada e que, sob orientação do mestre, faz um grande trabalho) e, principalmente, do alemão Cristoph Waltz - o engraçadíssimo e atordoante Coronel Landa, que fala alemão, francês, inglês e italiano fluentes, e que é capaz de uma afetação absurdamente caricata, de uma crueldade digna dos piores vilões nazistas e de uma sagacidade de Dr. House. Pode talhar o nome do rapaz no Oscar de melhor ator coadjuvante.

Digna de nota também é a atuação do francês Denis Menochet, como o fazendeiro francês que é confrontado pelo histrionismo do Cel. Landa na primeira cena. Ele vai da indiferença ao ódio ao terror dizendo muito pouco e movendo poucos músculos da face. Realmente impressionante.

Gran Finale

Da metade para a frente, a coisa já foi tão longe que começamos a pensar, "como ele vai terminar esse filme sem frustrar o público?" - afinal, seguindo a História oficial, teríamos que ter tanques Aliados chegando a Paris e libertando todo mundo, algo que, sejamos sinceros, já cansou.

Mas Tarantino não tem compromisso com a História; tem compromisso com o cinema. E é numa sala de cinema que ele resolve fazer sua própria História, com heróis de guerra como um projecionista negro, um crítico de cinema britânico e a moça que se prepara para a noite como a Nastassja Kinski. Suas armas serão pilhas e pilhas de filmes. Os nazistas ganharão um final espetacular, bem hollywoodiano.

E o líder dos Bastardos, um caipira vivido por Brad Pitt, vai dar voz à sensação do seu criador, declarando para o mundo: "acho que esta é minha obra-prima".

P.S.: ver o filme foi uma aventura. A sessão foi interrompida no meio da primeira cena por um incêndio no Shopping Bourbon, e fomos orientados a evacuar o Shopping. Mas o amor pela sétima arte falou mais alto, e fiquei dando uma de bobo por ali, até controlarem a situação, reabrirem as lojas e assistirmos aos Bastardos. Porque, depois daquela abertura, eu não suportaria mais um dia sem ver o filme.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009 - 3 Comentários

Estreia hoje, repleto de expectativas, o sétimo filme de Quentin Tarantino: Bastardos Inglórios. O filme fez enorme sucesso nos EUA, já se pagou (feito merecedor de destaque hoje em dia) e vai levar bastante gente aos cinemas brasileiros.

Se você é daqueles que, como este blogueiro, aguardou por esta data como se espera por uma final de Copa do Mundo, não é necessário dizer mais nada.


















Tarantino e elenco: eles matam nazistas no cinema. Uma tradição americana.

Mas se você é da turma que ainda está à procura de boas razões para escolher este filme entre os outros doze do multiplex mais próximo, este post foi feito pra você. Aqui estão as 5 principais razões para ver Bastardos Inglórios:


1- Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill, Kill Bill Vol. 2

A obra de Tarantino vai se construindo com calma (ele não é dos diretores mais profícuos), muitas idiossincrasias e nenhuma acomodação. Cada filme do homem é recheado com suas manias, ideias malucas e diálogos de efeito. Na série Kill Bill, ele mostrou grande evolução nos aspectos artísticos - fotografia, direção de arte, etc. Ele ainda não chegou no auge, e Bastardos está dando mais um passo nessa direção.

2- Prova de Morte

O último filme de Tarantino nem chegou a ser lançado no Brasil! Também pudera: o diretor chutou o balde ao fazer esse "meio-filme" para ser lançado em conjunto com o Planeta Terror de Robert Rodriguez. Cortes que emulam um filme mal montado, sujeira proposital e uma história bizarra... Prova de Morte, mesmo com seu caráter de brincadeira, deixou um cheiro de derrapada no currículo de Tarantino, e ele quis limpar a barra em grande estilo com Bastardos.

3- Os Bastardos

















Brad Pitt ensina a grande arte de escalpelar nazistas...

Quantos filmes de Segunda Grande Guerra ainda merecem ser feitos? Tarantino responde: o dele, pois ele faz diferente de tudo que veio antes. Em seu novo filme, ele inverte a História e dá vida aos Bastardos, uma milícia de judeus americanos que mata nazistas com requintes de crueldade (escalpo é a marca registrada). A trama se passa na França ocupada pelos alemães, e Brad Pitt lidera a trupe, com um plano ambicioso de virar a guerra na marra.

No mais, como todo Tarantino, toneladas de citações pop: música de primeira, apropriação de códigos do western, dos filmes de guerra e de diretores clássicos, brincadeiras com a mitologia americana...

4- Mélanie Laurent e Diane Kruger












Enfeitam a milícia dos Bastardos duas moças inacreditavelmente bonitas: a alemã Diane Kruger - que já foi a Helena de Troia e que estava à procura de uma chance para virar atriz de verdade - e a francesa Mélanie Laurent - que pôde ser vista recentemente em Paris, no qual atormenta um professor universitário de meia-idade. Mélanie, que é a verdadeira protagonista do longa, é uma atriz de recursos mais vistosos e de beleza menos convencional - e mais marcante.

5. O Trailer:




Dizer mais o quê? Escolha uma sala com tela bem grande e som ensurdecedor e boa sessão!

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009 - 3 Comentários

Já se falou muito sobre o fato de que Harrison Ford é o maior assassino do cinema, graças ao seu principal personagem, Indiana Jones.


Pois bem, um maluco resolveu editar todas as mortes acumuladas durante os três primeiros filmes da série. E com contador de corpos!


Veja o vídeo, as mortes estão organizadas em ordem cronológica:



As minhas preferidas são as mortes às pencas no final de Indiana Jones e o Templo da Perdição, na cena da ponte partida. A cada balançada na ponte, é meia dúzia que cai para os crocodilos comerem.

E, claro, tem a oitava morte da lista, aquela em que o espadachim exibe sua lâmina, faz mil firulas com a mesma e leva um tiro de um indiferente Prof. Jones. Assassinato que a patrulha politicamente correta condenou, pois o cara não poderia ter usado uma arma de fogo contra um coitado com arma branca...

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Como hoje é aniversário de casamento deste blogueiro, elejo como filme VIP da semana um filme que, ao mesmo tempo, é caro ao casal que ora comemora e que, de quebra, serve como referência para todo homem que resolve juntar os trapos com uma mulher. O filme é Descalços no Parque, de 1967, baseado numa peça da Broadway de grande sucesso, escrita pelo grande Neil Simon.

O filme trata de um jovem casal que inicia a vida em comum. A primeira coisa que sabemos sobre eles é que sua lua-de-mel foi uma maratona sexual, pois seis dias se passam sem que eles saiam da sua suíte. Findada a inauguração do casamento, o casal deixa o quarto e vemos os jovens Robert Redford - no caminho para se tornar o maior astro de Hollywood - e Jane Fonda - de beleza dourada e graça estonteantes. Um casal incomparavelmente atraente, esperto e promissor. Era o final da década de 60 e nada poderia detê-los.























Jane Fonda nem precisaria se esforçar muito para dar graça ao casamento, mas ela não se acomoda...


E então o filme ganha seu cenário definitivo: o pequeno apartamento no sexto andar de um prédio sem elevador. O apartamento, em sua precariedade de lar de recém-casados, será o detonador dos conflitos internos do casal.

Paul (Redford) é um advogado certinho, pé no chão, conservador, e vê o apartamento como ele é: um cubículo com um buraco no teto, sem aquecimento e com um quarto que mal abriga uma cama. Vê problemas em tudo e desconfia do vizinho fanfarrão e de prestadores de serviço.

Corie (Fonda) é uma moça espontânea, atrapalhada, que faz amigos com grande facilidade, preocupada com lances intangíveis como a "energia" que cerca o seu novo lar. Insiste em enxergar o potencial do apartamento, tendo uma visão otimista sobre todas as suas limitações, e se preocupa em levantar o astral do difícil começo dessa história.

As brigas começarão cedo e, ao final, veremos Redford enchendo a cara e trocando ideias com um mendigo no parque mais próximo. A moça vai buscá-lo, dando forma a uma inversão de papéis que os reaproximará. Aprender a conviver com as diferenças é, para este casalzinho, dar uma volta descalço no parque em pleno inverno.


Veja o trailer original de Descalços no Parque!


Descalços no Parque é uma bela crônica de como é viver com alguém sob o mesmo teto. Isoladas as variáveis da atração e da "liga" que se obtém no sexo, e afastadas as questões relativas a grana e família, a grande questão é suportar, mas mais do que suportar, se acostumar, se divertir e absorver as manias do outro. No fundo, Paul e Corie formam um ser único e diferente - e ainda mais interessante - do que eram separados. A beleza e a certa semelhança física de Redford e Jane ajudam a constituir essa nova unidade, que é garantida pela personalidade forte dos dois atores.

Quando me casei, não pude deixar de pensar nesse filme, ciente de que questões bestas como a louça escolhida para o lavabo ou o papel de parede poderiam se tornar ameaças sérias ao casamento. E esperançoso de que, assim como o casal-modelo do cinema americano (considero Redford e Fonda os astros com a melhor combinação de talento, beleza, carisma e caráter), atingíssemos rapidamente o clima de convivência feliz e orgulhoso que dá fim a Descalços no Parque.
























Robert Redford e Jane Fonda em 1967: que modelo pode ser melhor?


Três anos depois, tudo ótimo em casa. Acertar na primeira é sorte? Acho que não. Aprendemos bastante no cinema. Quem começa como Descalços no Parque não termina como A Guerra dos Roses.

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terça-feira, 6 de outubro de 2009 - 1 Comentários

Muita gente reclama de "cinema comercial", "música comercial", tudo que for comercial...

Particularmente, acho isso um papo muito chato. Silverster Stallone já disse, na coletiva de lançamento de um dos filmes da série Rambo, que "ninguém aqui está tentando fazer Cidadão Kane. Apoiado. No mais, a grande graça da "sétima arte" reside no fato de ela ser um produto de uma linha de criação, uma verdadeira indústria estabelecida em Hollywood. E isso permite o lançamento de centenas e centenas de filmes todo ano (e impede que o cinema, pelo menos nos EUA e em alguns outros países, seja essa mendicância de dinheiro público que vemos no Brasil).

Pelo menos em um dos vários aspectos da experiência de curtir cinema (são vários: a sala escura, a pipoca, as críticas que antecedem o lançamento, as notícias sobre as estrelas...), Marketing e Arte andam de mãos dadas: falo dos cartazes que enfeitam as salas de espera e que são usados para chamar a atenção para os filmes que serão lançados.

Muitos cartazes, assim como muitos filmes, são feitos meio no piloto automático. Mas, quando os caras acertam a mão, um pôster pode se tornar um complemento perfeito para o filme - e não é por acaso que é uma atividade comum à moçada tentar herdar um pôster do seu filme preferido na locadora do bairro (pelo menos era assim no meu tempo!).

Sem mais, BLOGIE elegeu e preparou a lista dos 10 melhores pôsteres de filmes de todos os tempos: 

10- A Bela da Tarde




Quando se tem uma foto perfeita, não precisa inventar muito. O pôster revela o erotismo e a insegurança de Catherine Deneuve no clássico de Buñuel.

 

9- Tubarão


Steven Spielberg inventou o filme-evento de verão em 1975, com Tubarão. Que ganhou cartaz tão ameaçador quanto o filme.


8- Encontros e Desencontros



O filme fez de Scarlett Johansson uma estrela, e ela nem aparece no pôster? Pois é, mas Sofia Coppola tinha uma foto insuperável: a solidão e o aspecto patético do homem de meia-idade estão perfeitamente registrados no momento de Bill Murray.


7- Pulp Fiction


O que dizer? Tarantino criou sua própria mitologia pop. Tudo é perfeito nessa capa surrada de livro de bolso transformada em pôster. O preço, o clima barato em torno de Uma Thurman, as letras, tudo ajuda a criar o universo único de Pulp Fiction.

 


6- Lolita

"Como fizeram de Lolita um filme?" Escândalo é o que grita o pôster do filme de Kubrick. Acho que os óculos escuros da menina é que dão o toque genial...


5- A Primeira Noite de um Homem



Uma cena antológica, filmada de um ângulo único, tinha que chegar ao pôster da obra-prima de Mike Nichols. O toque mágico é o texto, extraído do próprio filme: "este é Benjamin. Ele está um pouco preocupado com seu futuro". E vemos Dustin Hoffman com cara de bobo, enquanto uma ameaçadora e torneada perna de mulher se despe para ele.



4- Taxi Driver


Uma obra-de-arte. O ambiente em torno de DeNiro é imundo, sinistro, perigoso - coisas que deixam o personagem, Travis Bickle, enojado. Você vê o pôster e pensa, "esse cara vai aprontar algo". E vai.


3- Laranja Mecânica



Kubrick era um gênio não só na criação, mas também na divulgação. No pôster de Laranja Mecânica, a cultura pop ganha um ícone. Fora a coragem do texto: "seus principais interesses são estupro, ultraviolência e Beethoven"...


2- Casablanca

Casablanca é tudo. E está tudo prometido nesse cartaz perfeito, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em destaque. É o melhor de uma série de pôsteres sensacionais deste que é, provavelmente, o maior clássico de Hollywood.


1- Jules e Jim


Já falei sobre o meu preferido anteriormente, mas repito: esse pôster traz tudo o que faz do filme de Truffaut uma maravilha: Jeanne Moureau, um ar de "alegria de viver", um tom meio melancólico, meio distante - e transpirando humanidade. Além disso, é uma obra-de-arte, como o filme. E isso, sem entregar nada do que se trata.


Bom, esta é a lista de BLOGIE. Certamente há dezenas de pôsteres tão bons quanto esses... diga se faltou o seu preferido!

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009 - 0 Comentários

Continuando com a série de cenas de abertura espetaculares, hoje BLOGIE traz três clássicos dos anos 80.


Nenhum dos filmes aspirou a Oscar ou a algum lugar especial na história do cinema, mas todos foram dirigidos com grande competência e, mais importante, contam com sequências de abertura que garantem a atenção do espectador.


Comprove!

Garotos Perdidos (1987): quando vampiros adolescentes eram gente realmente estranha...


Nestes dias chatos, Crepúsculo faz sucesso com vampiros adolescentes que evitam fazer aquilo que vampiros e adolescentes mais querem fazer - se alimentar com sangue alheio e transar.


Já nos anos 80, Joel Schumacher fez um filme com vampiros jovens que são verdadeiramente barra-pesada: se divertem matando uns desavisados, andam de moto, pegam a mulherada geral e moram numa caverna sinistra com pôster do Jim Morrison na parede.






A sequência inicial traz a mãe solteira Dianne Wiest, com seus filhos adolescentes, Corey Haim e Jason Patric, chegando a uma cidadezinha de fim de mundo. Os moleques já preveem uma vidinha tediosa, pois o único point local é um parque de diversões.


Mas logo descobrirão que a cidade é cheia de gente estranha. Trilha sonora: People are Strange, do Doors, tocada com classe pelo Echo the Bunnymen, com direito a solo de teclado do grande Ray Manzareck!


Alguém Muito Especial (1987): o triângulo amoroso padrão dos anos 80


Um exercício de estilo bem interessante: na história escrita pelo então maioral do cinema adolescente John Hugues, temos um clipe de 3 minutos em que todos os personagens principais são apresentados, sem que uma fala seja dita.





Temos Mary Stuart Masterson como a roqueira solitária; Eric Stoltz como o pobretão sonhador; e Lea Thompson como a patricinha que passa o rodo. O triângulo está apresentado, e uma geração de meninas idolatram esse filme de roteiro redondinho, um campeão da Sessão da Tarde. (O recente Ele Não Está Tão a Fim de Você presta uma homenagem incrível a Alguém Muito Especial, elegendo-o um tipo de Curtindo a Vida Adoidado das meninas.)

Em tempo: a música, Dr. Mabuse,  é duma banda chamada Propaganda.



Afinado no Amor (1998): Adam Sandler enfia o pé na jaca

Este filme foi feito no meio da década de 90, mas tem o mérito histórico de ter sido o primeiro "filme de época" ambientado nos anos 80.

Adam Sandler é o cantor de casamentos que, como todo cantor de casamentos, inclui no repertório todos os sucessos do momento, pois seu trabalho é animar a festa.

Essa festa começa ao som de gosto abjeto da banda de tecno-pop Dead or Alive: You Spin Me Round (Like a Record).



O que faz dessa cena tão simples uma ótima cena de abertura? Primeiro, a apresentação do personagem: de cara, reconhecemos em Adam Sandler um cara amável, de bom coração, meio sem senso do ridículo (e muitos, como eu, conheceram Sandler através deste filme, o que significa que não entramos esperando "uma comédia do Adam Sandler). Depois, temos a reconstituição de época que ressalta o aspecto absurdo dos anos 80:  penteados, cores, roupas - enfim, toda a cafonice. E há os créditos de abertura rapidinhos, que emulam aqueles efeitos de vídeo de casamento dos primórdios do VHS. Enfim, nota dez!

Hoje, fui numa lista de filmes mais despretensiosos. A próxima vai voltar no cinema mais "sério".

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009 - 2 Comentários

Entre as estrieas dessa sexta-feira, temos o brasileiro Salve Geral (que faz aquela embolada sócio-ideológica pró-ladrão em cima do dia em que o PCC parou São Paulo) e mais umas coisinhas... e tem Terror na Antártida, filme de suspense policial que só tem levado pau da crítica, e que não deve arrebatar lá muito público.

Sinceramente, não sei muito sobre o filme, mas garanto que vou assisti-lo. A razão é uma só, e suficiente: Kate Beckinsale.

























Kate Beckinsale, uma inglesinha linda, já fez a esposinha pra lá de interessante de Adam Sandler na comédia familiar Click. Já foi a enfermeira sexy que causou briga entre os amigos Josh Hartnet e Ben Afleck na bomba Pearl Harbor. Já foi heroína de filme de ação. E já fez o papel de Ava Gardner, a mulher que Billy Wilder definiu como "o animal mais belo que já existiu", em O Aviador, do Martin Scorsese.

Resumindo: é uma gata. E tem talento, pois enfeita qualquer tipo de filme.

Ela traz aquela qualidade que é sempre bem-vinda em atrizes tão privilegiadas pela natureza: não tem medo de tirar a roupa.

Diz que, logo na primeira cena de Terror na Antártida, a moça já aparece pelada. Bom, muito bom. Ela também tira a roupa em Laurel Canyon (2003) e em dois filmes inéditos ou "secretos" por aqui:  Uncovered e Haunted.



Mas o meu momento preferido de Kate Beckinsale é mais comportado: a comédia romântica Escrito nas Estrelas, em que ela faz par com John Cusack, é uma das coisas mais agradáveis de se assistir dos últimos anos.


















Eles se conhecem em Nova Iorque, em uma cena muito interessante. Eles patinam no Rockefeller Center, enquanto conversam rapidamente sobre preferências. O filme preferido dele: Rebeldia Indomável, com Paul Newman. Palavra preferida dela: "serendipity" (que é o nome original do filme). E por aí vai. Daí entra num lance de ela fugir do cara, acreditando que o destino vai fazer seu trabalho, enquanto ele corre contra o relógio (tem casamento marcado com uma zinha sem graça) para reencontrar Kate.

Enfim, aquele filme de mulherzinha regular. Mas, juro, não faz mal nenhum passar duas horas assistindo Kate Beckinsale sorrindo, falando, chorando, se atrapalhando. É até reconfortante.

Veja se estou mentindo:


Algumas cenas de Escrito nas Estrelas, com Kate Beckinsale e John Cusack.

Agradável, não?

Por essas e outras, lá vamos nós encarar mais uma estreia no cinema.

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quarta-feira, 30 de setembro de 2009 - 7 Comentários

(Aviso: o final do filme é revelado no texto a seguir.)

 
Ao longo da semana, falei do cartaz do clássico francês Jules e Jim e da comédia teen Picardias Estudantis.

 
O que eles têm em comum?

 
Resposta: Cameron Crowe.

 


 
Cameron Crowe, com Penélope Cruz e Tom Cruise: um cineasta dos bons!

O jovem escritor de Picardias Estudantis tornou-se, mais tarde, um sensível diretor, que obteve grande sucesso com Jerry Maguire e Quase Famosos. A direção de Crowe é apoiada em diálogos inspirados e na celebração de gente comum, em situações comuns, extraindo disso algo de extraordinário. Essas duas características bebem na fonte de, respectivamente, dois mestres: Billy Wilder, o rei dos diálogos ácidos, e François Truffaut, o cineasta mais humano de todos - que é o diretor de, entre outros, Jules e Jim.

 
Bom, o fato é que Crowe um dia fez um filme maluco chamado Vanilla Sky, a partir de uma ideia de Tom Cruise, que adorou o filme espanhol Abre Los Ojos (e se apaixonou pela sua estrela, Penélope Cruz). Cruise bancou o filme, recrutou Penélope (a quem pegou já no set) e contratou o diretor. Veja o trailer:

 


 
Crowe, por sua vez, é um cara esperto. A despeito do roteiro surreal cujo protagonista sofre um terrível acidente e se vê no meio de um sonho ininterrupto, o diretor deu um jeito de polvilhar o filme com toneladas de citações pop - seu esporte favorito. São 429 citações do cinema, da TV e da música espalhadas pelo filme.

 
Mais hábil, no entanto, é a maneira como Crowe conseguiu homenagear seu mestre, Truffaut, e seu Jules e Jim: desde o pôster na porta do seu quarto, até coincidências do roteiro (dois amigos apaixonados pela mesma mulher, mas que lutam para que isso não atrapalhe a amizade; um acidente de carro provocado por uma mulher descontrolada), vários momentos evocam a obra-prima francesa.

 
No mais, tem reconstituição de capa de disco do Bob Dylan, tem filme da Audrey Hepburn, tem aparição do Steven Spielberg, tem discussões sobre o Beatle favorito...

 
Suficiente?

 
Pois aí vem o final, aquela cena em que Cruise se joga do alto do prédio, e sua vida inteira passa pela sua frente enquanto ele cai.

 
E aí entra uma enxurrada de cenas e fotos, coisas da vida do personagem, mas principalmente acontecimentos culturais (filmes, shows, discos) que tornaram a vida do cara algo mais feliz. Veja a cena:

 


 
BLOGIE faz um pente fino na cena, repassando-a quadro a quadro e tentando identificar tudo o que se passa... o finzinho é mais difícil, pois os cortes são muitos. Mas deu pra "pescar" bastante coisa. Veja só:

 
  • Cena da casa de Antoine Doinel em Beijos Probidos
  • Gravações caseiras de bebê e crianças
  • Desenho animado dos anos 30
  • Cena de Os Incompreendidos
  • Cena caseira num barco
  • Foto de Tom Cruise adolescente após vencer uma luta de boxe no colégio
  • Foto do pai em uniforme do exército
  • Fotos de 3 garotas (ex-namoradas?)
  • Foto de Martin Luther King
  • Foto da banda islandesa Sigur Rós, responsável pela trilha desta sequência (música: Nothing Song)
  • Cenas do filme: o fiel conselheiro, ele na cama com Sofia (Penélope Cruz)
  • Mulher loira dançando
  • The Who nos anos 70 (Pete Townsed caindo de joelhos)
  • Cena do filme: o melhor amigo, Jason Lee
  • Cena do filme: Cruise embasbacado na Times Square deserta
  • Jeanne Moreau, estrela de Jules e Jim
  • Mulher de cabelos castanhos pelada
  • Capa do disco Wee Small Hours, do Frank Sinatra
  • Capa do disco The River, do Bruce Springsteen
  • Quadro do Monet com o "céu de baunilha"
  • Foto de Cruise beijando seu snow-board com pintura inspirada no quadro do Monet
  • Foto de Nancy Wilson, guitarrista da banda Heart e esposa do Cameron Crowe
  • Cena de Cruise e Lee, na linha best friends forever
  • Sequência de fotos de bebê e criança em crescimento
  • O céu, visto da janela de um avião
  • Cruise e Cruz na Times Square
  • Um bebê
  • Avós
  • A capa de Houses of the Holy, do Led Zeppelin
  • Mãe com bebê
  • O personagem de Cruise, novinho, no escritório do pai
  • Foto de Penéliope Cruz, mais nova
  • Cameron Diaz, no carro, no dia do acidente
  • Cruise e Lee com snow boards
  • Cena de Quase Famosos - aparece o guitarrista do Stillwater, Russel Hammond (Billy Crudup)!!!
  • Foto de um cão
  • Foto da irmã de Cameron Crowe, com bobs no cabelo, indo embora de casa (foto que inspirou a cena em que a irmã do menino de Quase Famosos vai embora de casa)
  • Cena de Sabrina do Billy Wilder: Audrey Hepburn em cima da árvore
  • Sequência de fotos de Penélope Cruz (é isso que Cruise teria achado nela: sua Audrey Hepburn)
  • Vídeo caseiro da mãe com bebê numa piscina, dando adeus.
Bom, esse foi o exercício cinéfilo-obsessivo da semana.

 
Sintam pena do blogueiro.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Volta às aulas na Ridgemont High. Fundava-se, ali, a tradição dos filmes de high school americanos.



O ano: 1981.O filme: Picardias Estudantis, escrito por Cameron Crowe (futuro diretor de Vida de Solteiro, Jerry Maguire e Quase Famosos) e dirigido por Amy Heckerling (que renovaria o gênero nos anos 80, com Patricinhas de Bervely Hills).

A música é American Girl, do Tom Petty and the Heartbreakers.

A letra ("she was an american girl, raised on promises!") entra no exato segundo em que Jennifer Jason Leigh aparece, perdida, nos corredores da escola. Essa grande atriz, então uma adolescente, é só uma das revelações de Picardias Estudantis.

Outras são Eric Stoltz, Nicolas Cage, Forrest Whitaker, Phoebe Cates, Judge Reinhold e, principalmente, o grande Sean Penn, como o maconheiro Spicoli - o primeiro de sua coleção de grandes personagens.

Tudo certo nesse baita filme, que captou a época como poucos. Foi o primeiro a reconhecer o shopping center como o habitat natural do adolescente, e foi um dos primeiros a enaltecer a primeira transa como objetivo de vida do adolescente (tema único desde então). Teve trilha sonora perfeita, que, além da música de Tom Petty, conta com vários outros clássicos do new wave e do rock mais mainstream.

Veja o trailer!


E foi baseado no romance escrito por Crowe, então jornalista da Rolling Stone, que pediu demissão e se matriculou no colégio para escrever o livro.

Se você é da geração criada à base de American Pie: não deixe de conferir! Por outro lado, se você é daqueles que sempre julgou esses filmes de high school uma grande bobagem... não perca Picardias Estudantis. É a manifestação mais despretensiosa da arte de captar a essência da juventude de uma época.

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sábado, 26 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Outro dia, achei um site que mostra os melhores pôsters de cinema...

Vou preparar um top ten ao meu gosto, mas já adianto qual é o meu preferido: 
























Jules e Jim, de François Trufffaut.

Esse pôster traz tudo o que faz do filme uma maravilha: Jeanne Moureau, um ar de "alegria de viver", um tom meio melancólico, meio distante - e transpirando humanidade. Além disso, é uma obra-de-arte, como o filme.

E isso, sem entregar nada do que se trata.

Em Vanilla Sky, a atordoante colagem pop de Cameron Crowe (segundo ele, há 429 referências à cultura pop no filme!), o quarto de Tom Cruise traz na porta um pôster gigante de Jules e Jim. Para se ter uma ideia do que isso significa, vale dizer que as paredes desse cômodo abrigam uma tela original do Monet e uma guitarra estraçalhada do Pete Tonwshend, do The Who.

Aliás, cabe um post para esmiuçar as referências de Vanilla Sky.

E outro para discutir Truffaut. (Esse estou guardando para uma data especial, dentro de um mês...)

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quinta-feira, 24 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Um pouquinho de história: este blog entrou no ar há pouco mais de um ano.

Como falei do Humphrey Bogart e do fato de ele ter sido escolhido como santo padroeiro do BLOGIE (emprestando nome e foto, inclusive), aproveito para celebrar o primeiro aniversário com o primeiro post.

http://vip.abril.com.br/cinema/2008/09/teste-teste-teste-teste.shtml

A todo mundo que acompanha o BLOGIE, obrigado!

E vamos indo ao cinema, pois, citando um amigo que realmente sabe das coisas, "quem gosta de cinema gosta de sonhar" - e eu só confio em gente dessa laia.

Um abraço,

Ricardo Garrido

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009 - 1 Comentários

Dica do blog Desculpe a Poeira: o American Film Institute (AFI) divulgou a lista das 100 melhores frases de filmes de todos os tempos.

http://www.afi.com/tvevents/100years/quotes.aspx

Em primeiro destaque, o tratamento master de Clark Gable a Vivian Leigh em ...E o Vento Levou:

"Frankly, my dear, i don't give a damn!"






















Gable está na pegada, mas diz que não tá nem aí...

Destaque também obteve O Poderoso Chefão, com suas ofertas irrecusáveis e tantas outras bossas - foram sete frases pescadas da trilogia.

O maior autor de frases da lista é o grande Billy Wilder, com 13 frases espalhadas pelos seus clássicos (Se Meu Apartamento Falasse, Crepúsculo dos Deuses, Sabrina, Quanto Mais Quente Melhor...).

E o patrono deste blog, o ícone macho Humphrey Bogart, é o ator com mais frases imortais: dez ao todo, e a principal delas é o título do primeiro post de BLOGIE: o irresistível e sóbrio brinde com Ingrid Bergman...

"Here's looking at you, kid."

Lembrando a quem passou a acompanhar este espaço recentemente: o apelido de Bogart em Hollywood (mas só junto à alta brodagem e ao mulherio) era "Bogie". Em homenagem a ele, chamei este espaço de BLOGIE. E essa foto ridícula aí do lado é uma montagem feita em cima de uma foto clássica do cara em O Falcão Maltês.

























O Bogie original. Não confundir com imitações baratas.

Qualquer dia falo de Casablanca no Filme VIP da Semana. Tenho o filme como um guia de vida. Tudo o que um homem precisa saber - sobre mulheres, trabalho, amizade, causas nobres, prazeres mundanos, angústias supremas -, está tudo lá. Bogie ensina o caminho.

Em tempo: e ele nunca disse "play it again, Sam"... essa é do Woody Allen, em sua peça Sonhos de um Sedutor, na qual ele recebe conselhos amorosos de Bogart.

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sábado, 19 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Nada de novo no cinema para o final-de-semana. Se o amigo ainda não viu UP! - Altas Aventuras, da Pixar, não perca. Para quem não viu, faço um último apelo para que aproveite o bom e singelo Amantes, com Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw. É um filme diferente, que vale a pena encarar.

No mais, para quem já deu conta dos dois e sabe evitar ciladas como O Sequestro do Metrô 123, a boa do dia é pescar os bons filmes na TV. Já são quase 11:00, já assisti Rocketeer (tem jeito de começar melhor o sábado do que se deleitando com a Jennifer Connelly?), mas tem muita coisa ainda... Selecione o seu!

14:00 - AXN - Melhor É Impossível: Jack Nicholson (Oscar de melhor ator), Helen Hunt (Oscar de melhor atriz) e os melhores diálogos da segunda metade da década de 90. Só a cena de abertura, em que Nicholson joga um cãozinho shin-tzu pela lixeira do seu prédio, arrematando "this is New York; if you can make it here, you can make it anywhere", já vale o filme. E anuncia o que vem pela frente. Grau de acidez máximo, Ph 1.

17:30 - TCM - Jeremiah Johnson: lançado no Brasil como Mais Forte do que a Vingança, este filme do início da década de 70 traz Robert Redford como o cara que vira eremita no meio das montanhas geladas de Utah. Um grande filme, diferente de tudo o que você já viu, exceto se tiver sido um dos poucos felizardos que prestigiaram o recente - e ótimo - Na Natureza Selvagem, do Sean Penn. Acho que este se inspirou em Jeremiah Johnson. Redford, no auge da sua popularidade, era um ator corajoso, que só entrava em filmes que lhe significavam algo (temas preferidos: política com tendências liberais, busca da verdade, contato com a natureza). É um dos heróis deste blogueiro.
















Reford e seu amigo urso: porque é melhor evitar andar com certas pessoas...


19:50 - TC Pipoca - Tropa de Elite: é sempre confortável ver Capitão Nascimento descendo a lenha nos bandidos e dando esporro na rapaziada que faz o curso para entrar no Bope. Além das frases inspiradíssimas de um roteiro sensacional, destaco o trabalho do Wagner Moura, que consegue dar show não só nas grandes tiradas ("fanfarrão", "nunca serão", etc), mas também em frases comuns: sua performance ao entrar no morro gritando "não vai subir ninguém! Não vai subir ninguém!" para a PM é absolutamente genial.

21:00 - HBO - Batman - o Cavaleiro das Trevas: dizer o quê? O grande marco do cinema em 2008 traz aquela performance inesquecível do finado Heath Ledger como Coringa, mas traz mais: baita direção de arte, roteiro redondinho, grandes atuações acessórias de Cristian Bale e Gary Oldman... só podiam arrumar uma mocinha melhor para o Batman! Onde está a Scarlett Johansson quando precisamos dela?

22:00 - TC Cult - O Homem Que Sabia Demais: porque Hitchcock nunca é demais. Este é a segunda versão do diretor, feita em 1956 (ele tinha feito uma primeira em 1934, que ele considerava "amadora"), e traz James Stewart como o americano de férias em Marrocos que testemunha  um assassinato e que se vê em uma situação perigosa - sua vida depende do seu silêncio. Conta com aquele que é, na opinião deste blogueiro, o melhor clímax de todos os filmes de Hichcock: o assassinato que acontece durante um concerto de música clássica no Royal Albert Hall, em Londres. Tudo é arquitetado para o tiro ser disparado no momento exato em que os pratos são tocados. Uma aula de cinema.


Até em trailer Hitchcock era diferente. Veja James Stewart "vendendo" o filme e falando sobre a tal cena do concerto.

23:00 - Warner - Penetras Bons de Bico: ótima comédia com Owen Wilson e Vincent Vaughn. Eles são os amigos que se profissionalizaram na arte de entrar em casamentos para os quais não foram convidados, com o único objetivo de pegar mulher. A vida vai bem para os fanfarrões, mas tudo muda quando ambos se apaixonam por duas irmãs (Isla Fisher é a ruivinha ninfomaníaca que dá um jeito em Vaughn; Rachel McAdams é a garota cabeça e sensível que fará de Wilson um homem sério). Despretensioso, traz uma equação agradável para servir de pano de fundo para o "esquenta" da balada de sábado: festas + alta brodagem + garotas = sábado à noite.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2009 - 5 Comentários

Moçada, o ano 2000 chegou, o mundo não acabou (reagendaram o evento para 2012) e filmes continuaram a ser feitos, e nós continuamos a ir ao cinema. Graças a Deus.

Já se vão quase dez anos e é chegada a hora de fazer um balanço. Como foi o cinema nestes anos 00?

Eu classifico esta primeira década do milênio como uma época difusa para o cinema. Não há um filme com "a cara" da década - como A Primeira Noite de um Homem foi para os anos 60 (contra-cultura), Taxi Driver para os 70 (realismo e autoria), E.T. para os 80 (fantasia) e Pulp Fiction para os 90 (cinema "independente"). Vejo um pouco de tudo, e nada muito dominante.

BLOGIE peneirou seus filmes preferidos, para ver no que dá... Veja, em ordem cronológica, a lista dos melhores filmes desta década:

- Quase Famosos, de Cameron Crowe

- Alta Fidelidade, de Stephen Frears (baseado no livro do Nick Hornby)

- Cidade dos Sonhos, do doido David Lynch

- Fale Com Ela, o melhor de uma série genial do Almodóvar

- Cidade de Deus (e sem unfanismo!)

- Encontros e Desencontros (já falo deste)

- Sobre Meninos e Lobos, do grande Clint Eastwood

- Match Point, da fase europeia de Woody Allen (Vicky Cristina Barcelona também merece lugar na lista)

- Closer - Perto Demais, teatro filmado pelo gênio Mike Nichols (o mesmo por trás de A Primeira Noite de um Homem e Uma Secretária de Futuro)

- Procurando Nemo, da Pixar

- Kill Bill, um grande exercício de estilo de Tarantino

- Os Infiltrados, porque um bom Scorsese vale ouro hoje em dia

- Juno, uma bela surpresa de um ótimo diretor novo, Jason Reitman

- Gran Torino, epitáfio dos personagens-machos de Eastwood

- Up! - Altas Aventuras, outra vez a Pixar


Como dá pra ver, tem um pouco de cinema pop e com pinta indie (Alta Fidelidade e Juno), que são praticamente um tributo aos anos 90; há grandes obras de gênios incansáveis (Woody Allen, Clint Eastwood, Martin Scorsese, Pedro Almodóvar); há pontos fora da curva (o representante brasileiro e os acertos de Tarantino e de David Lynch); há as animações da Pixar, que divide com a Dreamworks (Shrek, etc) as grandes bilheterias desta década...

... e há Encontros e Desencontros.


Se eu tivesse que escolher um filme como representante da década, seria este.

Encontros e Desencontros é o segundo filme de Sofia Coppola, filha do grande Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão, Apocalipse Now). A moça tentou de tudo na vida: quis ser atriz, quis ser fotógrafa, foi patricinha, ficou entediada. E atendeu ao óbvio chamado da natureza e realizou o talento que a genética lhe transmitiu: virou diretora.

Fez o ótimo e subestimado As Virgens Suicidas. E aí emendou esse filme incrível e sem paralelo que é Encontros e Desencontros. O nome original, Lost in Translation ("perdido na tradução"), explica mais sobre o filme. Ele é sobre aquilo que não se fala, mas que fica entalado. Frustração de viver em uma época em que se pode tudo, e isso simplesmente não é suficiente.


Veja o trailer - com legendas! - de Encontros e Desencontros..

Os protagonistas, você sabe, são Bob Harris (Bill Murray), um ator que já viveu dias melhores e que curte sua decadência fazendo comerciais de uísque no Japão, e Charlotte (Scarlett Johansson), uma moça que não sabe o que quer na vida e que está em Tóquio acompanhando seu namorado workaholic.

Bob e Charlotte, embora sejam de gerações diferentes e, aparentemente, nada tenham em comum (Bill Murray é feio a dar com pau, e Scarlett é uma deusa), acabam se entendendo, firmando uma rápida amizade baseada na auto-ironia e na cumplicidade e, eventualmente, se enroscam em um caso passageiro.

Sofia Coppola abre mão do cinismo e da vontade de ser esperta que caracterizaram o cinema dos anos 90, e é aí que Encontros e Desencontros vira símbolo desta década esquisita: você pode ficar conectado com o mundo, viajar até Tóquio, entrar nas baladas mais loucas, mas não precisa fingir que está mandando bem. Admitir a frustração é um passo nobre a ser dado, e Scarlett Johansson construiu uma carreira a partir dessa aparição inesquecível - foi, sem dúvida, a revelação da década. Bill Murray também ganha aqui o papel da sua vida, e foi uma pena Sean Penn ter vivido Sobre Meninos e Lobos no mesmo ano. Murray merecia seu Oscar, era sua grande chance (enquanto Penn já ganhou outro e, tudo indica, tem mais pela frente).

Encontros e Desencontros tem também uma trilha sonora com cara de anos 00 - rock independente, música eletrônica, lounge, essas coisas que eu não sei direito como rotular, tudo muito etéreo e desconexo, disperso como tudo neste mundo em que pessoas ficam se xingando em fóruns de discussão e blogs, que teoricamente têm a capacidade de unir e incluir.

Acredito que o futuro reservará um lugarzinho de destaque para essa singela e sincera realização de Sofia Coppola.

E espero que ela não se entregue aos maneirismos a que tentam reduzir seu trabalho (moças solitárias, música independente, potencial de ícone fashion). Se ela morder essa isca (e parece que mordeu em Maria Antonieta), poderá desperdiçar um grande talento para contar histórias. Que ela reencontre seu caminho.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009 - 1 Comentários

Dica do amigo e cinéfilo Adriano Abreu, para quem gostou de UP! - Altas Aventuras, e que, como este blogueiro, não consegue parar de pensar no filme: o link abaixo traz alguns teasers, cenas inéditas (na verdade, pequenos episódios sem relação com a trama) e trailers -e tudo em alta definição! 

www.apple.com/trailers/disney/up

O meu preferido é Inside UP: Pixar 3D, um making of da produção em 3D. Aparecem alguns dos responsáveis por essa obra-prima. Dá pra sentir o orgulho dos caras e a segurança de que fizeram um negócio histórico.

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terça-feira, 15 de setembro de 2009 - 13 Comentários

A temporada de filmes "sérios" de Hollywood está só começando (é depois do verão nos EUA que os postulantes ao Oscar programam os lançamentos), mas já dou por encerrada a briga pelo posto de filme do ano.

O filme do ano é uma animação: Up! - Altas Aventuras, da Pixar. Faz tempo que as animações vêm se mostrando tão boas quanto os melhores "filmes de verdade" - e, a despeito de terem como público a criançada, demonstram personagens mais desenvolvidos e mais sensibilidade que quase toda a produção americana. Depois da série Shrek, de Procurando Nemo, de Monstros S.A., de Os Incríveis, do ousado Wall-E, de tanta coisa, chegou a hora de dizer: um desenho animado é o melhor filme do ano.

Isso não acontece pelos seus óbvios méritos técnicos: pra falar a verdade, não ligo para a definição da imagem (que é ótima), para as cores (que são incríveis), para o realismo (que é desnecessário) ou para o 3-D (prefiro até 2D, pra não desviar atenção). Ligo mesmo para a história, para os personagens, para o cinema.
















E Up! começa com a melhor sequência de cinema dos últimos tempos: evocando outra época, através do cinejornal (da mesma maneira que começa Cidadão Kane), o filme mostra um menino no cinema, sonhando com as grandes aventuras de um explorador famoso. Depois ele brinca na rua e conhece uma menina doidinha, esperta e com o mesmo fascínio pelas aventuras do tal explorador. São só quatro minutos de filme.

E então, sem que uma palavra seja dita, um vídeo-clipe de cinco minutos conta a vida de Carl e Ellie, agora crescidos, que se casam, que trabalham no mesmo zoológico (ela, como zoóloga; ele, como vendedor de balões), que sempre adiam o grande plano - explorar um paraíso tropical na Venezuela - devido a gastos mais urgentes, que acumulam frustração sobre frustração... mas que se tornam um adorável casal de velhinhos, até que Ellie morre e Carl fica sozinho, na casa que construíram juntos, rodeado das lembranças da sua mulher esperta.

Repito: é a melhor sequência do cinema em muito tempo. Não importa se você é macho, muito macho, novo, velho, mulher, indeciso... você vai chorar.
















Apresentados os personagens, sabemos que Carl tem uma dívida com sua finada esposinha: concretizar sua GRANDE AVENTURA. As circunstâncias - a iminência da mudança para um asilo - o fazem bolar o plano. E aí entra a fantasia genial da Pixar: o vendedor de balões enche centenas de bexigas, ergue sua casa do chão e se põe a buscar o paraíso perdido da América do Sul.

Por acaso, um escoteiro gordinho - Russel -, que está focado em completar a tarefa de ajudar um velhinho, está na varanda no momento em que a casa alçava voo. Será ele o companheiro de Carl na sua aventura, e será ele o responsável por dar bons motivos para Carl continuar vivendo sua própria vida.


Veja o trailer de UP - Altas Aventuras!

Como em qualquer desenho animado, personagens secundários engraçados - bichos falantes, desengonçados e exóticos - vão popular a tela e dar aquele tom cômico. A criançada se amarra, mas todos vão rir. A sensibilidade com que hábitos de dia-a-dia são expostos - especialmente a relação entre homens e cães - é tocante. A sacada do cão falar com um dispositivo digital, que verbaliza o pensamento do bicho, é genial: por exemplo, após levar um esporro do velhinho e de dar uma sumida, o cachorro está na porta. O velhinho abre e fica supreso - e o cachorro explica, abanando o rabo: "é que eu te amo, então fiquei escondido embaixo do balcão da varanda..."

Ao longo do filme, Carl terá que lidar, entre outras coisas, com a limitação da sua "nave": os balões cheios de hélio não durarão muito, e é uma metáfora muito bonita a maneira como eles vão murchando e anunciando o tempo de vida que Carl vai perdendo na sua expiação da perda de Ellie. E é de dar um nó na garganta (de novo) a maneira como ele consegue buscar um gás novo para sua vida: tirando o peso de dentro da casa (o que significa se livrar da tralha que lhe traz tantas lembranças). Ele finalmente se desapega e pode abrir seu novo livro de aventuras.

Inspirador, sensível, observador, genial... e infantil. Lidemos com a verdade: ninguém neste século consegue fazer cinema com a qualidade da Pixar. Up! para o Oscar de melhor filme!

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009 - 1 Comentários

Pra começar a semana com gás total:



O filme é Jerry Maguire, de 1996. Um belo filme, com roteiro e direção elegantes e indicados ao Oscar. No mais, papel da vida de Tom Cruise.

Depois de ter sido demitido e de ter levado um pé na bunda da noiva, o tal do Maguire (Cruise) acaba de sair de uma reunião que lhe promete grandes negócios. O rádio oferece Bitch, dos Stones, mas não é exatamente a trilha sonora que traduz seu momento.Ele vai girando o dial e passa por Angel of the Morning, com a Olivia Newton-John. Nada a ver. E passa batido por outra música, um easy listening infernal.

E aí entra Free Fallin', do Tom Petty. Que som!

Tom Cruise, Cameron Crowe (o diretor do filme, que sempre dá um jeito de colocar suas músicas preferidas em destaque) e eu berramos junto com Petty: "I am free... Free fallin'!"

Boa semana a todos!

P.S.: pra quem quiser saber mais, essa música é do primeiro disco de Petty sem sua banda, os Heartbreakers. O disco é Full Moon Fever, de 1989. Produção do então onipresente Jeff Lynne, responsável pelo som do George Harrison, Bob Dylan e Roy Orbison naquele rico final dos anos 80. Todos esses figurões e produtor se juntaram naquele mesmo ano e formaram os Traveling Wilburys, a superbanda mais bacana da história. Assunto pra mais de metro.

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sábado, 12 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Para entrar no espírito do fim-de-semana: Ronald Miller (Patrick Dempsey, hoje astro de Grey's Anatomy) era um CDF que queria virar um cara popular na sua escola. Exposto à prova de fogo para nerds metidos a malandro - a pista de dança -, ele mostra suas armas: evoca o obscuro "ritual do tamanduá africano". E ganha a balada.



O filme é Namorada de Aluguel, de 1987. Acredite se quiser, mas cenas muito parecidas com esta aconteciam nas festinhas ginasiais do fim dos anos 80, quando o filme ficou bem popular, graças às reprises na Sessão da Tarde.

Piada que serviu para disfarçar a falta de jeito de nerds mil, incluindo este blogueiro.

Bom final-de-semana a todos!

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009 - 0 Comentários

Nada de baixo-astral neste 11 de setembro. Nova York deve ser lembrada e celebrada pelo que ela tem de melhor.


Para mim, assim como para o cara que escreveu, narrou e dirigiu a cena abaixo, não importa a estação: Nova York ainda existe em preto-e-branco e pulsa ao som de George Gerwshwin.



O filme é Manhattan, obra-prima do Woody Allen. Para mim, melhor cena de abertura de todos os tempos. E maior homenagem a uma cidade já feita por um cineasta.

Aí vai a tradução do texto:


"Capítulo Um. Ele adorava Nova York. Ele a idealizava muito além da conta - ãh, não, vai assim: ele... ele romantizava-a muito além da conta - YES. - Para ele, não importa qual a estação, esta ainda era uma cidade que existia em preto-e-branco e que pulsava ao som das grandes canções de George Gershwin. - Ãh, não, perdi alguma coisa...

"Capítulo 1. Ele era romântico demais sobre Manhattan, como ele era sobre todo o resto. Ele se deliciava em andar no meio da multidão e do trânsito. Para ele, Nova York significava mulheres bonitas e caras espertos que sabem de tudo - não, não, brega, muito brega para alguém com meu estilo. Será que dá... dá pra tentar algo mais profundo?


"Capítulo um. Ele adorava Nova York. Para ele, a cidade era uma metáfora da decadência da cultura contemporânea. A mesma falta de integridade individual que levava tanta gente a buscar o caminho mais fácil estava rapidamente transformando a cidade dos seus sonhos em... - não, ficou meio sermão. Quer dizer, você sabe, vamos encarar, eu quero vender alguns livros.

"Capítulo um. Ele adorava Nova York, embora para ele a cidade fosse uma metáfora da decadência da cultura contemporânea. Como era difícil viver numa sociedade descaracterizada por drogas, música alta, televisão, crime, lixo... - muito raivoso. Não quero ser raivoso...


"Capítulo Um. Ele era forte e romântico como a cidade que ele amava. Por trás de seus óculos de aro preto, se escondia o apetite sexual de um gato selvagem - gostei disso. - Nova York era sua cidade, e sempre seria..."
E aí somos arrebatados pela incrível Rapshodie in Blue, de George Gershwin, e pela fotografia maravilhosa de Gordon Willis.












O rapaz aí é que sabe das coisas.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009 - 10 Comentários

Tirando Up, a nova animação da Pixar, não tem nada de novo que valha a pena encarar no cinema. Para o leitor que, a esta altura, já viu Se Beber, Não Case! e os outros filmes mais badalados, uma boa pedida continua sendo Amantes, de James Grey.
O filme traz Joaquin Phoenix como um jovem que se recupera de uma depressão daquelas (tentou se matar e tudo mais). Basicamente, ele enfrenta aquelas questões familiares a todos os jovens: se livrar da sombra dos pais controladores; querer achar um caminho diferente daquele que seu destino parece lhe ter reservado; encontrar alguma imprevisibilidade, emoção e romantismo num mundo bem sem graça. Um ponto de partida bem parecido com o de A Primeira Noite de um Homem (clássico de Mike Nichols, com Dustin Hoffman no papel do jovem entediado).

Pra balançar a vida do rapaz - assim como em A Primeira Noite... -, aparecem duas mulheres: a filha do sócio do pai (as coincidências não param) e uma vizinha misteriosa. A primeira é interpretada por Vinessa Shaw, uma atriz de nuances, na linha Laura Linney - uma grata surpresa. A segunda é defendida com competência por Gwyneth Paltrow, que não fazia nada que prestasse há muito tempo. O jovem vai se dividir entre as duas (ou melhor, tenta se livrar de uma enquanto aumenta a obsessão pela outra), enquanto decide se casa ou se compra um guarda-chuva.
















Joaquin Phoenix e Vinessa Shaw: mais uma grande performance de um, revelação do talento da outra.

As comparações com A Primeira Noite de um Homem, no entanto, se sustentam por mais algumas citações espertas (como o aquário no quarto de Phoenix ou a sua trajetória desesperada do quarto até a porta da rua no meio de uma festa chata cheia de amigos dos seus pais)... e só. Todo o bom humor, a ironia e a juventude do filme de Nichols não dão as caras em Amantes. Aqui, a coisa é pesada.

O filme não tem grandes seduções, nem grandes brigas, nenhum momento "cinematográfico". A coisa é levada em banho-maria, como a vida dessas pessoas (e da maioria das pessoas). O clima é morno, e os tons, frios, como em Interiores, do Woody Allen. Apropriado para o desfile de personagens bem construídos, com personalidades complexas e que não se preocupam em fazer sentido. Tudo muito normal, especialmente se lembrarmos da máxima segundo a qual "de perto, ninguém é normal."





















Brinde para a moçada: Gwyneth exibe seus atrativos (que já lhe valeram um Oscar por Shakespeare Apaixonado).

Dessa maneira, sem nada mágico acontecendo, só com frustração em cima de frustração, Amantes vai nos conduzindo num passeio por uma praia durante o inverno, sob garoa fina, até que a maré decida o que Phoenix fará de sua vida. 
Incomoda? Um pouco. Mas vale a pena ver um filme desses de vez em quando.

Se você estiver de bem com a vida.

PS: aliás, que grande interpretação de Joaquin Phoenix! Ele é um dos grandes, não há dúvida, e sua piração momentânea (de abandonar a carreira de ator para virar produtor de hip-hop), tomara, será apenas um detalhe curioso na sua biografia de lenda de Hollywood.

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terça-feira, 8 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Da pilha de livros que se acumula num canto incômodo do escritório, consegui matar um. Aproveitando uma viagem a trabalho, dei conta de uma preciosa indicação de um amigo cinéfilo: O Clube do Livro, lançado há cerca de três meses, e que andou frequentando algumas listas dos mais vendidos.

O livro chama a atenção por dois motivos:

1) a história é ótima: um pai percebe que está perdendo o controle sobre o filho adolescente, que simplesmente não é compatível com a escola. E propõe algo polêmico e arriscado: o filho pode abandonar a escola, desde que assista a três filmes por semana com o pai (que é crítico de cinema);

2) a história é real. O autor, o canadense David Gimour (que não é o guitarrista homônimo, do Pink Floyd), realmente deu essa oportunidade duvidosa para seu filho, e ambos saíram vivos, felizes e crescidos da experiência.














Gilmour e o meliante cinéfilo: uma aposta arriscada.


Para o leitor do BLOGIE, o que interessa são as deliciosas opiniões sobre o monte de filmes a que pai e filho assistiram durante o período mais nervoso da adolescência de Jesse (esse é o nome do mau elemento). De Casablanca a Instinto Selvagem, de Woody Allen a Rocky III, de O Poderoso Chefão a Picardias Estudantis, cada filme merece um comentário inspirado e apaixonado de um cara que entende de cinema. Isso vale o livro.

Como literatura, a coisa é mediana: seu texto e - principalmente - seus diálogos não resistem a comparações com os de um Nick Hornby ou de um Jonathan Coe (pra ficar em autores especialistas em romances cheios de citações pop). No entanto, a honestidade e a completa falta de cinismo do autor, aplicados a uma experiência tão poderosa, são capazes de conquistar qualquer pessoa, especialmente aquelas que têm filhos para criar... O amigo que me indicou o livro tem esse desafio muito presente em sua vida e simplesmente amou O Clube do Filme. Dá pra entender.

Ressalvas nerds de um blogueiro chato

Gimour bem que poderia fazer uma checagem antes da publicação do livro. Peguei alguns erros (uma brincadeira doentia que alimento ao ler livros sobre minhas obsessões: filmes, Beatles e Corinthians). Vamos lá:

1- O autor diz ter visto um show dos Beatles em 1965, no qual ele destaca a lembrança de John Lennon cantando Long Tall Sally com aquele sotaque de Liverpool. Só que quem cantava essa canção (que é do Little Richard) era o Paul McCartney.

2- Menos de uma página depois, ao tentar provar que os Beatles eram o máximo para seu filho, o autor diz ter colocado pra tocar It's Only Love, do álbum Rubber Soul. Na verdade, a música não é desse disco, mas sim do Help!, seu antecessor.

3- Este é o mais grave: é dado grande destaque à primeira vez em que pai e filho assistem a Assim Caminha a Humanidade (filmaço, by the way). Gimour descreve a maneira como seu filho comia um croissant, fazendo barulho, enquanto o filme começava, quando parou pra perguntar, com a boca cheia, "quem é esse?" - e o pai respondeu, "James Dean". Ora, Dean só aparece com mais de vinte minutos de filme! E essa demora na sua primeira aparição é uma lenda do cinema! Inexplicável...

















James Dean em Assim Caminha a Humanidade: ele demora pra aparecer, mas domina a cena.

Deixando a chatice de lado, esses pequenos erros são balanceados com belos acertos, como a sessão de "tesouros escondidos" - filmes maravilhosos que não têm a mesma fama dos clássicos. Pra terminar, então, listo os tesouros escondidos de Gilmour (já vi metade deles e o cara tem razão: é tudo coisa boa!).


Tesouros escondidos, segundo O Clube do Filme:

- Quiz Show (1994), de Robert Redford (com Ralph Fiennes)

- A Última Missão (1973), de Hal Ashby (com Jack Nicholson) - com roteiro de Robert Towne (o mesmo de Chinatown)!

- A Última Investigação (1977), de Robert Benton (com Lily Tomlin)

- Memórias (1980), de Woody Allen (lançando entre Manhattan e Zelig, um filme normalmente esquecido como um "Allen menor")
- Ishtar (1987), de Elaine May (com Warren Beatty e Dustin Hoffman, nos papeis de músicos fracassados que vão tocar no reino de Ishtar e se envolvem na política local - e com a Isabelle Adjani, mais bonita do que nunca! É um dos filmes preferidos do autor, e é realmente algo meio secreto... pra garimpar pela web!)

- Irresistível Paixão (1998), de Steven Soderbergh (com George Clooney e Jennifer Lopez)

- Amor à Queima-roupa (1993), de Tony Scott (primeiro roteiro do Quentin Tarantino!)

Enfim, uma bela seleção de raridades para procurar e se divertir. Já tenho passatempo para as próximas semanas.


Pensando bem, deveriam fazer mais livros como esse O Clube do Livro.

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domingo, 6 de setembro de 2009 - 2 Comentários

Vamos continuar resumindo clássicos do cinema em 140 caracteres. A maioria veio do meu Twitter. Outros são sugestões dos leitores de BLOGIE. Mande a sua sugestão!


Mulher se suicida após café da manhã com ?manteiga?. Viúvo ninfomaníaco encontra parisiense cheia de amor pra dar.

(O Último Tango em Paris, por Patrícia, do blog E a Nave Vai)


Mistério: jovem inventor do rock'n'roll desaparece a bordo de carro futurista.

(De Volta Para o Futuro)



Lester é um homem de meia-idade, triste com a vida e decidiu fumar maconha. Altas confusões vão acontecer com esse tiozão pra lá de louco!
(Beleza Americana, por Fábio, fazendo a linha narrador da Sessão da Tarde)



Primeiro escalão de Hollywood brinca de polícia e ladrão e todo mundo morre no final.
(Os Infiltrados)



Cabeludo feioso que veste saias vive 700 anos, decepa a cabeça de um monte de gente e sobrevive a uma tempestade elétrica.
(Highlander, o Guerreiro Imortal)


Jovem arrogante pilota aviões de caça, anda de moto, joga vôlei, pega a instrutora loira e mata russos. Mas não engana ninguém.
(Top Gun)

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009 - 7 Comentários

Outro dia, num almoço, uma jovem colega, nos seus vinte e poucos anos, chocou os comensais ao afirmar que ela não conhecia Os Goonies. Eu fiquei estupefato. Como alguém pode ter atravessado a pré-adolescência sem ter conhecido Mike, Bocão, Bolão, Dado? Sem ter se divertido com Sloth, o monstro bonzinho? Sem ter ficado na dúvida se Mamma Fratelli é mulher ou homem? Sem ter se apaixonado por Andy (Keri Green), estrategicamente um pouco mais crescida do que a molecada do filme (e da plateia)?

Enfim, ser um Goonie é algo a que todos os moleques de doze anos aspiraram, pelo menos na minha geração.

De quebra, lembrei-me de que o filme, dirigido por Richard Dooner a partir de história de Steven Spielberg, conta com uma das melhores cenas de abertura de todos os tempos.

O que me obriga a pensar na lista de melhores cenas de abertura de todos os tempos. Este é um dos meus temas preferidos, então não vou fechar em uma lista nem colocar em um ranking. Vou simplesmente listar as cenas de abertura inesquecíveis. À medida que eu for me lembrando, vou listando... espero que se divirtam!

Pra começar: três filmes bem diferentes e excelentes, todos com cenas de abertura não menos do que inesquecíveis.

Pulp Fiction: assaltos, um bom assunto para o café-da-manhã



O segundo filme de Quentin Tarantino tornou-se simplesmente o filme mais importante da década de 90. E todo o seu espírito e suas virtudes são apresentadas em um preâmbulo interessantíssimo, sem personagens principais e sem relação (aparente) com a trama. Um casal discute, num restaurante - enquanto toma seu café-da-manhã -, sobre suas perspectivas como assaltantes. O risco de levar um tiro, problemas logísticos durante o assalto, o dilema entre tomar a carteira dos clientes ou ficar só com a grana da loja... Tudo é discutido numa tranquilidade, dando o tom da violência banalizada que caracterizaria o filme e um monte de imitações que vieram depois. Os diálogos inspirados de Tarantino estão ali, como a observação da garçonete ("Garçon means boy!"). De repente, eles explodem, numa tempestade de palavrões e armas e baba pulando pra fora das bocas - e entra a abertura, com letras garrafais e o som de Dick Dale anunciando que Tarantino é um cara talentoso e esperto, e que ele estava fazendo história. Sensacional.


Carruagens de Fogo: heroísmo esportivo em escala gigante



É assim que se começa um filme: sem letreiro, nem nada. Uma rápida cena em um funeral. Um velhinho discursa em memória ao amigo que morreu. Ele termina a fala dizendo que se lembra como se fosse ontem de um grupo de jovens, do qual só sobravam ele e mais um vivos - "um formidável grupo de jovens, com sonhos no coração e asas nos calcanhares"... e corta para o tal grupo, correndo na praia - era a delegação de atletismo inglesa, se preparando para as Olimpíadas de 1920. A música de Vangelis irrompe em sua melodia perfeita, enquanto todos os personagens principais são apresentados. Duas consequências históricas: 1) Carruagens de Fogo, a música, tornou-se hino dos jogos olímpicos para sempre; 2) Carruagens de Fogo, o filme, ganhou Oscar de melhor filme em 1981.


Os Goonies: simplesmente a melhor abertura!























Essa, eu fico devendo. Não apareceu uma boa alma para postar a sequência de abertura de Goonies no You Tube. Uma pena, porque é uma aula de cinema: uma única ação - a fuga de uns bandidos da cadeia - serve para apresentar, um a um, todos os personagens principais e secundários da trama, bem como o ambiente onde se passará o filme (uma periferia decadente na California). Créditos, música e contexto - lanchonetes, fliperamas, malhação caseira, aparelhos de som - ajudam a formar um verdadeiro inventário pop dos anos 80.

Para quem nunca assistiu: não desperdice mais um dia de sua vida sem conhecer Os Goonies.

Para quem já viu dezenas de vezes, no cinema, no vídeo-cassete e na Sessão da Tarde: veja novamente e perceba como o filme, além de despertar aquela nostalgia, se revelará cinema de gente grande, com roteiro perfeito, ótimos personagens, edição inacreditável e produção impecável.

Porque fazer filme de matinê já foi atividade muito séria, a cargo de gente muito competente. Ave, Spielberg.

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terça-feira, 1 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Brian DePalma, você sabe, é um baita cineasta. O mundo todo viu com prazer suas competentes empreitadas "mercenárias", como Os Intocáveis e Missão Impossível. Uma legião de seguidores exalta Scarface, que virou ícone pop. Muitos se lembram de Carrie, a Estranha, primeiro filme de destaque do diretor. Uns poucos discutem as obsessões de DePalma - loiras, voyeurismo, assassinatos, procedimentos técnicos de filmagem, fotografia, gravação etc... - em seus filmes mais autorais, como Vestida Para Matar, Dublê de Corpo e o mais recente Femme Fatale. Mas quase ninguém viu o melhor filme do cara: Um Tiro na Noite, de 1981.

Um Tiro na Noite é simplesmente o filme em que DePalma desenvolveu suas obsessões pela primeira vez, com um grau de novidade, inventividade e genialidade que não foi jamais igualado. Suspense de primeira, no nível dos melhores Hitchcocks!


Olha esse trailer...

John Travolta (em seu último registro de destaque antes de mergulhar no ostracismo de onde só Tarantino o resgataria, quinze anos depois) é Jack, o especialista de som que trabalha na produção de um filme de terror. Ele passa suas noites captando sons para usar no filme. Em uma delas, está no meio do mato captando o vento, o farfalhar das folhas, uma coruja - e, de repente, ele grava e testemunha um acidente de carro que pode ser algo bem pior do que isso... um pneu estourou? Ou foi um tiro?

A condução que a polícia dá ao caso deixa uma pulga atrás da orelha de Jack. Enquanto ele procura sarna pra se coçar, os envolvidos no crime por ele flagrado providenciam uma limpeza de evidências - ou seja, matar umas pessoas por aí. E aí entra Nancy Allen (então mulher de DePalma, o que significa que ele terá prazer em desnudá-la para o público), como Sally, a prostituta que é chave na solução do mistério.




















Travolta, DePalma e sua musa/esposa, Nancy Allen: o fim de uma época em que deixaram os loucos tomarem conta do hospício...


O filme é uma sucessão de cenas incríveis, desde o falso filme de terror no início; os créditos iniciais apresentados enquanto Jack prepara seus sons, a tela dividida em dois, dando espaço para a TV que traz nótícias relevantes para a trama (veja abaixo!); e então todas aquelas perseguições e diálogos ásperos e realistas e cenários sinistros; e aquela inacreditável sequência do Dia da Independência - coisa de tirar o fôlego!


Atenção ao corte na tela... marca registrada de DePalma!

O que mais encanta no trabalho de DePalma são os deliciosos detalhes em que ele insiste ir cada vez mais fundo. Se DePalma tem um fotógrafo no filme, os detalhes de revelação ou de enquadramento são importantíssimos na solução da trama. Em Um Tiro na Noite, o ofício de encontrar sons adequados e gravá-los é explicado, colocado à prova e preservado em uma última cena desesperadora (gostaria de escrever um tratado sobre esse final, mas é mais honesto simplesmente pedir para que o leitor veja com seus próprios olhos).

Ao vermos Um Tiro na Noite, fica a certeza: nunca houve um cineasta como Brian DePalma. Este é o primeiro filme para entender sua obra. Depois, vale a pena ir de Vestida para Matar e Dublê de Corpo, e então Femme Fatale e A Dália Negra. E aí chega a hora de Scarface, que ficará melhor ainda. E, finalmente, os filmes pop como Missão Impossível e Os Intocáveis ganharão uma nova dimensão, pode crer.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009 - 6 Comentários

Como assim?, você está pensando.


Pois é, esse é o título da notícia que o MSN Notícias deu no meio da semana passada.

























E alguém quesitona a relevância de uma notícia dessas?

Normalmente, BLOGIE não publica essas notinhas com especulações sobre qual ator vai fazer qual filme - em primeiro lugar, porque esse tipo de diz-que-diz-que é uma chatice (legal é ver o filme pronto); em segundo, porque na maioria das vezes é mentira. Mas desta vez abro um espaço simplesmente porque a notícia é uma obra irretocável. Leia a íntegra:

Natalie Portman que comece a se preparar de verdade. Em seu novo filme, a atriz fará cenas de sexo selvagem com a atriz Mila Kunis, de That 70s' Show.

As belas atuarão no filme Black Swan e de acordo com o blog ScriptShadow, as cenas não serão apenas sugestivas. "Neste filme, Natalie Portman e Mila Kunis fazem sexo agressivo e faminto", publicou.

A trama já é a mais esperada de 2010 e, pelo visto, a bela Natalie irá fantasiar os pensamentos dos garotos mais uma vez. A atriz já ficou nua em "Closer ? Perto Demais" e "Hotel Chevalier".

Falando sério: Natalie Portman protagonizará uma cena de sexo explícito com a Jackie de That 70s' Show? Certamente, não. Mas não importa. Deve rolar uma nudez. E a notícia do MSN, que certamente é obra de um fã obcecado da Srta. Portman (nada de errado nisso, aliás), merece um prêmio de sensacionalismo.

Na dúvida, vou ficar esperto em checar esse tal de Black Swan, assim que for lançado...

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009 - 6 Comentários

Entre as estreias do final-de-semana, nada de (500) Dias Com Ela ou Bastardos Inglórios, que bombam nos EUA e que só estrearão aqui em outubro. O que temos são exemplares da safra mais despretensiosa (e bem-vinda) do cinema brasileiro, ao lado de mostras do que há de pior e mais arrogante no cinema europeu. Na dúvida entre um e outro, sugiro ir no bom e velho filme americano médio, boy meets girl, de classe média, em Nova Iorque. Explico.

O filme brasileiro despretensioso é Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas. A coisa é simples, você conhece: Rui e Vani eram noivos há seis anos quando a série começou. A série era ótima, fez muito sucesso, ficou anos e anos em cartaz e rendeu um filme. E agora outro. Passado tanto tempo, é estranho reconhecer no casal com idade um tanto avançada algum indício "normal" de que se trata de um jovem casal de classe média sem filhos. Fim de temporada de sucesso é assim mesmo: também era estranho reconhecer nos seis milionários quarentões de Friends algo que lembrasse amigos solteiros dividindo apês em NYC. E foi bizarro presenciar as pra lá de balzaquianas amigas da Carrie agindo feito menininhas atrás do príncipe encantado em Sex and the City - O Filme (que cuspiu na cara do espírito da série). Enfim, Os Normais teve seu tempo, e, se você já tiver visto tudo no cinema e não houver mais opção, OK, vale para uma noite de domingo.

















Rui e Vani abraçam a nova geração...

O filme europeu metido a besta é O Anticristo, do Lars Von Trier, o diretor dinamarquês petulante que faz filmes com o único propósito de chocar e desconcertar a audiência. Esse não me pega. Não estou nem aí para a polêmica em torno do filme, que, "pessoal", trata de um casal se reconstruindo após a perda de um filho. No caminho, a coisa se torna um filme de terror, com cenas de sexo explícito, muito sofrimento, mutilação genital (depois que descobri que rolava isso no filme, não consigo ler uma linha sobre ele sem pensar "mutilação genital", com cara de nojo)... pra piorar a atriz, Charlotte Gainsbourg, ganhou prêmio em Cannes pela exposição. Minha opinião: um pouco de desconforto vai bem, mas não precisamos fazer parte do mundo bizarro de Von Trier, acredite.















Charlotte, a mocinha ingênua que deposita sua carreira nas mãos de um diretor maluco, e Von Trier, o diretor maluco. Pelo menos eles se divertiram com O Anticristo...

Como opção entre o mais normal e o mais bizarro, vamos de coluna do meio: Amantes, de James Gray, traz Joaquin Phoenix se dividindo entre Gwynethe Paltrow e Vanessa Shaw, numa crônica elegante em Nova York. Apartamentos bacanas, questões filosóficas comezinhas (bem mais amenas do que as do chato Von Trier) tratadas como centrais na vida (como acontece nas melhores casas), invernão pesado lá fora e um homem parado na encruzilhada da vida... é pra isso que o cinema existe. Isso é o que interessa. Esta é minha dica para o final-de-semana. Veja o trailer:




O que me chama a atenção - além da beleza de Gwyneth - é o talento de Joaquin Phoenix. Ele é um dos grandes atores surgidos nos últimos vinte anos, tem um carisma do tipo Marlon Brando. É um perturbado, claro. Em Amantes, é a nossa chance de conhecer o último trabalho de Phoenix antes de ele ter pirado, anunciado que encerrou sua carreira e ter se tornado uma sósia zumbi do Jim Morrison barbudo e gordo antes da morte. É impressionante, o cara está mal. Ele foi promover o filme no David Letterman e deu nisso:

(Eu juro, você TEM que dar uma olhada nisso!)



Depois dessa performance - merecedora de Oscar, Palma de Ouro, Kikito e muito mais -, você não vai assistir a Amantes?

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009 - 1 Comentários

A grande novidade do mundo do cinema é Bastardos Inglórios, o novo filme de Quentin Tarantino. Já foi amplamente noticiado que a saga de um grupo de americanos matadores de nazistas na 2ª Grande Guerra foi recebida de maneiras bem diferentes: uma, pela crítica, que malhou sem dó em Cannes e na imprensa americana; e outra, pelo público, que foi em massa ao cinema e fez de Bastardos o filme mais visto do momento nos EUA.

















Tarantino e seu 'Bastardos', no set:caso único de cinema autoral, cult e popular!

Enquanto aguardamos pela estreia no Brasil (só no meio de outubro...), recorro aos contatos. Angélica Sakurada, amiga deste blogueiro residente em Nova York, assistiu à empreitada de Tarantino e fez seu relato para os leitores do BLOGIE:


Tarantino rocks!
por Angélica Sakurada

Aqui estou derretendo com este calorão, mas gostaria de compartilhar a minha experiência do domingo: fui assistir a Inglourious Basterds. Caramba, nunca tinha ido ver um filme na estréia e tão aclamado por aqui como esse. Sessões a cada 1 hora no cinema perto de casa (tipo um UCI) completamente esgotadas, sendo que a sala de exibição se parece com um teatro da Broadway (tipo o Teatro Abril aí em SP), com mezanino e tudo para caber a galera toda. Imagem e som perfeitos.

Se vocês viram os outros filmes dele, este não é lá muito diferente. Entretanto o tema, principalmente aqui em Manhattan (monte de judeus), foi a sensação. Em algumas cenas específicas e no final, a galera aplaudia parecendo show de rock (!!!). Minhas impressões:

1. O tema é o de sempre: vingança pessoal, nada que Kill Bill e os outros não tenham trazido;

2. Brad Pitt: engraçado, mas nada de mais com aquele sotaque para quem viu ele em Snatch (que achei melhor). Papel secundário que nem no Burn After Reading.

3. Montagem: um show, como sempre.

4. Psycho: cenas memoráveis de sadismo puro (como sempre). Vi umas velhinhas na fila ao lado se contorcendo - heheh... e eu rindo, afinal é filme do Tarantino.

5. Trilha sonora: um show, como sempre.

Resumindo: não achei "A" obra de arte, mas vale a pena ver. Dá para se divertir bastante nas 2:30h de filme.


BLOGIE agradece à sua enviada especial, pelo texto e pela dica a seguir: pra garantir a experiência nova-iorquina completa, confira a entrevista do Tarantino num jornal independente ("de bairro, dos melhores e gratuito", segundo a Angélica). Foi a capa da semana: http://www.villagevoice.com/

Enquanto isso, vamos engolindo a ansiedade até a estreia abaixo do Equador...

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009 - 7 Comentários

Tentando achar alguma utilidade prática para o Twitter, comecei por lá uma série de pequenos textos que resumem clássicos do cinema em 140 caracteres (limite de cada post). A pegada é dar um tom de manchete de jornal sensacionalista (Notícias Populares e outras folhas policiais).


Eu escrevi algumas e meu amigo Andrei Polessi completou com outras. Estamos só esquentando... Veja o que saiu até agora e proponha a sua!

Caçula estudioso de família de imigrantes promove chacina e se torna chefe de quadrilha.

(O Poderoso Chefão)





Ricaço pega perversa e, como ela é a Julia Roberts e ele excêntrico, dá um banho de loja nela antes de resgatá-la em cavalo branco.

(Uma Linda Mulher)





Pai e filho seduzem loira misteriosa e fogem a cavalo.

(Indiana Jones e a Última Cruzada)





Carinha do interior rabudo conhece uma galera inserida que o convence a dar um pau em outra turma.

(Guerra nas Estrelas)





Pau mandado do Imperador dá pra trás no final.

(O Retorno de Jedi)

Obsessão: universitário seduz mulher mais velha e persegue sua filha.

(A Primeira Noite de um Homem)

É sempre bom tentar exercitar a concisão... e você? Quer tentar? Mande a sua sugestão!

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009 - 3 Comentários

No cinema, ao contrário da vida, a segunda vez quase nunca é melhor do que a primeira. A revista Empire garimpou as exceções e preparou uma lista com as melhores sequências de todos os tempos. A campeã foi Aliens, o Resgate.

Razoável. A lista também traz coisas desnecessárias como Toy Story 2 (por que não Shrek 2?) e A Supremacia Bourne, além de uma verdadeira bomba que é Superman 2 (aquele com os três bandidos que o Marlon Brando mandou pro espaço no primeiro filme).

Mas traz filmaços inquestionáveis, como O Poderoso Chefão - Parte II, O Império Contra-Ataca e Batman - O Cavaleiro das Trevas.

E ainda traz duas curiosidades deliciosas: o trash Uma Noite Alucinante, a sensacional continuação de Evil Dead (do Sam Raimi), e a singela continuação da história do jovem casal que se conheceu num trem em Viena, nove anos antes: Antes do Pôr-do-Sol, do Richard Linklater.























Ash e sua mão boba garantem um lugar para Uma Noite Alucinante na lista de melhores sequels...



Enfim, uma ótima lista, com suas obviedades, suas descobertas e sua polêmica...



Confira a lista da Empire:

1- Aliens, o Resgate

2- O Poderoso Chefão - Parte II

3- O Exterminador do Futuro 2


4- Toy Story 2

5- Batman - O Cavaleiro das Trevas

6- O Império Contra-Ataca

7- A Supremacia Bourne

8- Antes do Pôr-do-Sol

9- Superman 2 - a Aventura Continua

10- Uma Noite Alucinante



Agora, a lista de BLOGIE, em contagem regressiva:

10- Batman - O Retorno (com a Michelle Pfeiffer de Mulher-Gato!)

9- O Império Contra-Ataca


8- Batman - O Cavaleiro das Trevas

7- Antes do Pôr-do-Sol

6- Uma Noite Alucinante

5- Indiana Jones e o Templo da Perdição (pela cena do jantar com miolos de macacos!)

4- Indiana Jones e a Última Cruzada (porque é o melhor filme da série)

3- Kill Bill Vol. 2 (se bem que nem pode ser considerado uma sequência... mas é nota dez!)

2- 007 Contra Goldfinger (007 pode entrar na lista? Na minha, deve!)

1- O Poderoso Chefão - Parte II


Fato: qualquer lista que não bote o segundo Chefão, com seu Al Pacino cruel, consumido e indiferente, e seu Robert DeNiro em estado de graça, é simplesmente mal intencionada. Não é só a melhor sequência; concorre a melhor filme de todos os tempos (com o primeiro filme da série, claro).



















DeNiro como Don Vito Corleone: não ponha seu filme em segundo lugar, que ele pode responder com uma proposta que você não poderá recusar...


Mas lista legal mesmo deve ser a das piores sequências. É tanto abacaxi que tem que ser um Top 100...

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Enquanto a crítica malha Bastardos Inglórios, o novo filme de Quentin Tarantino, o povo adere em massa. No final-de-semana passado, a saga da milícia que quer matar Adolph Hitler estreou nos EUA e ficou em 1º lugar. Já arrecadou metade do que foi gasto na sua produção.

Ter Brad Pitt como protagonista certamente ajuda. Mas o fato é que Tarantino é o único diretor-autor desde Spielberg que realmente atrai público grande para seus filmes apenas pela sua grife.

No Brasil, só em outubro...

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sexta-feira, 21 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Divulgado o primeiro trailer de Avatar, a ficção científica de James Cameron que promete ser o grande lançamento de Natal do ano.

Cameron, vale lembrar, é o diretor por trás da série O Exterminador de Futuro, do excelente O Segredo do Abismo e do engraçadíssimo True Lies. E, claro, é o realizador de Titanic, o blockbuster dos blocksbusters. Um novo filme de Cameron é sempre um evento.

Uma olhada no trailer:



Agora, veja só: coisa estranha, não? Parece que Cameron está andando no perigoso terreno do tentar fazer algo novo, sob risco de cometer algo ridículo. Há vários exemplos de filmes que entraram nessa - por exemplo, Tron, da Disney, no início dos anos 80 e Capitão Sky, mais recente. Outros, como o Sin City de Robert Rodriguez, deram certo...

O site Defamer (http://defamer.gawker.com) já fechou sua opinião e botou a seguinte manchete no ar:

"O trailer de Avatar parece a reunião de família do Jar Jar Binks!"

Para mim, a frase do ano.

Avatar lidera, desde já, as apostas para mico do ano.

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Sexta-feira de tempinho modorrento (pelo menos aqui em São Paulo) e poucas estreias no cinema. A maioria, bomba garantida.

Pra se ter uma ideia, um dos filmes que entram em cartaz hoje é A Teta Assustada, um filme peruano sobre uma menina que tem uma batata na vagina. Enough said.

Outra estreia é Veronika Decide Morrer, com a Sarah Michelle Gellar (a nossa querida Buffy). Trata-se de adaptação do livro de Paulo Coelho... o resultado é uma mistura de Garota, Interrompida com aqueles finais dos episódios do He-Man, nos quais os personagens apareciam para soletrar com calma a moral da história. Enfim, como dizia Didi, é fria!

Mas há salvação para sua noite de sexta: entra em cartaz Se Beber, Não Case!, mais um exemplar de uma tendência cada vez mais comum: a das comédias sobre idas a Las Vegas. Aqui, uns amigos vão fazer despedida de solteiro na cidade dos cassinos, tomam umas drogas, saem do ar e, ao acordarem, não encontram justamente O NOIVO. O desafio é achá-lo a tempo do casamento. O mote desse filme, assim como o de tantos outros (Jogo de Amor em Las Vegas, Quebrando a Banca, etc), é aquela frase que vira e mexe alguém repete: "what happens in Vegas, stays in Vegas" - algo parecido com a nossa expressão brasileira "amor de praia não sobe a serra".



Veja o trailer de Se Beber, Não Case!

Apesar do elenco não muito conhecido, o filme fez bastante sucesso nos EUA e parece ser uma boa opção. O clima é de comédia amalucada - bizarrices como casamento com prostituta, o aparecimento de galinhas, um tigre e um bebê cruzam o caminho dos amigos. O mais absurdo de tudo é a aparição de Mike Tyson, como se viu no trailer. Comédia rasgada para ver com os amigos, e que deve fazer boa carreira em DVD.

Se nada disso lhe agradar, vale sempre buscar uma velha amiga na TV. No caso, Scarlett Johansson.





















Scarlett em O Diário de Uma Babá: como garota normal, ela é ainda mais atraente...
Hoje, às 20:05, no Telecine Premium, será exibido O Diário de uma Babá, um dos filmes menos badalados da beldade e um dos poucos em que ela foge do estereótipo de loira fatal (que, sejamos sinceros, está começando a cansar pela repetição). Aqui, Scarlett é uma moça de New Jersey que estuda em uma faculdade de primeira em NYC, mas, para pagar as mensalidades, trabalha como babá para uma família ricaça.
A graça está na protagonista (flagrada em um momento logo depois de sua aparição em Encontros e Desencontros e antes do hype de ter se tornado musa do Woody Allen e do Brian DePalma), num papel de girl next door bem interessante e bem interpretado. E também na sua antagonista e patroa, a mãe pouco cuidadosa, fútil e cruel vivida pela sempre ótima Laura Linney (na minha opinião, melhor atriz americana do momento). De quebra, Paul Giamatti faz o marido ausente de Laura, como um executivo escroto e sinistro. O filme começa como uma comédia, e aí vai engrossando, engrossando, e no final se sai algo bem amargo e interessante. O final é redentor, de acordo com a cartilha de Hollywood, mas nada que atrapalhe o clima criado antes. Um bom filme.


É isso. Se estiver mesmo a fim de ir no cinema, minha sugestão continua sendo o brasileiro À Deriva, por sorte ainda em cartaz em várias salas em São Paulo, Rio e outras capitais. (Leia a crítica de À Deriva, publicada na quarta-feira!)

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009 - 3 Comentários

Da série "bobagens interessantes" do You Tube: um camarada preparou essa compilação do Harrison Ford querendo sua família / sua esposa de volta em vários filmes - Busca Frenética, Força Aérea Nº 1, O Fugitivo, Uma Segunda Chance, Jogos Patrióticos e outros...

Dá só uma olhada:



Por favor, alguém devolva a mulher do cara!!!

O interessante é notar que os melhores filmes de Ford são aqueles em que ele não tem família nem esposa: a trilogia original Guerra nas Estrelas, American Graffiti, a série Indiana Jones, A Testemunha e o remake de Sabrina.

Entre outras razões, porque esses filmes não nos obrigam a aguentar chororô de marmanjo.

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quarta-feira, 19 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Não sem um grande atraso, mas se faz necessário um comentário sobre À Deriva, filme do brasileiro Heitor Dhalia, o mesmo de O Cheiro do Ralo. O filme traz como grande interesse a revelação da adolescente Laura Neiva, 15 aninhos, numa atuação que faz frente a gente de peso como Débora Bloch e o francês Vincent Cassel.

No filme de Dhalia, quem está "à deriva"? Acho que todo mundo, mas principalmente a jovem Filipa (Neiva), a filha mais velha de um casal em crise (Cassel e Bloch) que tenta se reconciliar passando uma temporada em Búzios. A pequena Filipa já está crescidinha o suficiente para entender que o casamento dos pais está indo pro vinagre, e também consegue "pescar" o surgimento de um novo interesse amoroso do pai. Ao mesmo tempo, ela vai esbarrando (assim mesmo, sem procurar nem pensar antes) nos ritos de passagem - um namorico aqui, confidências "além da conta" com as amigas, o assédio de homens crescidos... e a curiosidade sobre sexo.












Um componente a não ser descartado do filme é a tênue, confusa e não declarada tensão sexual entre pai e filha. O afeto que se manifesta entre eles é resultado da relação paternal, mas também dos impulsos que nascem em Filipa, bem como da natureza de adulto sexualmente ativo do pai. Isso fica claro através dos relacionamentos cruzados que se estabelecem entre pai e uma turista americana, e entre esta e um bar man, e por fim entre este e Filipa.

Entre os vários trunfos do filme, devem ser exaltadas a fotografia e a direção de arte: a geografia acidentada de Búzios rende um belo cenário, e os planos são sempre bonitos, sem ficarem com cara de cartão postal. Porque o foco da câmera de Dhalia é nas pessoas.

E aí entra o outro - e mais importante - feito de À Deriva: o elenco está todo perfeito. Os atores profissionais estão sensacionais: Cassel consegue transmitir afeto e um certo ar misterioso que impressiona e encanta. Bloch entrega uma grande performance, coisa de Oscar de atriz coadjuvante. Mas melhor ainda são as performances dos atores-mirins: tudo é muito espontâneo, o texto sai naturalmente, são atuações sinceras e realistas. A melhor de todas, claro, é a de Laura Neiva. Um grande feito para a menina - que é linda e tem um talento natural, uma promessa, sem dúvida! -, mas acima de tudo um grande feito para Dhalia, que consegue fugir da direção distante e cínica de atores (doença de boa parte do cinema alternativo atual, inclusive no filme anterior).


Veja o trailer de À Deriva!

Pra terminar, é interessante a caracterização da época: o filme se passa no começo dos anos 80, como as roupas, brinquedos, cortes de cabelo e carros entregam. Para uma geração que hoje predomina na população economicamente ativa (o pessoal de trinta e poucos a quarenta e poucos anos), isso já remete a um período de descobertas - e, como faço parte dessa geração, mergulhei de cabeça em À Deriva e ainda não consegui me recuperar.

Sinto-me como se tivesse jogado o "jogo da verdade" ontem com a minha turma, e ainda estou confuso com a montanha-russa a que as meninas de quinze anos nos submetiam. E, assim como a jovem Filipa, não entendo nada na porra do mundo dos adultos.

Nada mal esse tipo de cinema de reminiscências. Sem entrar em comparações, À Deriva faz par com outros grandes filmes de descobertas juvenis como Os Incompreendidos, Era Uma Vez na América e As Virgens Suicidas. Não é má companhia. A conferir.

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terça-feira, 18 de agosto de 2009 - 5 Comentários

O site Mr. Skin é uma referência em matéria de atrizes peladas. Ele traz como missão localizar, divulgar e analisar cenas em que há nudez feminina. E o faz com humor e muita ironia, fugindo do padrão pornô-seeker que infesta a web.

A última do Mr. Skin é uma lista com as 100 Melhores Cenas de Nudez do cinema.

BLOGIE analisou a lista - que é boa -, e mostra abaixo as suas preferidas. Comente!


94- Mischa Barton em Um Amor para Toda a Vida















O filme é fraquinho, mas Mischa dá show ao chamar a responsa e pegar o rapaz à luz do dia!


64- Naomi Watts e Laura Harring em Cidade dos Sonhos














Muito já se falou sobre as cenas da loira e da morena se pegando na cama e no sofá. Mas até agora ninguém conseguiu explicar o que significa o filme do pirado David Lynch...


50- Jennifer Aniston em Separados pelo Casamento




















Para chamar a atenção do maridão ocupado com esporte na TV e video-game, Jennifer apela para a já clássica brazilian wax, e desfila peladinha para delírio da torcida.


39- Cybill Shepherd em A Última Sessão de Cinema















De tão a fim de provar que é malandrinha e sair logo do zero a zero, a virginal Cybill resolve encarar uma festinha desinibida na piscina de um ricaço.


25- Kim Basinger em 9 e 1/2 Semanas de Amor




















Clássico absoluto do pornô-soft, 9 Semanas e 1/2 continua surpreendendo por duas coisas: 1) pela pretensa aura cool a que aspirava, revelando-se hoje pura breguice; e 2) pela beleza de Kim Basinger, em cenas pra lá de generosas na mesa, no chão da cozinha, na cama, na sacada, no metrô... não é de se admirar que Mickey Rourke tenha se tornado um pervertido.


13- Monica Bellucci em Malena













Monica Bellucci entra para a história como Malena, a mulher mais bonita da Itália em guerra. Dali para a frente, ela seria sinônimo de mulher muito, mas muito gostosa. O moleque da foto pode atestar.


20- Jennifer Connelly em Um Local Muito Quente




















Que Jennifer Connelly foi a ninfeta nº 1 dos anos 80, todos sabem. Ela enfeita Labirinto, Rocketeer e várias outras fantasias juvenis. O que poucos conhecem é Um Lugar Muito Quente, um filmeco vagabundo onde, sem razão aparente, Jennifer e uma amiga passam muito tempo pegando uma cor peladas...


13- Shanon Elizabeth em American Pie




















American Pie não tem nada de mau. O filme é engraçado, traz uns comediantes talentosos (o abobalhado Jim e o escroque Stiffler) e, cereja do bolo, tem Shanon Elizabeth como a intercambista húngara que quer transar de qualquer jeito com Jim. Perfeitamente normal, diria o pai dele.


9- Alyssa Milano em O Abraço do Vampiro






















Alyssa teve seu momento, em meados dos anos 90. Toda santinha, estilo "menina da Capricho", era o sonho de consumo da molecada. Do nada, quis provar que era atriz de verdade se metendo em um filme horrível que tinha vampiro no meio, cujo único objetivo era exibir a bobinha pelada. Hoje, é sucesso nos downloads da vida.


8- Eva Green em Os Sonhadores












O fato de Os Sonhadores, do Bertolucci, ser um bom filme, é até esquecido. Se ele é lembrado, é por ter revelado em grande estilo Eva Green, a mulher que quase fez James Bond virar um babaca. Aqui, ela inebria os sentidos do irmão e de um estudante americano.


6- Kelly Preston em A Primeira Transa de Johnathan













Hoje famosa por ser esposa do John Travolta, Kelly foi musa teen nos anos 80. Esta comédia - com o clássico tema do moleque empenhado em perder a virgindade - era até acima da média. Aliás, como Kelly estava acima da média da mulherada de peito caído que populava os Porky's da vida...


1- Phoebe Cates em Picardias Estudantis
















Digam o que quiserem. Eu concordo com o Mr. Skin: a fantasia definitiva do cinema é Phoebe Cates emergindo da piscina e andando em direção à câmera, uma névoa fina de água caindo em volta dela, as mãos agindo rapidamente ao tirar a parte de cima do biquíni vermelho. A cena dura pouco, mas o suficiente para o irmão mais velho de sua amiga prestar uma homenagem infame.

A lenda garante que as cópias de VHS do filme nos EUA tiveram que ser recolhidas, pois ficavam estragadas com tantas rebobinadas rápidas e repetições em slow-motion...

Confesso que, lá pelos idos de 1990, tive o prazer de estragar minha própria fita gravada em EP. Fico tranquilo em saber que as novas tecnologias estão aí para guardar o nobre legado de Phoebe.

P.S.: para ver a lista completa, vá ao Mr. Skin: http://www.mrskin.com/top100#10-1.

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009 - 4 Comentários

O diretor mexicano Alfonso Cuarón é famoso por E Sua Mãe Também, com Diego Luna e Gael Garcia Bernal, o filme que o tornou uma certa autoridade em juventude - e que o qualificou para dirigir um dos filmes da série Harry Potter.

Mas alguns anos antes, lá em 1998, ele dirigiu um belo filme, baseado em um dos grandes romances de Charles Dickens, que não ganhou muitos louros da crítica nem público de blockbuster, mas que vale a pena conhecer: Grandes Esperanças, com Ethan Hawke e Gwyneth Paltrow.

















Quando assisti ao filme, fiquei impressionado com a força de seus personagens e com a criação do universo pessoal de Fynn, o jovem artista que tem sua vida inteira atormentada por seu amor de infância, Estella. Achei que tinha um quê de Dom Casmurro, e depois fiquei sabendo que era um romance do Dickens, e hoje suspeito que Machado tenha arrancado alguma inspiração de Grandes Esperanças.

Mas bacana mesmo é uma cena em que Estella (Paltrow) aparece do nada na casa de Fynn, pede para ele a desenhar e arranca a roupa. E irrompe a música da banda inglesa Pulp: Like a Friend. Que som!!!

Pra inspirar uma segundona modorrenta, uma trilha de grandes esperanças. Aproveite!



Veja o vídeo de Like a Friend, do Pulp, trilha de Grandes Esperanças.


Boa semana!

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sábado, 15 de agosto de 2009 - 3 Comentários

Vivemos um ótimo ano para efemérides roqueiras: outro dia, foi o aniversário de 40 anos da capa de Abbey Road, dos Beatles. Hoje é aniversário de algo ainda mais importante.

Há exatos 40 anos, começava o maior festival de rock de todos os tempos: Woodstock. Pode medir como quiser: não há Rock In Rio ou Lolapalooza que rivalize. Simplesmente se inventou ali o conceito do mega-festival. A falta de preparo para a organização, que resultou em gente passando fome, um lamaçal terrível, som baixo e sequência de shows bagunçada, foi um brilho a mais. É notório que o resultado financeiro da iniciativa foi desastroso. Mas falamos de um mito hippie - não poderia ser diferente.

















O que interessa, passados todos os anos e as utopias hippies e o efeito da maconha vagabunda, são duas coisas:



1- A música:

Entre fiascos entorpecidos - como o show da Janis Joplin - e apresentações históricas - como Jimi Hendrix fechando o festival desconstruindo o hino americano -, rolaram shows inacreditáveis de, entre outros, Jimi Hendrix, The Who, Santana, Credence... e Crosby, Stills & Nash.

Eu descobri esse incrível trio pela sua apresentação de Woodstock. Tudo está escuro, e eles testam o som, e ninguém sabe quem vai tocar (a coisa, repito, era uma zona). E um fala para o outro ao microfone: "diga para eles quem somos nós". E ninguém fala, e eles começam a esmurrar seus violões, e algum locutor oficial anuncia: "senhoras e senhores, recebam Crosby, Stills... e Nash" - três caras famosos por suas bandas anteriores (Byrds, Bufalo Springfield e The Hollies), mas que faziam ali apenas seu segundo show como banda. E o povo fica louco. E eles entram cantando Suite: Judy Blue Eyes, que traz as harmonias mais perfeitas do mundo. Que som! E ele está gravado... Que sorte!


A música é longa, mas é perfeita... deixe carregar o arquivo, assista e depois me agradeça!


2- O Filme:

Agora, veja: o simples fato de alguém ter ficado por lá com câmeras, filmando tudo, já é suficiente para garantir a entrada do cara no reino dos céus. Afinal, o registro do CSN nascendo é nada menos do que histórico, e o mesmo pode ser dito de vermos o Who fechando sua apresentação com We're Not Gonna Take It, e de vermos Joe Cocker imortalizando sua versão de With a Little Help From My Friends, dos Beatles (versão que ficou famosa pela segunda vez como abertura de Anos Incríveis), e de tantos outros momentos.

Mas não foi só isso. O filme Woodstock: 3 Dias de Paz, Amor e Música, lançado um ano depois, em 1970 - e vencedor do Oscar de melhor roteiro -, é um documentário maravilhoso. Tem roteiro, tem recursos, tem senso de humor. Mostra velhos reacionários protestando contra os cabeludos sujos que infestaram a região. Mostra suas esposas velhinhas relativizando e dizendo que gostam do astral dos hippies. Mostra a preparação capenga do festival, e entrevista seus organizadores - uns meninos! -, desfilando seu amadorismo e seu deslumbramento com a dimensão que a coisa adquire.

Mostra a horda do bem chegando, e depois entrando de graça, e então se lambuzando na lama, se banhando no rio, dando uma transadinha no mato... e então constatando que a vida hippie não é fácil: não há banheiro, não há comida, não há onde dormir... veja um trecho emblemático:



E o resultado, como se vê, é muito bonito: a turma realmente acreditava naquilo tudo. É de uma inocência comovente. É tudo tão sincero e espontâneo, que não há como não se fascinar com aquilo. Não sei se foi por acaso, mas as duas ausências mais sentidas de Woodstock - Bob Dylan e Jim Morrison - também ajudaram na ingenuidade, pois é notório que Dylan e Morrison são cínicos, e suas escalações não ajudariam muito. Melhor ficar com o banguela Richie Haven e sua técnica de violão invejável, com Joan Baez rezando no meio de sua apresentação e com o doidão Hendrix declamando seu amor por sua guitarra, por seus companheiros de banda, pelos bravos e poucos sobreviventes que aguentaram ficar por lá até o terceiro dia para vê-lo.

A edição do filme é ágil o suficiente para tornar um documentário de quase três horas em um programa irresistível. É realmente uma obra-prima do cinema. Virou ícone. É, ao lado de Uma Verdade Inconveniente, o único documentário que virou um sucesso de bilheteria e um fenômeno pop.

Não sei dimensionar quantas vezes já assisti Woodstock. Talvez umas vinte. Sei que verei muitas outras.



3- As pessoas:
















Para os cínicos de plantão, vale dizer que não, o sonho não morreu. O casal que ilustrou os cartazes do filme e a capa do disco (foto acima) continua junto até hoje. São quase-velhinhos felizes, por terem vivido e protagonizado a História. Porque um dos grandes acertos do filme foi botar como protagonista o público do festival, simbolizado pelo casal, e não os grandes artistas que tomaram o palco. Woodstock foi o todo. Pra quem viveu aquilo, foi tudo.





P.S.: acabam de lançar uma versão comemorativa e estendida do filme. A caixa se chama simplesmente Woodstock, custa R$ 49,90 no Submarino e é um item de colecionador. Há montes de material inédito, muitos depoimentos dos protagonistas do festival e, claro, tudo aquilo que já estava na primeira versão. Imperdível!

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sexta-feira, 14 de agosto de 2009 - 8 Comentários

Hoje a agenda está recheada de estreias. Nada que vá mudar o curso da história, mas há coisas para todos os interesses. Escolha o seu programa!

1- Arraste-me para o Inferno: esse é pra quem conhece o terror trash e engraçado de Sam Raimi. Este respeitável cineasta que dirigiu a série Homem-Aranha e que inventou o slash movie com Halloween alterna esses projetos com seu brinquedo preferido: fazer filmes de terror tão excessivos que fazem rir. O auge desse exercício é Uma Noite Alucinante, de 1987, no qual Bruce Campbell enfrenta as "criaturas do limbo" em uma cabana no meio da floresta. Árvores, pessoas e até a mão do cara ficam possuídas pelo demônio. O terror vem em forma grosseira e que se alterna entre o sangue de mentira de Sexta-Feira 13 e o pastelão de Os Três Patetas. Se você se diverte com isso, programão.


Veja uma cena de Arraste-me para o Inferno e você entenderá tudo...

2- Confissões de uma Garota de Programa: essa é a pegadinha do final-de-semana. Soderbergh escalou a porn star Sasha Grey para viver uma prostituta -e a fotografa como se fosse uma Holly Golightly (a personagem de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo) do século 21. O filme, no entanto, não traz nada de picante - a despeito do nome sensacionalista em português - é uma falação sem fim da menina tratando da sua vida pessoal e profissional. Idas ao analista, telefonemas, etc. Eu nunca - repito, NUNCA - acheu qualquer graça emqualquer dos filmes de Soderbergh, exceto naquelas escancaradamente comerciais (Onze Homens e um Segredo, etc). Ele deveria ficar na dele.

3-Brüno: pra falar a verdade, não me agrada nada a ideia de ver Borat novamente. Uma vez só já está bom. Porque Borat não é cinema. É provocação, é ultraje, é sociológico, é até televisão - mas não é cinema. Cinema tem que ter roteiro, direção, fotografia, esses cuidados que fazem a gente ficar embasbacado ao ver um filme numa tela enorme. Pra ver o humor de Sacha Baron Cohen, posso ver na TV, depois do Casseta & Planeta. Pois bem, Brüno é a nova investida do humorista sem noção, desta vez encarnando um gay enfronhado no mundo fashion. As pegadinhas do Mallandro caras a Cohen se sucedem e tal e coisa, mas não vale a pena sair de casa pra ver isso.

4- Tempos de Paz: Daniel Filho é um grande diretor, como o sucesso de seus filmes (Se Eu Fosse Você, por exemplo) mostram. Aqui ele deixa a veia mais pop e investe em algo mais sério. Dan Stulbach é o imigrante polonês que vem para o Brasil durante a 2ª Guerra Mundial. Sem muita explicação, ele é jogado numa sala escura, onde se submete a um interrogatório liderado por Tony Ramos. Daí a coisa vira teatro: duelo entre dois grandes atores. A conferir.


Veja o trailer de Tempos de Paz.

Há outras estreias também, mas de menor destaque.

Pra falar a verdade, só o filme brasileiro me tiraria de casa hoje. O terrir de Sam Raimi também me agrada, mas jamais convenceria a patroa a me acompanhar. É uma balada nerd demais, só vale a pena encarar se for com um bando de amigos devidamente alforriados.

É que a concorrência é desleal. O Canal Futura vai exibir Jules e Jim, do favorito deste blog, François Truffaut, às 23:30. Mesmo tendo o DVD e tendo visto o filme umas três ou quatro vezes, há aquele sentimento de obrigação de prestigiar o programador que optou por exibir o filme. Que é uma homenagem à vida, à amizade e à mulher (no caso, Jeanne Moreau) irresistível.


Quem gosta de cinema tem que conhecer... é só questão de QUANDO. Veja o trailer e cheque se você topa encarar a empreitada HOJE. Tem que estar no clima (falado em francês, P&B, trama passada na década de 1910...). Não obstante, vale dizer que não há muito papo-cabeça: Truffaut é o cineasta mais sincero e menos cínico de todos os grandes diretores!

A recuperação de uma gripe está me facilitando a escolha. Daniel Filho fica para amanhã.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009 - 8 Comentários

Lembra daquele filme Um Dia de Fúria, com o Michael Douglas? Ele é um engenheiro normal, indo para o trabalho. Está preso no trânsito. Um calor infernal. O cara suando. Até que ele simplesmente abandona o carro no meio do congestionamento e sai andando a pé.

Daí pensamos: o cara pirou! Mas isso era só o começo da ladeira da loucura: ele percorre uma via-crúcis por Los Angeles, lidando com trombadinhas, imigrantes asiáticos, criminosos perigosos, lanchonetes de fast-food, malucos neonazistas, policiais, velhinhos abastados jogando golfe e o tipo mais difícil de lidar: a ex-esposa. O saco cheio do cara - e a sua demência - vão explodindo gradualmente, como mostra a evolução das suas ferramentas: um canivete, um taco de baseball, armas de fogo, até a coisa chegar ao clímax absurdo de vermos Douglas explodir uma obra pública (que causava o trânsito do início do filme) com uma bazuca portátil (tipo Rambo II)!


Veja Michael Douglas passando do último retorno em Um Dia De Fúria!

Até hoje, não sei analisar se o filme é bom ou não. Eu gostei. O que sei é que foi uma experiência catártica ver Douglas acertando as contas com o mundo. Lembro de ter chegado na faculdade no dia seguinte (o filme tinha sido exibido na Tela Quente) e todo mundo só falava disso.

Pois bem, hoje é o meu Dia de Fúria. Acordei mal da garganta. Mal consigo falar. O carro, quebrado. A agenda de trabalho, uma bagunça. Daí penso em aproveitar para subir uns posts daqueles que estou devendo faz tempo, e o fuckin' Blogger resolve parar de subir fotos. Ele simplesmente desistiu. Fica lá girando, girando... e nada.

Ah, se eu tivesse uma bazuca como a do Michael Douglas - e se o Blogger fosse um alvo fácil, como uma ponte...

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terça-feira, 11 de agosto de 2009 - 0 Comentários

Trecho da entrevista dada à Ilustrada (Folha de São Paulo) pelo diretor Michael Mann, sobre John Dillinger, o personagem principal do ótimo Inimigos Públicos. Johnny Depp faz o papel.

"Meu interesse é por pessoas, por seres humanos, não pelo que Edgar J. Hoover, o diretor do FBI de 1924 a 1972, chamava de o Bem e o Mal. O que movia Hoover era uma ambição monomaníaca que não tinha mais nada a ver com um sentido objetivo de justiça. Eu creio que essa maneira de ver o mundo em categorias bem definidas é um pouco ingênua. Os indivíduos têm motivações complexas. Já conceitos tais como a verdade, a justiça, reduzidos a noções simplistas à moda americana, são úteis apenas para as HQs.

Dillinger foi um ser humano em toda sua complexidade. Eu não vejo nele nem um monstro, nem um sociopata. A vontade dele era ser popular, ser amado pelas pessoas, encontrar o grande amor... Ele não era alguém sedento de sangue. Quando foi acusado de ter intencionalmente matado um tira em Indiana, ele sempre alegou ser inocente. De fato, ele matou o tira, mas no calor da ação. Ele não pretendia ser o Super-Homem. Mesmo quando estava no auge da celebridade e era manchete de jornais, ele continuou a preparar os assaltos com sobriedade e democraticamente, em acordo com seus cúmplices. Ele nunca se deixou cegar por sua atividade e pela celebridade de suas ações, sempre manteve cabeça fria. Um personagem de cinema deve guardar a mesma complexidade que uma pessoa de verdade. Os personagens unidimensionais me entediam."

Quem viu o filme pode atestar: ele teve sucesso na sua abordagem. Cinema de gente grande.

Para ler a matéria completa:

http://ilustradanocinema.folha.blog.uol.com.br/

Aqui vai o trailer.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009 - 0 Comentários

Ainda em homenagem ao grande John Hugues, o inventor dos anos 80 como gostamos de lembrá-los, sugiro o vídeo abaixo para começar bem a semana:


Curtindo a Vida Adoidado: Mathew Broderick fecha a Parada de Chigago cantando Twist and Shout, dos Beatles.

Salve Ferris! Salve John Hugues!

Boa semana a todos.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Morreu John Hugues.

Quem?




















Conto uma história: um jovem publicitário/escritor de Chicago chega a Hollywood em 1982 e consegue vender um de seus contos para o cinema. Escreve o roteiro e imagina ter um grande sucesso nas mãos: a história da viagem de uma família cruzando o território dos EUA, de costa-a-costa, com coisas bizarras acontecendo ao longo do caminho. O ponto-de-vista adotado era o do filho adolescente. Mas o estúdio havia escolhido Chevy Chase, um dos maiores comediantes da época, para estrelar o filme, e o roteiro foi todo mudado, transferindo o foco para o pai da família.


O filme era Férias Frustradas, que abriu oficialmente a década de 80 como a era da "comédia família". Era o programa perfeito para noites de sábado no sofá, pai, mãe, filhos e cachorro se entupindo de pipoca, assistindo a filmes "para toda a família", naquela incrível invenção que era o vídeo-cassete.



















Chevy Chase e família: programão nos anos 80 era ver Férias Frustradas - e suas continuações - em vídeo...

O jovem roteirista não parou de acreditar no potencial de suas histórias baseadas em adolescentes. Aproveitou o sucesso de Férias Frustradas e se tornou diretor. Escreveu e dirigiu, durante os três anos seguintes, Gatinhas e Gatões, O Clube dos Cinco, Mulher Nota Mil e Curtindo a Vida Adoidado. De quebra, escreveu e produziu A Garota de Rosa-Shocking e Alguém Muito Especial.

Esse foi John Hugues.

Sim, é isso mesmo: todos esses filmes que cansamos de ver na Sessão da Tarde - e que são parte essencial do imaginário pop dos anos 80 - são obra de um único cara, que produziu tudo isso de uma vez!


Veja o trailer de O Clube dos Cinco!

Desnecessário dizer que o homem era um gênio.

Depois de satisfeita sua fase teen, Hugues voltou à comédia familiar e perpetrou outra obra-prima: Antes Só do que Mal Acompanhado, com Steve Martin e John Candy (1987). Arrancou do gordão Candy a melhor atuação da sua vida e fez dele um astro. A parceria entre Hugues e Candy voltou um ano depois, em Quem Vê Cara Não Vê Coração: outro sucesso.
















Steve Martin e John Candy: símbolo de uma geração de comediantes brilhantes que chegava ao auge.

E, em 1990, Hugues fechou a década de 80 escrevendo e produzindo o maior sucesso daquele ano e de sua carreira: Esqueceram de Mim.

Depois disso, ele se isolou em uma fazenda e a última foto que se viu do diretor foi em uma visita ao seu filho, em 2001.

John Hugues morreu ontem, aos 59 anos, de ataque cardíaco. Mas isso é papo chato. Vamos lembrar do que ele nos ensinou, através do herói de uma geração, Ferris Bueller:


Esta é parte da primeira e da segunda cena de Curitndo a Vida Adoidado, de 1986.

Como epitáfio, sugiro a frase abaixo, escrita por Hugues e proferida por Bueller, no início e no final de Curtindo a Vida Adoidado:

A vida passa rápido demais. Se você não parar para dar uma olhada de vez em quando, pode perdê-la.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Para atiçar os sentidos e entrar no clima da espera por Funny People, do Judd Apatow, vale dar uma relembrada em O Rei da Comédia, outro grande filme que examina o combustível sinistro da comédia.

Robert DeNiro é o comediante medíocre que sequestra o próprio ídolo (Jerry Lewis, no papel mais ou menos dele mesmo) para tentar roubar um pouco de sua popularidade. Dirigido por Martin Scorsese, não foi compreendido quando do seu lançamento (como parece estar acontecendo com Funny People), mas é uma obra-prima.


Veja o trailer original de O Rei da Comédia, com Robert DeNiro e Jerry Lewis!


É um filme sobre comédia, mais do que uma comédia propriamente dita. É coisa rara e genial. É difícil achar, mas vale a pena conhecer!Qualquer dia, publico um post sobre o tratamento indecente que as comédias americanas têm recebido no Brasil. Pinneapple Express e Role Models, dois genuínos e fortes representantes do gênero, nem chegaram aos cinemas. Saíram direto em DVD e sem alarde. Outros filmes são adiados e adiados e adiados. É triste a situação. Espero que Funny People receba logo seu nome em português e tenha sua data de lançamento confirmada. Para breve.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2009 - 1 Comentários

Mais uma "informação" relevante chega às páginas de cinema dos principais portais de informação. Quem passeou por elas durante a tarde de hoje viu a seguinte chamada:

"Vida de criadora da Daspu deve ganhar adaptação para cinema"

Incrível, não? Tanto filme pra se ver no mundo, e nêgo falando sobre um filme que pode ser que venha a existir, sobre a criadora da grife de roupas criadas por prostitutas que plagiaram o nome da famosa loja das peruas ricas...

Interesse do cinéfilo no assunto: zero.

De importante na minha vida durante as últimas 48 horas, apenas o fato de que a TVA abriu (sei lá por qual motivo, sei lá por quanto tempo) os canais Telecine na minha casa. Estou aproveitando. Já assisti a dois filmes que não conhecia com a Amy Adams em início de carreira (o péssimo Segundas Intenções 2 e o pior ainda A Última Noite de Solteiro).














Especulação sobre Daspu x filmes da Amy Adams na TV: não sei você, mas fiz minha opção sobre o que realmente interessa.


Obviamente, tenho uma certa tara em curtir trabalhos iniciais de gente talentosa e bem sucedida. E outra, mais preocupante, pela Amy Adams.

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terça-feira, 4 de agosto de 2009 - 5 Comentários

A estreia mais esperada do ano, pelo menos para mim, é Funny People, comédia dramática (que raio de definição é essa? Chegaremos lá em um minuto) que chegou aos cinemas americanos neste último final-de-semana, ficou em primeiro lugar, mas não parece ter empolgado muito em termos de crítica e bilheteria.

Ainda assim, aguardo com muita apreensão pelo filme. Ele é dirigido por Judd Apatow, o diretor de Ligeiramente Grávidos e O Virgem de Quarenta Anos. O cara é o mentor do atual momento de comédias - e comédias românticas! - que estão enterrando aqueles filminhos da Sandra Bullock e da Meg Ryan... são as comédias românticas de macho. Palhaçada e papo sério, assuntos leves e pesados, abordagem sensível e ao mesmo tempo grosseira - tudo aquilo que só a sua turma de amigos mais chegados consegue ser, de preferência num bar.



















Funny People é o filme mais pessoal de Apatow. A história trata de um comediante que, do nada, se torna um milionário, e que precisa continuar a achar graça na vida. É mais ou menos a situação do diretor. De diferente, uma doença grave entra para dar uma reviravolta mais crível no comportamento, mas o componente de sofrimento e auto-humilhação que serve de combustível para fazer rir está ali...

Escalado como alter-ego do diretor, ninguém menos do que Adam Sandler, o maior comediante americano (rivalizando com Jim Carrey, OK, mas prefiro Sandler). Nos papéis da mulher e das filhas do tal comediante, a própria mulher (Leslie Mann, ela mesma uma ótima atriz e comediante) e as filhas de Apatow! Cenas das crianças filmadas em casa pelo próprio diretor anos atrás entram no filme. Uma filmagem feita por Apatow de Sandler quando ambos eram colegas de apartamento antes da fama também chegam ao filme... vida real e ficção se misturam. É a desconstrução da comédia, metalinguagem pra dar nó na cabeça!

Tem mais: completa o elenco Seth Rogen, a grande novidade da comédia neste século - o gordão maconheiro que estourou com Ligeiramente Grávidos e que tem enfileirado sucessos de bilheteria. E ainda o resto da "máfia" de Apatow, à frente Jonah Hill, um cara ainda mais balofo e mais boca-suja do que Rogen.

O que mais dizer? Aguardo a chegada de Funny People no Brasil como espero pelos novos lançamentos do Woody Allen, do Scorsese ou do Brian DePalma. É isso. Por enquanto, ficamos com o trailer:


Adam Sandler e a gangue de Judd Apatow: combinação perfeita...

Agora é esperar!

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009 - 2 Comentários

Um minuto e quarenta e oito segundos. Esse é o tempo que Paul Simon leva para fazer uma obra-prima. Esta é April Come She Will, da dupla Simon & Garfunkel, uma das músicas mais lindas de todos os tempos:


As cenas que acompanham a canção são do filme A Primeira Noite de um Homem, de 1967, provavelmente o maior ícone do cinema americano dos anos 60.

Mike Nichols (que se mantém relevante, tendo feito filmes como Uma Secretária de Futuro e Closer - Perto Demais) ganhou o Oscar de melhor diretor. Dustin Hoffman virou astro. Anne Bancroft se tornou uma lenda, no papel de Mrs. Robinson. E Mrs. Robinson, a música, ficou tão famosa quanto.

E não podemos nos esquecer de Katherine Ross como Elaine Robinson, a coisa mais atraente daquele final de década. É ela que embeleza o vídeo acima.

É tanta coisa boa que os dois minutinhos de April Come She Will até passam meio despercebidos. Injustiça. Fica como a música da semana.

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sexta-feira, 31 de julho de 2009 - 5 Comentários

Nada de novo no cinema (o filme a ser visto ainda é Inimigos Públicos, de Michael Mann). A pedida de hoje está na TV, e é uma raridade: Serpico, um dos grandes filmes dos anos 70 - e um dos que se perderam com o tempo (por exemplo, nunca foi lançado em DVD no Brasil). O filme será exibido na TCM, às 22:00.
























Pacino como Serpico: ícone dos anos 70 (esta foto está na parede do quarto de Tony Manero, personagem do John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite).

O filme, dirigido por Sidney Lumet, traz Al Pacino como Frank Serpico, o policial dos sonhos dos liberais: um cara normal, fazendo seu trabalho e, que coisa!, incorruptível. Em Nova York, na década de 70, bem antes do "tolerância zero" - a cidade era um lixo. Como é um cara normal, e como estamos nos anos 70, ele anda barbudo e vestido feito um hippie, o que faz com que tenha mais facilidade para arrumar umas mulheres e fazer amigos, mas também faz com que seja visto como uma excrecência por seus colegas e superiores. Trabalhando à paisana, começa a ter sucesso nas suas missões de deter traficantes e outros bandidos.


Mas o problema aparece quanndo ele recebe seu primeiro envelope de dinheiro: a princípio, não entendendo tratar-se de suborno, leva para os colegas, depois para os chefões; depois, contrariando os conselhos de todos (ficar com a grana e fechar o bico), Serpico leva o caso às mais altas instâncias, provocando a ira de toda a corporação. Um tiro na cara é o mínimo que ele vai levar. A história é real, e o filme causou grande sensação quando do seu lançamento.


Veja o trailer de Serpico!

Sua jornada quixotesca ilustra a morte do sonho hippie e prenuncia a era Reagan: o sonho dourado de "uma vida melhor no futuro", "com gente fina, elegante e sincera, com habilidade de dizer mais 'sim' do que 'não'", estava acabando. Anos depois, John Lennon seria assassinado na mesma Nova York de Serpico e os EUA seriam jogados numa era de conservadorismo que acabaria, eventualmente, dando um jeito no problema da violência em NYC - mas à maneira de Rudy Giulliani, na base da porrada.

Bem diferente do jeito sonhado por Serpico, Lumet e o público idealista do início dos anos 70.

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quinta-feira, 30 de julho de 2009 - 6 Comentários

Na VIP deste mês, que acaba de chegar às bancas, você encontra uma matéria que traz as melhores cenas de sexo do cinema. O autor da matéria, Carlos Messias, entrevistou uma turma que entende do assunto: diretores de cinema como Bruno Barreto e Zé do Caixão, produtores da indústria pornô nacional e críticos de cinema de maior ou menor credibilidade (Sérgio Rizzo, da Folha de São Paulo, representa o primeiro grupo; este blogueiro segura orgulhosamente a bandeira do segundo). Essa turma votou e acabou elegendo clássicos do cinema sério com sacanagem, como O Império dos Sentidos e O Último Tango em Paris, entre outros.

Os filmes em que votei aparecem na matéria (fico feliz que meus votos tenham dado espaço nela para dois dos filmes!) que, no mais, ficou ótima. Compre o seu exemplar e confira!

Aproveitando, BLOGIE comenta os filmes que fornecem as suas cenas de sexo preferidas.

Cinema e sexo: uma reflexão rapidinha

Arte e sexo sempre conviveram no cinema, mas raramente há equilíbrio nessa relação. Quando a sacanagem é boa, o filme deixa a desejar; quando o diretor tem uma verdadeira obra-de-arte nas mãos, ele acaba afinando e amenizando as cenas de sexo, deixando aquela sensação de coitus interruptus.

Assim, as melhores cenas de sexo do cinema vêm de poucos e bons filmes, que vão do gênero pornô soft (aquele esquema Cine Privê, da Band) ao filme de arte, passando, é claro, pelo filme de sacanagem escancarada.

Aqui estão as eleitas do BLOGIE:


5- Nove Canções:















A história de amor entre um jovem inglês e uma estudante americana fez muito barulho pelas cenas de sexo explícito (foi o primeiro filme com cenas desse tipo a conseguir o certificado de exibição no circuito de cinema "normal" na Inglaterra), mas é um ótimo filme. A cena de sexo oral transborda sinceridade, parecendo muito mais real do que a coisa coreografada e sem graça de Brown Bunny, por exemplo. E, tudo isso, com trilha sonora de luxo: Primal Scream, Franz Ferdinand e outras bandas acompanham o rala-e-rola do casal. Curiosidade: a atriz Margot Stilley tentou usar um nome alternativo para não ficar marcada pelo filme, mas não teve jeito.


4- Deite Comigo:

Esse filme canadense (Lie With Me, no original) promete um Cine Privê e entrega muito mais do que isso. A atriz Laura Lee Smith faz um belo e desinibido trabalho. É o melhor representante da escola pornô soft, que traz representantes notáveis como Nove e Semanas e Meia de Amor, Corpo em Evidência e O Abraço do Vampiro, que cumpriram gloriosamente a tarefa de fazer Kim Basinger, Madonna e Alyssa Mylano tirarem a roupa.


3- Ata-Me:














Não há sexo explícito nesse grande filme de Pedro Almodóvar, mas Victoria Abril e Antonio Banderas passaram bem perto disso em três intensos minutos de sacanagem. Banderas é o fã obcecado que sequestra sua atriz pornô favorita (Abril) com o objetivo de fazê-la se apaixonar por ele. Depois de muito esforço e humilhação, ele é recompensado. E o espectador também.


2- Rio Babilônia:




















Um clássico formador da juventude brasileira, desde 1982. O filme bandido de Neville D'Almeida é impregnado de suor, cerveja e cocaína. E sexo. A montanha russa que passeia pelos morros, praias, festas e roubadas do Rio termina em grande estilo na piscina do casal milionário que promove um sexo a três com um estranho que acabara de conhecê-los. Denise Dumont, símbolo daqueles tempos de sexo livre e descompromissado, protagoniza a infame cena, durante a qual a coisa de fato esquentou e, como pode ser visto na tela, o ator Joel Barcelos não resistiu à visão da moça caindo de boca em Pedrinho Aguinaga e aproveitou para se divertir de verdade. Nenhum dos atores envolvidos nega o incidente.


1- New Wave Hookers:

























Filme de sexo bom ainda é o pornozão declarado. E o melhor de todos é o lendário New Wave Hookers, com as duas grandes estrelas pornô dos anos 80, Ginger Lynn e Traci Lords. Traci, descobriu-se depois, era menor de idade quando das filmagens, e o filme foi banido nos EUA e outros países (entre eles, o Brasil). Depois, foi relançado, sem as cenas com a musa. Hoje, para encontrar uma cópia do original em DVD, só no Canadá, que preferiu preservar o legado de Traci, caracterizada como o Demônio em lingerie vermelha, mandando ver.

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quarta-feira, 29 de julho de 2009 - 7 Comentários

Prepare o bolso e o estômago: James Cameron está preparando a versão em 3D de Titanic, o maior blockbuster de todos os tempos.

É óbvio que será um grande evento, e sua paquera / namorada / esposa não descartará uma ida básica ao cinema para curtir três longas horas de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet correndo dentro de um navio gigante afundando.

Pessoalmente, admito que as cenas do naufrágio em 3D poderão ser um grande espetáculo (imagine aquele cara que despenca lá de cima, quando o Titanic está perfeitamente perpendicular ao mar, pronto para afundar...). Também admito que teria um certo prazer em ver o DiCaprio, com gelinhos grudados no nariz, submergindo no mar gelado de maneira mais realista. Mas suspeito que três horas de ação em 3D pode causar avarias de ordem variada nas pessoas, como enjoos, crises de labirintite, etc.














DiCaprio indo a pique em 3D: até que não é má ideia...

Acho que este será o teste de ouro do cinema em 3D. Aí, veremos se ele é a tendência do futuro, o "formato vencedor" e que todos seguirão, ou se é apenas uma curiosidade para curtirmos de vez em quando (e notadamente em animações).

A conversão do filme para o formato levará 18 meses. Talvez seja o lançamento do Natal de 2010. Talvez fique pra depois.

PS: outra obra cuja conversão para 3D está sendo avaliada é a série O Senhor dos Anéis. Peter Jackson é entusiasta do formato e já declarou que só fará filmes em 3D. Daí, penso: se uns livros foram capazes de formar gerações de nerds, imagine o poder de nove horas de elfos e orcs em 3D... este mundo será transformado na Terra Média.

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domingo, 26 de julho de 2009 - 2 Comentários

Direto do fundo da memória: o filme é La Bamba, cinebiografia de Richie Valens, um dos astros da primeira geração de roqueiros, morto no mesmo acidente aéreo que pôs fim às vidas de Buddy Holly e Big Bopper. Valens é o cara que eternizou La Bamba e mais dois hits, Come On, Let's Go e a balada Donna.

A cena é a do funeral do cantor - vemos a mãe, a namorada e principalmente o irmão sofrendo a perda. Não seria grande coisa, se não fosse a trilha sonora... Confira:



A música é Sleepwalk, um instrumental lindo de guitarra gravado por Santo & Johnny, em 1959.

Ela também foi usada em um dos filmes malucos do Terry Gilliam, Os Doze Macacos. É naquela cena em que o Bruce Willis ouve, no rádio do carro, uma música que lembra sua infância. A própria.

Pra começar a semana com a alma lavada: veja os autores da pequena obra-prima, executando a belezinha com duas guitarras - uma normal, a outra deitada ("steel guitar", para os entendidos).




Boa semana!

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sexta-feira, 24 de julho de 2009 - 2 Comentários

Já fazia um tempo que não tínhamos uma estreia forte na sexta-feira. Mas hoje temos notícia: Inimigos Públicos, de Michael Mann, com Johnny Depp, Cristian Bale e Marion Cotillard.

É o mais novo filme de gângster com potencial de entrar para o panteão do gênero. Depp já tinha aparecido no último grande filme de gângster, Donnie Brasco (com Al Pacino), mas, lá, ele era o policial bacana que se infiltrava na Máfia. Neste Inimigos Públicos, ele é John Dillinger, um bandido real que se tornou lenda durante a Grande Depressão (anos 30): em uma época de miséria total, os bancos viravam vilões e, quem os roubava, heróis.
























Johnny Depp: ele continua pegando os melhores papéis...


Conhecemos outros exemplos dessa época esquisita: Bonnie Parker e Clyde Barrow, por exemplo, se tornaram um ícone pop, reforçado pelo filme Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas, com Warren Beatty e Faye Dunaway, um marco dos anos 60. Outros bandidos famosos da Grande Depressão dão as caras em Inimigos Públicos: Pretty Boy Floyd e Baby Face Nelson (qual o lance com esses nomes engraçadinhos?).

A principal credencial do filme é seu diretor: Michael Mann, um sujeito que se especializou em filmar criminosos e que carrega uma reputação de ser o melhor nesse ofício. De fato, ele tem bons filmes nessa linha, como Colateral (aquele com o Tom Cruise loiro e mau) e Fogo Contra Fogo (famoso por ter juntado na tela, pela primeira vez, Al Pacino e Robert DeNiro) . Também conseguiu criar bons climas de suspense em O Informante. Mas não entendo essa lenda em torno do cara: esses triunfos não impressionam tanto e, para mim, o seu Miami Vice com Colin Farrel foi uma piada, e sua cinebiografia de Muhamed Ali, com Will Smith, pode ser considerada um escorregão. E ainda tem a aventura-pipoca O Último dos Moicanos, que todo mundo malhou (embora eu tenha gostado na época, se não me engano devido às mulheres bonitas). Quer dizer: é um diretor habilidoso e competente, mas longe de ser um gênio.


De qualquer modo, vamos lá, é um bom diretor, tem como protagonista Depp, o ator que melhor combina talento com celebridade, conta com um ótimo elenco de apoio (além de Bale, o sempre competente Billy Crudup faz o papel de J. Edgar Hoover, o pai do FBI) e traz a francesa Marion Cotillard como ela é e deve sempre ser: linda. Não há razão para não assistir. O trailer promete:



A crítica virá no final-de-semana.

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quarta-feira, 22 de julho de 2009 - 4 Comentários

Robert DeNiro ganhou seu primeiro Oscar, como ator coadjuvante, pelo seu sensacional desempenho como Don Corleone em O Poderoso Chefão - Parte II, de 1974. Pelo mesmo personagem, Marlon Brando ganhara seu segundo Oscar dois anos antes, no primeiro filme da série.

Mas o que poucos sabem é que, quando da produção do primeiro Chefão, DeNiro foi um dos candidatos ao papel de Sonny, o filho mais velho de Don Corleone.

O papel ficou com James Caan, um cara mais famoso (naquela época) e também talentoso, e perfeito para o papel.

Mas DeNiro deu um show no teste, como mostra o trechinho abaixo:



Muito boa a versão dele de uma fala que ficou famosa na boca de outro ator, na cena clássica em que os filhos e os capos da família Corleone discutem como se vingar dos autores do atentado contra o chefão.

Mais legal ainda é ouvir os risos da equipe que filmava os testes.

Ainda bem que Francis Ford Coppola guardou um lugar especial para o rapaz no segundo filme...

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terça-feira, 21 de julho de 2009 - 10 Comentários

Há exatos 110 anos, nascia Ernest Hemingway, o escritor mais macho da história e um dos mais importantes do século 20. Sua obra passeou por todos os principais conflitos humanos do século passado, sempre baseada na vivência pessoal do barbudo.
O que isso tem a ver com cinema? Deveria ter tudo...



























Hem: ele merecia ter filmes (bons) baseados nos seus romances!

E o Sol Também se Levanta
se divide entre Paris e o norte da Espanha, onde Hem e seus personagens enchiam a cara de vinho e corriam dos touros na rua, para depois ver as touradas.

Adeus às Armas baseia-se na experiência do autor como piloto de ambulância voluntário no exército italiano, durante a 1ª Guerra Mundial.

Por Quem os Sinos Dobram traz uma outra versão de Hemingway, como o especialista em explosões que luta contra os fascistas na Guerra Civil Espanhola.

Do Outro Lado do Rio, Entre as Árvores começa numa enevoada Veneza, durante a 2ª Guerra.

O Velho e o Mar conta a luta do velho pescador contra o peixe impossível de ser pescado, em Cuba, onde o escritor passou uns anos tomando seus mojitos.


Tanta coisa legal, tanta aventura, e nenhum filme que preste baseado na obra do cara. Ô, Hollywood, vamos investir um pouco e bancar um épico decente? As versões clássicas de Adeus às Armas (brega) e Por Quem os Sinos Dobram (limitada) não valeram. Queremos mais.

São meus votos para o 110º aniversário de Ernest Hemingway.

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segunda-feira, 20 de julho de 2009 - 2 Comentários

Bom, alguém um dia inventou que 20 de julho seria o "dia do amigo".

OK, a coisa é cafona, mas aqui no BLOGIE, como nas mesas dos melhores bares, tudo é motivo pra puxar uma conversa.

Já falei várias vezes de filmes que tocam no tema da alta brodagem masculina (Butch Cassidy & Sundance Kid, Trainspotting, Brincando de Seduzir, Procura-se Amy...).

Há muitos outros que merecerão comentário mais cuidadoso por aqui: Era Uma Vez na América, Role Models (um filme recente e que nem foi lançado no cinema...), além, é claro, das comédias do Billy Wilder com a dupla Jack Lemmon e Walter Mathau...

Mas a minha cena preferida de todas, e que merece citação nesta data "especial", está em Quase Famosos, do Cameron Crowe. O filme trata do menino adolescente que, no meio dos anos 70, é contratado pela Rolling Stone para escrever sobre sua banda preferida - a fictícia Stillwater.

A moçada do Stillwater, como toda banda que se preza, briga a torto e à direita, se xinga, se separa, um come a mulher do outro - e no final tudo acaba em pizza.

A melhor cena do filme é aquela em que Russel Hammond (Billy Crudup), depois de brigar com a banda toda e de ter passado uma noite fora na balada (com bebida a rodo e LSD), é resgatado pelo ônibus da turnê. Silêncio no busão, aquele clima pra baixo, o cara no auge da bad trip, e o rádio começa a tocar uma música do Elton John: Tiny Dancer. Aos poucos, a trupe toda (a banda, suas groupies e agregados) começa a cantar a música - e a paz volta a reinar no mundo do rock'n'roll.


Que música é essa? Elton John, Tiny Dancer, do disco Madman Across the Water, de 1971.

Porque amizade de brother é assim: não tem que pedir desculpas, nem nada: bastar dar um soco no braço e deixar rolar, bola pra frente.

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Uma das atrizes mais interessantes, bonitas e malucas do momento é Evan Rachel Wood.
























Reconhece? É aquela menina revelada em Aos Treze, como a pré-adolescente que, sob as piores influências e uma certa falta de noção da mãe, acaba virando uma depravada barra-pesada. Um filmaço.

Mais tarde, ela foi se tornando moça, aparecendo em uns filmes independentes, e aí estrelou aquele vídeo-clipe maneiro do Green Day, When September Ends, no qual ela é a namorada do soldado Jamie Bell (outro astro pré-adolescente crescido: é o menino de Billy Elliot), que foi pra guerra e todos ficam tristes com o amor juvenil interrompido. Na época, os dois atores engataram um namoro.

E aí veio Across the Universe, aquele filme cheio de músicas dos Beatles, e ela é a Lucy, e ela canta lindamente, e é linda, e dorme pelada no sofá, enquanto o ator Jim Sturgess, tão deleitado quanto nós, canta Something, do George Harrison. Com coro deste lado da tela. Muito apropriado: Harrison, que escreveu a canção para outra loira maravilhosa (Pattie Boyd, musa também de Eric Clapton em Layla e Wonderful Tonight), certamente aprovaria.


Veja Evan cantando If I Fell, dos Beatles, em Across the Universe!

A partir daí, as atenções do mundo se viraram para a moça, que tem alto potencial de se tornar "a próxima grande estrela".

Contra isso, apenas o fato de que ela é uma notória maluca, dessas atrizes que sentem a necessidade de engatar um papo-cabeça sobre "a integridade da arte" ou algo que o valha, e que acha que namorar um cara bem escroto, tipo o Marylin Manson, é algo que "acrescenta", assim, como se fosse verbo intransitivo.
























Um estranho casal: Rachel Wood e Manson

É verdade: ela manteve um romance (?) de dois anos com o bizarro roqueiro, cujo maior feito foi ter supostamente retirado duas costelas para conseguir praticar sexo oral consigo mesmo. No mais, estrelou um vídeo-clipe de Manson, Heart-Shaped Glasses, no qual há uma cena de sexo que, diz a lenda, foi de verdade.

Essa tendência não é de todo ruim: de um certo modo, faz a loirinha ficar seletiva, e ela acaba entrando em bons filmes, como Correndo com Tesouras, um estranhíssimo filme sobre uma escritora frustrada (Annete Benning) que se submete ao mundo do seu analista, um cara muito mais louco do que ela. Wood é uma das filhas do tal analista e, como todo o resto da família, é doida de pedra.
















Correndo com Tesouras: os Excêntricos Tenembaun parece a Família Dó-Ré-Mi perto destes...

Ainda na linha "filmes independentes", ela mandou uma bola dentro como a filha lésbica (e morena, pra dar uma variada) de Mickey Rourke em O Lutador (que, na minha opinião, foi o melhor filme do ano passado). A propósito: a partir daí, a mocinha engatou uma relação com o seu pai na tela, o ex-galã e notório encrenqueiro Rourke. Prevejo uma vida dura para a garota.

Aos 22 anos, o próximo grande passo na carreira de Wood está dado: ela está entrando em cartaz nos EUA no novo filme do Woody Allen, Whatever Works, com o criador de Seinfeld, Larry David. Este faz o comediante entediado que se envolve com uma moça mais nova (adivinhe quem). É uma situação parecida com a de outro filme de Allen, Manhattan, onde o próprio diretor era o comediante entediado, vivendo um romance com Mariel Hemingway (neta do escritor). Para mim, é o filme mais esperado do ano (todo ano falo isso do filme que, infalivelmente, Woody Allen acaba lançando - e é sempre sincero).


Veja o trailer da nova comédia de Woody Allen, com Larry David e Evan Rachel Wood (estreia prevista só para o final do ano...)

Tudo isso porque a HBO exibe hoje dois filmes com Evan Rachel Wood, na sequência: Across the Universe, às 15:20, e Correndo com Tesouras, às 17:45. Sim, em horário de vagabundo, fazer o quê? Se você estiver de férias ou "between jobs", assista por mim.

Se estiver na labuta, lembre-se que a HBO 2 exibe a mesma programação com três horas de defasagem: assim, terem os Across the Universe às 18:20 e Correndo com Tesouras às 20:45. Bem melhor, não?

Vale assistir. Os dois filmes são bons, e em ambos Evan Rachel Wood está no ápice da sua beleza. Não dá pra ficar melhor.


OK, vai: vamos dividir o pão. A foto abaixo é da tal cena de Something, em Across the Universe, e já está guardada para o Arquivo Confidencial de Evan, que está sendo pacientemente preparado.











Ainda nesta semana, aqui no BLOGIE: Robert DeNiro faz teste (e é reprovado) para O Poderoso Chefão; DVDs imperdíveis do rock; e a estreia da semana, Inimigos Públicos, com Johnny Depp.

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quinta-feira, 16 de julho de 2009 - 8 Comentários

Um tesouro meio escondido: A Última Sessão de Cinema, de Peter Bodganovich. É um dos menos badalados dos grandes filmes dos anos 70 mas, ao mesmo tempo, um dos mais importantes. Ele permanece como uma das obras mais sensíveis sobre o que era ser jovem nos EUA do pós-guerra.

Alugue. Compre o DVD. Faça alguma coisa, mas não deixe de ver esta obra-prima.


Trailer de A Última Sessão de Cinema.



Estamos, adequadamente em branco-e-preto e ao som de vitrolas cheias de ruído que tocam o country de Hank Williams, em uma cidadezinha do Texas, em 1951. Jovens aproveitam os meses finais de colégio, jogando no time de futebol americano, vagando pela rua, indo ao cinema e tentando transar com suas namoradas.

Daí até o final do filme, exatamente um ano depois, veremos que não havia direito à adolescência ou juventude na geração que precedeu os baby-boomers: os ritos de passagem acabavam passando pela constatação da falta de perspectivas e da entrada em um ciclo de repetição e sufocamento dentro da cidadezinha empoeirada. O sexo, que deveria ser algo libertário e novo, apresenta-se como algo frustrante e sujo, trazido por intermediários adultos - o sócio do pai da menina, a prostituta gorda, a esposa do treinador do rapaz...

Os dois principais personagens são dois rapazes, Sonny e Duane (Thimothy Buttons e Jeff Bridges, perfeitos), que têm a amizade abalada pelo fato de que ambos estão apaixonados pela mesma garota - Jacy, a menina rica e linda, tão desorientada e sem perspectivas quanto os outros. Cybill Shepherd interpreta Jacy, numa escolha inacreditavelmente feliz - pois só ela mesmo, com sua beleza fria e irretocável, conseguiria fazer contraponto a tanta feiúra e mesmice.



















Cybill Chepherd: mais de dez anos antes de A Gata e o Rato, ela já dava show no cinema. Você não quer perder isso. Mesmo.

Mais sobre o filme, não vale a pena falar. Basta dizer que é um filme triste e bonito, que injeta a angústia de ser jovem em quem o assiste. E que se deve comemorar o Big Bang da adolescência, que viria alguns anos depois, com a invenção do rock'n'roll e dos filmes do James Dean, com a chegada dos Beatles, e com a popularização da universidade. Todos ganhamos mais uns anos pra errar por aí, mas a principal mudança foi outra: ao contrário dos jovens de A Última Sessão de Cinema, que queriam queimar logo as etapas juvenis e entender logo o papel que lhes caberia no mundo, adquirimos o gosto por curtir os anos de transição, cumprindo os ritos com gente da mesma idade, celebrando nossa cabeça vazia ou nossas dúvidas.

E, se nada disso lhe interessar e se o filme não lhe servir para mais nada, pelo menos servirá pela visão de Cybill Shepherd, novinha, ora com roupa, ora sem roupa, se empenhando para perder a virgindade ao longo de duas horas.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009 - 0 Comentários

Como não tive sucesso preparando a lista dos DVDs essenciais para este Dia Mundial do Rock, aproveito para celebrar meu fracasso falando sobre o melhor filme roqueiro que nunca foi lançado em DVD: Febre de Juventude, um clássico da Sessão da Tarde que, se você tiver mais de trinta anos, deve conhecê-lo bem e ter saudades...
















Você não se lembra dessa turma? Calma, já explico...

Relembrando ou explicando a quem nunca conheceu: Febre de Juventude é uma produção de 1978, ideia da cabeça do já milionário Steven Spielberg (ele estava entre Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau). Foi roteirizado e dirigido por Robert Zemeckis, que depois ganharia fama, fortuna e prêmios por De Volta Para o Futuro e Forrest Gump.

Interessante, não?

Mas fica melhor: o filme tem por nome original I Wanna Hold Your Hand. Começa com a tela negra, onde se lê: "New York City - Sábado, 8 de fevereiro de 1964". E tome locação externa. No coração da Big Apple, policiais preparam a rua para receber uma multidão, colocando cavaletes. Um homem, na fachada de um auditório da emissora CBS, conserta o letreiro, trocando uma letra "E" no meio de uma palavra por uma letra "A" e, então, se lê na tal fachada: "The Beatles". Do lado de dentro, um famoso apresentador de TV (Ed Sullivan) ensaia o texto que será usado para apresentar a maior atração da história do seu programa, que seria exibido ao vivo no dia seguinte.

E aí entra I Wanna Hold Your Hand, a música, tendo como fundo aquelas deliciosas e famosas cenas dos Beatles desembarcando nos EUA pela primeira vez, embasbacados com a multidão e a demência generalizada, depois dando show de carisma e bom humor na primeira entrevista coletiva, na qual responderam a perguntas como "vocês sabem cantar?" e "vocês vão cortar o cabelo?" com uma ironia e uma euforia simplesmente nova para os americanos - e para o mundo.















George diz ter cortado seu cabelo ontem. John levanta a lebre de que todos são carecas. Ringo rebola, dizendo que ele dança, como forma de compensar a suposta falta de talento de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison como cantores (!). Foi assim que os EUA conheceram os Beatles.


O filme, no entanto, não é sobre os Beatles. Essas cenas são as únicas que trazem os rapazes de Liverpool. A partir do final dos créditos iniciais, passamos a acompanhar a saga de uma turma de jovens de New Jersey que faz de tudo - repito: de tudo - para conseguir ver os Beatles ao vivo.

Febre de Juventude é isso: 24 horas na vida de cinco jovens americanos - e ao mesmo tempo de todos os jovens do mundo -, a partir da chegada de quatro rapazes no aeroporto, até o final do programa de TV em que eles apareceram. O programa que se notabilizou por ser a maior audiência da história da TV americana, ao longo do qual se registrou o menor índice de crimes, e mais um monte de outras lendas.

24 horas que, sem exagero, mudaram o mundo.

Um ótimo registro histórico, um filme vibrante e juvenil, uma trilha sonora na linha "melhor é impossível", formada pelos dois primeiros discos dos Beatles.

E tem a cena inesquecível de Nancy Allen (que seria esposa e musa do Brian DePalma em Vestida para Matar e Um Tiro na Noite) escondida na suíte dos Beatles, embaixo da cama, ouvindo a conversa dos caras, que jamais aparecem. Um momento marcante da infância de qualquer um que tenha visto o filme (e que, no mínimo, acabou fazendo deste blogueiro mais um beatlemaníaco no mundo).














A fantasia de uns era estar no lugar da Nancy Allen; de outros, no lugar do pé do Paul McCartney.

Por que não lançam em DVD, não sei. Mas eu fui atrás e consegui um exemplar, que tratei de ver ontem mesmo. Hoje, sou uma pessoa mais feliz.

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domingo, 12 de julho de 2009 - 0 Comentários

Aviso geral aos eventuais habitantes de Hogwarts que frequentem estas sujas páginas: estreia, agora no dia 15 de julho (quarta-feira), o sexto filme da série Harry Potter, agora com o complemento E o Enigma do Príncipe.

(A propósito: ver post anterior, sobre a atual frescura de lançar blockbusters às quartas-feiras...)

Bom, pra falar a verdade, encerrei minha carreira de aprendiz de feiticeiro após o segundo filme (A Câmara Secreta?). Achei o primeiro filme legal e tudo mais (principalmente a cena do quadribol), e aturei o segundo filme, embora tenha achado que ele era basicamente uma repetição do roteiro do primeiro. Mas decidi que já estava de bom tamanho. Era muita fofura e muita aventura sem tensão nenhuma...

Além disso, havia a irritante noção de que a Hermione demoraria muito para crescer e se tornar algo interessante (em outro post, discorrerei sobre a ausência de impulso sexual na molecada de Hogwarts).














Hermione, Ronnie e Harry: a turma continua tramando contra Voldemort, ao invés de se preocupar com o que interessa...

Por incrível que pareça, os anos se passaram, outros quatro filmes foram feitos e, hoje, Emma Watson, a moça que faz a Hermione de fato virou uma gata. Mas agora é tarde demais, já perdi o fio da meada.


Pra quem se manteve fiel à saga de Potter, a boa notícia é que o Unibanco IMAX (aqui em SP, no Shopping Bourbon) vai exibir a estreia na quarta feira a partir da meia-noite, com seções a cada três horas. Naquela tela gigante, e com cenas em 3D.

Deu até vontade de ver.

Os ingressos já estão à venda.

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sábado, 11 de julho de 2009 - 0 Comentários

Parêntese: a nova moda é lançar os grandes blockbusters às quartas-feiras, ao contrário da regra, que renova a programação dos cinemas toda sexta-feira. Isso tem feito com que:

1- Os mais doentes (como eu) tenham que fazer duas rodadas semanais de estudo cuidadoso sobre a programação das salas (pra se ter uma ideia, esse processo costuma me tomar cerca de 1 hora);

2- Nossos Guias da Folha e Vejinhas percam sua validade dois dias antes.

Mas deixa pra lá. A Internet está aí pra isso.

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quinta-feira, 9 de julho de 2009 - 0 Comentários

Pra quem duvidava do fato irrefutável de que Suzanna Hoffs, cantora e guitarrista dos Bangles, era a maior gata da década de 80, BLOGIE garimpou uma cena do único filme estrelado pela moça, em 1987: The Allnighter. (Sim, até filme, ela fez, tá vendo?)



O filme é uma droga? É. A cena se parece com um daqueles quadros de strip-tease light do Sexytime? Parece. A molecada nos anos 80 se preocupou com esse detalhes?

Claro que não.

Com isso, encerro meu caso sobre Suzanna Hoffs. Há outras obsessões a serem expostas.

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quarta-feira, 8 de julho de 2009 - 6 Comentários

Estreou, na última sexta-feira, Paris, o mais recente exemplar daquele que está se tornando um gênero à parte no mundo do cinema: os filmes com um monte de personagens desconexos que levam as suas vidinhas e enfrentam seus dramas e amores, até que todo mundo se cruza de alguma maneira no final.


É o jeito que inventaram para transformar a crônica (ou meia dúzia delas) em longa-metragem.
















Juliette Binoche vai à feira: um dia normal em Paris.

Isso não é problema; o formato já gerou obras-primas (Short Cuts - Cenas da Vida, Amores Brutos), comédias românticas simpáticas (Simplesmente Amor, Ele Não Está Tão a Fim de Você), dramas poderosos (21 Gramas, Crash - No Limite) e algumas bombas pretensiosas (Babel, Magnólia).

Paris aproveita a vertente menos cansativa desse tipo de filme: a do clima agridoce, humanista, que aposta em personagens de bairro vivendo situações comuns - e extraindo uma certa beleza disso. Pra melhorar, usa a cidade onde a ação se ambienta como um dos personagens. E Paris é um personagem que dá um bom caldo...

As histórias

As histórias giram em torno de Pierre (Romain Duris), um cara que descobre que precisa se submeter a um transplante de coração. Vários personagens - que compõem Paris de maneira um tanto esquemática - cruzam seu caminho ou circulam pelas redondezas: uma bairrista esnobe e xenófoba, imigrantes, feirantes grosseirões e gente-fina, socialites hedonistas e metidas a besta, uma assistente social de mal com a vida... salpicando as vidas de toda essa gente, o medo da morte e da solidão. Este, talvez, seja não o tema central, mas o tema em comum das várias histórias.

Juliette Binoche é a irmã de Pierre, e, embora não tenha muito o que fazer no filme, é ela quem dá o foco para o espectador - é sob seu ponto de vista que vemos essa turma toda patinando na vida. É através dela que sentimos dó de quem sofre injustamente, e é através dela que sorrimos para as coisas bacanas que acontecem. Meio maniqueísta, mas tudo bem...

Os personagens mais interessantes e mais completos do filme são dois irmãos de meia idade: um é professor de história; o outro, engenheiro civil. Um vive na "velha Paris" - prédios com séculos de vida, um apartamento caindo aos pedaços cheio de livros, museus; o outro, na "nova Paris" - está tocando a obra de um arranha-céu modernoso, mora num apartamento novinho e bem decorado. O historiador está marcando passo na vida: é sozinho, falta grana, e passou a nutrir uma paixão à distância por uma jovem aluna que anda de bicicleta. O engenheiro, bombando: sua bela esposa está grávida e seus projetos profissionais o empolgam e o remuneram em igual e alta intensidade.

Parêntese necessário: é nessa parte que aparece Melanie Laurent, como a estudante que deixa o velho professor, por assim dizer, de quatro. Dá até pra entender:
















Melanie Laurent: ela alimenta a velha fantasia da universitária que dorme com o professor.

O que acontece com cada um a partir da morte do seu pai é o xis da questão, e discussões, dúvidas, presentes e consultas ao analista se sucedem para entendermos o grande dilema dos irmãos e de cada parisiense: deixar o barco correr e abraçar a modernidade ou se prender àquilo que fez da cidade (ou da sua vida) algo tão especial?

O mais interessante é que o filme não decifra o enigma; ele é a pergunta, não a resposta. Interessante.

Bittersweet simphony

Então, pra saber como é este Paris, imagine Short Cuts no cenário e com o clima levemente melancólico, agradavelmente otimista de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain.

Pra quem gosta de cinema francês: lembra bastante alguns episódios (os melhores) do recente Paris, Eu Te Amo (coletânea de curtas metragens sobre a Cidade Luz). Também dialoga com Medos Privados em Lugares Públicos, outro filme ambientado em Paris, e que também usa personagens aparentemente desconexos. Mas é mais otimista do que este último.

Mas, se for pra ir direto na fonte, o fato é que Cédric Klapisch (o diretor do filme) bebeu bastante da água de François Truffaut, que retratava como ninguém a beleza das pessoas comuns através das suas imperfeições. (Sugestão de filme do Truffaut que melhor exemplifica isso: Beijos Roubados).

Resumindo: o filme é bom. Tem lá seus defeitos (esse tipo de roteiro sempre acaba ficando meio esquemático), mas é honesto. É agradável, e foge daquele tipo de filme "feito pra pensar". Ele é mais "feito pra sentir". Isso o qualifica como bom programa para um sábado à noite, especialmente se sua paquera/namorada/esposa não topar os blockbusters do momento.

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segunda-feira, 6 de julho de 2009 - 4 Comentários

Há quarenta anos, a Apollo 11 pousava na lua, o Neil Armstrong falou aquela frase famosa, a TV transmitiu o episódio ao vivo e as mesas redondas de 1969 passaram a discutir se a coisa toda não era armação dos ianques.

Na VIP deste mês, em alusão a tão importante efeméride, você encontra uma matéria que traz uma seleção de lunetas, binóculos e telescópios, acompanhada de dicas de um astrônomo da USP sobre como observar os astros. Não que você não possa espiar a vizinha com o aparato.

Aproveitando o gancho, BLOGIE preparou uma lista das melhores citações à Lua no cinema - no sentido físico ou poético, vale tudo. Este tipo de lista é bacana, porque dá pra ser bem eclético.


Poucas e Boas: um maluco e uma lua de papelão


Woody Allen, Sean Penn, jazz do bom: um filme que você não pode perder!

No filmaço de Woody Allen, Sean Penn é Emmet Ray, um genial guitarrista de jazz dos anos 30. Apaixonado pela lua, Ray resolve entrar no palco - bêbado - montado em uma enorme lua minguante de papelão. Dá tudo errado, mas a cena é poesia pura.



Namorada de Aluguel: o velho xaveco da lua funciona

























Até pagar ele pagou, mas a gata só caiu na dele quando ele assumiu a nerdice.

Uma das comédias adolescentes mais populares dos anos 80 (vale uma lista sobre o assunto), calcada na velha história do nerd que se apaixona pela maior gata da escola. A gata, inexplicavelmente, acaba se mostrando afeita ao papo-cabeça do rapaz: ele descreve poeticamente - e em detalhes - o relevo lunar, enquanto ela espia o mar da tranquilidade pela sua luneta.



2001 - Uma Odisseia no Espaço: um passeio pela cratera de Clavius



A trilha é sinistra, e Kubrick não tinha pressa, mas o filme é bom!

No maior clássico da ficção científica, a aventura está só começando quando o Dr. Floyd viaja até a base lunar montada dentro da cratera de Clavius (um buraco com mais de 200 km de diâmetro!) para discutir um tal monolito negro. De lá, ele se manda em missão a bordo de um "ônibus lunar".

Austin Powers - Um Agente "Bond" Cama: a lua vira a Estrela da Morte



Dr. Evil recebe a moçada em sua base lunar - até que um engraçadinho começa a mexer na cena...

Dr. Evil continua tentando dominar o mundo - e roubar o mojo de Austin Powers... no segundo filme da série, o vilão afetado pretende explodir Washington com um canhão laser instalado na lua. Organizado, Dr. Evil divide a lua em duas áreas: a Unidade Alfa e a Unidade Zappa. Psicodelismo puro.



Feitiço da Lua: uma mulher de fases
























Deve-se respeitar uma mulher que vai receber um Oscar fantasiada de pavão preto.

Tem que ter estômago pra engolir um filme com um casal central tão inusitado quanto Cher e Nicolas Cage. Mas a história da mulher dividida entre o noivo e o cunhado, totalmente influenciada pelas fases da lua, é boa e rendeu Oscars para Cher (como melhor atriz) e para o roteirista, John Patrick Shanley (o mesmo autor do recente Dúvida).



Independence Day: nos alienígenas, a gente acredita; difícil é engolir o Bill Pulman como presidente dos EUA


(filme ruim não merece nem fotinho)

A cena inicial mostra uma nave alienígena fazendo um voo rasante pelo solo lunar. Passando bem perto do local onde a Apollo 11 pousara, os monstrengos levantam poeira e apagam as pegadas deixadas por Neil Armstrong e Edwin Aldrin. Mas Bill Pulman, o presidente americano mais bola-murcha da história do cinema, salvaria todo o mundo mais tarde, a bordo de um teco-teco...


Em suma, dá um pouco de trabalho selecionar filmes que tenham na Lua um tema central. Melhor e mais perigoso uso da luneta fez James Stewart em Janela Indiscreta, do Hitchcock. Assunto para outro post.

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quinta-feira, 2 de julho de 2009 - 2 Comentários

Ontem, falei sobre o filme libanês Caramelo, escrito, dirigido e estrelado pela gata Nadine Labaki.

Pois bem, constatei que, depois de ter visto o filme, passei dias cantarolando, no carro, a música Eternal Flame, hit meio cafona dos anos 80, balada certa nos bailinhos de vassoura que rolavam nos andares de prédio e nas festas improvisadas nas garagens do bairro.

E o que uma baladinha esquecida tem a ver com filme libanês?

A resposta: tudo. Constatei que a tal da Nadine Labaki me lembra muito a Suzanna Hoffs, cantora e guitarrista da banda The Bangles, autora de Eternal Flame.

Suzanna Hoffs era tão gata, mas tão gata, que mexeu seriamente no meu senso de julgamento: desde o final da década de 80, considero Eternal Flame uma canção tão boa quanto Yesterday, dos Beatles. Gosto da melodia, da letra, do refrão, das vozes de fundo, está tudo certinho na gravação das moças.

Exagero? Então dá uma olhada no vídeo-clipe da música, com Suzanna Hoffs e seus enormes olhos castanhos no centro das atenções.


Seja amigo: diga se o blogueiro tem razão ou se é tara juvenil!

Outro dia, vi Suzanna Hoffs em um desses documentários nostálgicos da VH1, e ela continua uma mulher muito bonita e sexy. Esse é o tipo de banda que valeria uma reunião caça-níqueis, e não Kiss com os caras gordos, Doors sem Jim Morrison, Queen sem Freddie Mercury...

Esta conversa meio que inaugura uma nova seção no BLOGIE: de vez em quando, vou lembrar alguma mulher do cinema (ou das imediações) que não pode ser esquecida de jeito nenhum. Mande sua sugestão!

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quarta-feira, 1 de julho de 2009 - 2 Comentários

Entenda a situação: lançam um filme sobre um título estadual conquistado trinta anos atrás pelo seu time. Em toda a cidade (e falo da maior cidade do Brasil), há apenas três salas de cinema exibindo o filme. Horário único: 21:40. Que esposa toparia essa empreitada?

A minha, apesar de tantas qualidades e demonstrações de cumplicidade, chegou ao seu limite. Desejou-me sorte e ficou em casa, enquanto eu partia, acompanhado de três marmanjos, para assistir ao novo filme sobre o Corinthians: 23 Anos em 7 Segundos.

O filme é um documentário sobre o título paulista de 1977, quando o Corinthians deu fim ao jejum de 23 anos sem ganhar nada. Jogadores daquela época e corintianos famosos (Juca Kfouri, Washington Olivetto, Neto, Hortência, Dudu Braga - filho do Roberto Carlos - e outros) estrelam a fita.

Mas a cereja do bolo são umas imagens descobertas pelos produtores em algum canto empoeirado de algum museu, com registro do grande jogo de dentro do campo. O gol de Basílio é mostrado de dois ângulos, por gente dentro do campo. A expulsão de um jogador é filmada de dentro do campo (na época, repórteres invadiam o campo a cada gol ou expulsão). Andamos no meio da confusão que foi a invasão de campo por uma horda de fieis, que pagavam promessas e arrancavam pedações da grama, da rede, das traves, para guardar de recordação.



















Por exemplo, esta foto - a foto mais famosa do Corinthians - é viva no filme, vemos os jogadores gritando, se mexendo, tensos e agitados, enquanto a foto é batida. Quanto vale isso? Muito.


Depois dessa revelação absolutamente acachapante, de alma lavada, saíamos do cinema. Um dos amigos foi o primeiro a falar:

- Será que gente normal também vai achar o filme tão sensacional?

Eu respondo: se você é corintiano doente, não tem conversa. Vá ver o filme e seja feliz.

Os outros - ou seja, os torcedores de outros times e, principalmente, aqueles que não ligam para futebol - não vão gostar, é claro. Mas deveriam entender o nosso lado.

Porque, se o Corinthians fosse uma nação (e sabemos que é), o gol do Basílio, naquela noite de outubro de 1977, seria o nosso grito do Ipiranga. O nosso Independence Day. Nossa queda da Bastilha. Simples assim. Veja o lance, com antológica narração de Osmar Santos (devidamente utilizada no filme):

"Corinthians, doce mistério da vida!" - este é Osmar Santos, o poeta do improviso...

Agora, imaginem só se alguém estivesse do lado de Dom Pedro, com câmera na mão, quando ele gritou "Independência ou Morte!" Filmando os detalhes do cavalo, da reação das pessoas, do chão barrento onde pisavam. Não seria incrível?

Pois, hoje, os cidadãos do Planeta Corinthians têm isso. E desejo esta sorte para todos os outros torcedores. Que o Flamengo resgate um filme desses sobre a Era Zico. Que o São Paulo permita obra semelhante sobre a Era Telê. O Inter de Falcão. E assim por diante.

E vem mais pela frente: até a data de aniversário de 100 anos do Timão, em setembro do ano que vem, outros três filmes serão lançados - um sobre o tetra brasileiro, outro sobre o mundial de clubes de 2000, outro sobre o centenário.

Coisa linda!

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terça-feira, 30 de junho de 2009 - 3 Comentários

A moça abaixo é libanesa e, como a foto comprova, merece ter seu nome conhecido: Nadine Labaki.



















Mas não é só pela "lataria caprichada" que ela merece aparecer por aqui. Nadine é estrela de cinema, e está em cartaz em um filme que atravessou muitas fronteiras e conseguiu fazer sucesso no mundo todo: Caramelo, em cartaz nos Espaços Unibanco da vida.



Não é só isso: ela é a autora do roteiro e dirige o filme!


Nota mil pra moça, porque o filme é bom.


Não vou gastar muita tinta falando dele, porque é um filme escancaradamente "de mulherzinha": Nadine divide a tela com três outras mulheres, as quatro enfiadas dentro de um salão de beleza, onde elas discutem e vivem seus dramas pessoais - o amante casado, a virgindade perdida com um cara que não é o noivo (um problema por aqueles lados), a paixão não declarada de outra por uma mulher, o envelhecimento... cada uma tem seu problema, e as outras oferecem ouvido e braços para ajudar a amiga.


No fim das contas, o saldo é positivo, nem que seja pela presença da autora ao longo do filme, preparando seu caramelo usado para depilar as clientes, com um certo tesão masoquista.

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segunda-feira, 29 de junho de 2009 - 2 Comentários

A princípio, não gostei nada da ideia: um filme sobre Jean Charles, o eletricista brasileiro que vivia em Londres e de cuja existência só tomamos conhecimento após ele ter sido vítima de uma trapalhada absurda da polícia inglesa, que o confundiu com um terrorista e o assassinou no metrô londrino. Nada indicava que sua vida daria "caldo" suficiente para um bom filme.

Mas o fato é que Jean Charles, o filme, vale uma ida ao cinema. Em primeiro lugar, porque o roteiro optou por não contar a história do rapaz, mas sim por contar UMA história sobre brasileiros que vivem em Londres. As dificuldades, o deslumbramento, as frustrações e os perigos são conhecidos: todos conhecemos pelo menos uma pessoa que foi viver em Londres por um tempo. Pra melhorar, optou-se por desenvolver alguns episódios e personagens fictícios, transformando o filme em algo profissional. Os personagens são bem desenvolvidos, as situações são tristes, engraçadas, não se fica indiferente a elas.


Veja o trailer de Jean Charles:



Não dá pra notar muito no trailer, mas o Jean Charles de Selton Mello (o onipresente protagonista do cinema nacional, aqui em registro dramático competente) é um personagem muito interessante. É um picareta de bom coração. Vive armando "esquemas", botando gente ilegal pra dentro da Inglaterra, mexendo com vistos permanentes, trapaceando seu empregador, sonhando. Ao mesmo tempo, vive ajudando os amigos, chora de saudades da mãe, é bom anfitrião, paquera todas as moças que pintam na sua frente. Conclama a priminha que acabara de chegar a Londres a "viver o hoje". Em suma, é o estereótipo do brasileiro - é quase um Zé Carioca.

Isso faz pensar, e, para mim, é mais estimulante do que o evento da morte do rapaz. Que, inevitavelmente, chega e deixa todo mundo cabisbaixo, revoltado, com um nó na garganta.

Enfim, o gancho do Jean Charles foi conveniente, porque gera interesse para o filme e facilitou os realizadores a levantarem uma grana inglesa para fazer o filme. Mas este vale mesmo é pela crônica da vida dos brasileiros em Londres.

No mais, um ótimo trabalho de Selton Mello (que prova, ao se distanciar dos seus trejeitos de humorista, ser um ator completo) e de Vanessa Giácomo, que faz a prima caipirinha de Jean com graça e carisma.

Vale conferir. E, para quem já passou um tempo vivendo em terra estrangeira, deve emocionar.

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sexta-feira, 26 de junho de 2009 - 0 Comentários
























... Se é que você me entende.

Falando mais ou menos sério: há uma parcela considerável (e respeitável) da humanidade que realmente não quer saber da série Transformers, e que gostaria muito que o seu realizador, Michael Bay, tivesse encontrado emprego mais rentável do que diretor de mega-sucessos de ação, preservando assim o mundo de bombas como Armageddon, The Rock e Pearl Harbor.

Mas, sabe de uma coisa?, outro dia eu estava no Cine Belas Artes, aqui em São Paulo, vendo o sensacional Apenas o Fim e, lá pelas tantas, o protagonista - um estudante de cinema que, claramente, não é um idiota - afirma preferir Transformers a toda a filmografia do Goddard. E justifica: "o que pode ser mais legal do que carros normais que se transformam em monstros gigantes?"

Como não sei responder a esta pergunta, e como não dá pra ignorar essas fotos da Megan Fox que ficam atordoando a gente, vou me misturar à molecada na fila de um cinema de tela bem grande e som bem barulhento para curtir Transformers - A Vingança dos Derrotados. Pipoca grande e Coca de um litro para acompanhar.

Porque cinema também é isso.

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quinta-feira, 25 de junho de 2009 - 0 Comentários

Outro dia, em um post sobre a comédia Sim, Senhor, com Jim Carrey, falei que Zooey Deschanel é a próxima grande estrela de Hollywood.

Explico melhor: o nascimento cinematográfico dessa morena de olhos azuis gigantes se deu em Quase Famosos, o grande filme de Cameron Crowe sobre o menino de quinze anos que vira jornalista musical nos anos 70. Zooey é a irmã do menino, e fica grudado na memória o plano em que ela, ao sair de casa para ser aeromoça, se despede do irmão, aproximando-se dele de maneira assustada e assustadora e lhe confia seu maior segredo e tesouro: a coleção de discos (Tommy, do Who, Led Zeppelin II, Simon & Garfunkel e outros clássicos).















Quase Famosos: graças a essa confidência, o moleque viajou com o Led Zeppelin e perdeu a virgindade com um bando de groupies gostosas...


Depois disso, Zooey fez um monte de filmes, estrelou aquela bomba Fim dos Tempos, do Shyamalan, umas pontas aqui e ali. Mas mais importante do que isso foi o lançamento de sua carreira como cantora, na dupla She & Him. Trata-se de um dupla folk indie (ah, esses rótulos) muito, mas muito boa. Ela canta bem, as canções são boas, o disco é uma delícia. E o visual escolhido por ela e seu parceiro é vintage total, parecem saídos do meio dos anos 60.

Veja a moça em ação, cantando You Really Got a Hold On Me, dos Beatles:



Essa persona meio artista-nem-aí-com-nada foi adotada para dar um brilho na comédia do Jim Carrey. Ali, ela é ela mesma. Canta, anda com roupas sessentistas, brinca de maneira despretensiosa com suas inclinações artísticas. E é apaixonante.

A partir daí, a aposta é óbvia e está feita: ela será uma estrela.

A comédia romântica do momento, nos EUA, é 500 Days of Summer, estrelada por ela e Joseph Gordon-Levitt. A previsão de estreia por aqui é só em novembro, veja só que tristeza. Mas já vale conferir o trailer, que promete um filme muito bacana:


Só a primeira conversa, no elevador, quando ela cantarola Smiths meio desafinada, vale o filme.

Que tal? Convenci alguém?

Se não, que a moçada fique tranquila, pois a estrela do momento está chegando num cinema perto de você: Megan Fox, a atual detentora do título de mulher mais sexy do cinema, dá bom motivo para ver Transformers 2, que já estreou nesta quarta-feira. Aguarde comentário aqui no BLOGIE.

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segunda-feira, 22 de junho de 2009 - 5 Comentários

Como dizem aqueles senadores, aos brados, no meio de uma CPI: QUESTÃO DE ORDEM!!!

Pronto. Agora, que tenho sua atenção, devo dizer com todas as letras: não deixe de assistir ao melhor filme brasileiro do ano, o pop, despretensioso e genial Apenas o Fim, de Matheus Souza.















O tal Matheus, se liga só, é um moleque de 19 anos. Digo "moleque" com todo o respeito que o epíteto merece - digamos, como quem fala de um time de futebol abusado que impressiona todo mundo. Lembra o Santos de Diego e Robinho? É o equivalente futebolístico do filme do jovem cineasta carioca: ao final do show (jogo ou filme), dá alegria de estar vivo e presenciar o nascimento de um talento tão natural e precoce.

Apenas o Fim é um registro praticamente integral da última conversa de um jovem casal de namorados, com uma hora e vinte minutos de duração, começando do anúncio da garota (Erika Mader, uma graça e espontânea) de que ela está deixando o rapaz (já falo dele), indo até a sua partida. No meio, uma conversa esperta, despretensiosa, revestida de um cinismo que tenta disfarçar o romantismo, em planos bem enquadrados e câmera na mão perseguindo o casal. Pontuando a conversa, flash-backs de momentos felizes do casal entre quatro paredes. Milhões de citações pop. Um misto de Kevin Smith (Procura-se Amy) com Até o Amanhecer, do Richard Linkater. Ecos de Truffaut (Beijos Roubados) são percebidos. E tudo isso é legal, você se diverte, ri alto e se emociona.

Volto ao contexto do filme: o autor é estudante de cinema na PUC carioca. Fez o filme dentro do campus, ao custo de R$ 8 mil, como um trabalho escolar. E o filme foi parar nos cinemas Brasil afora, simplesmente porque é bom demais.


Veja o trailer de Apenas o Fim!!!


No mais, duas grandes novidades vêm de bônus com o filme de Souza:

1- a revelação de Gregório Duvivier, o namorado rejeitado, um ator engraçadíssimo, com timing perfeito e alta capacidade de improvisação. De início, eu achava que ele lembra muito o Woody Allen novinho. Mas depois acho que ele foi mais longe: ele se parece com o Peter Sellers. Não sei se você entende o quanto isso, partindo de mim, é um elogio (para este blogueiro, Peter Sellers é o maior ator cômico de todos os tempos).

2- A inauguração da era de nostalgia dos anos 90. O casalzinho se diverte discutindo video-game, desenhos animados, filmes, música pop. Mas saem de cena Atari, Caverna do Dragão, Goonies e Menudo ou Kiss. Entram Super Mario, Cavaleiros do Zodíaco, Transformers e Backstreet Boys ou Strokes. O mundo girou, a molecada que nasceu quando os Smiths já tinham acabado cresceu e está fazendo filmes. Os anos 90 são os novos anos 80, viva!

Deixando claro: não se trata do melhor filme de todos os tempos. Nem é essa a intenção do seu realizador. Há defeitos, mas isso não interessa. Vamos colocar a coisa assim: Cidade de Deus é um filme perfeito, profissional. Apenas o Fim é um filme amador, feito do jeito que seu jovem diretor conseguiu fazer. E não há nada nisso que impeça o filme de conquistar a audiência de boa fé.

Claro, em plena temporada de blockbusters, poucas salas abrigam o modesto filme juvenil. Mas abençoado seja o programador que acreditou em Apenas o Fim. Se você gosta de algo feito com prazer e paixão, com todas as virtudes e defeitos que saem das mãos de um adolescente talentoso, não deixe de ver Apenas o Fim.

É disso que o cinema é feito.

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Não sei por quê, mas, de uns tempos pra cá, os cinemas foram inundados por documentários sobre músicos famosos. Não falo de cinebiografias, como Ray ou Johnny e June, mas sim de documentários, com os filhos envelhecidos de tal compositor prestando depoimentos, gente nova cantando músicas antigas de um jeito ofensivamente constrangedor, artistas globais declamando letras de maneira teatral... a bossa do momento é produzir esse tipo de filme. No meio de tanta oferta, os resultados são bem desiguais. BLOGIE ajuda o leitor a separar o joio do trigo.

As novidades:

Em cartaz, no circuito comercial, temos quatro documentários musicais.

O melhor e mais interessante é Loki - Arnaldo Baptista, sobre o genial e despirocado líder dos Mutantes. É uma produção do Canal Brasil, e conta com depoimentos de muita gente interessante (companheiros dos Mutantes e do Tropicalismo, principalmente), mas ninguém é tão interessante quanto o próprio Arnaldo. Severamente alterado por mil experiências com drogas e uma tentativa de suicídio na qual perdeu massa encefálica, o cara continua fazendo arte, falando em disco voador e exibindo uma incrível inocência juvenil sobre qualquer assunto. É comovente para qualquer um, e mais ainda para quem (como eu) é fã da música de Arnaldo, seu irmão, Sérgio Dias, e sua ex-namorada e parceira, Rita Lee.

Olha só um teaser do filme, são trinta segundinhos que trazem pedacinhos de Panis et Circensis, Cê tá pensando que sou loki? e a antológica Balada do Louco:



Os outros documentários em cartaz são:

- Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei, sobre Wilson Simonal, cuja vida e obra não dão caldo suficiente para garantir o interesse;

- Kurt Cobain - Retrato de Uma Ausência, que traz entrevistas raras com o finado líder do Nirvana - e que só vai interessar para os fãs da banda, pois, no fundo... vamos combinar que Cobain só falava bobagem;

- Cantoras do Rádio, um belo trabalho histórico que recupera cantoras que foram muito famosas nos tempos pré-televisão - mas que é indisfarçavelmente datado;

- E o muito interessante Um Homem de Moral, sobre Paulo Vanzolini, o autor de Ronda e Volta por Cima. Este último é sensacional. Vanzolini é um cara interessante, um biólogo renomado que, entre um trago e outro na noite paulistana, tornou-se compositor central do chamado "samba de paulista", aquela coisa meio melancólica, meio irreverente que os cariocas fingem não entenderem - mas todo mundo gosta (Chico Buarque e Paulinho da Viola estão no filme, prestando seus respeitos ao mestre; já o outro ponta-de-lança do samba de paulista, Adoniran Barbosa, aparece em preciosas imagens de arquivo). O trailer já traz uma bela amostra da sabedoria do homem: frases como "do povo, pessoalmente, de cada um, eu não gosto não; mas, do povo em geral, eu gosto muito!"


Veja o trailer (aliás, que trailer!) de Um Homem de Moral:




Não fica por aí: a produção recente de documentários é extensa e bem servida em DVD. Um dos melhores é Vinícius, sobre o poeta mais famoso e mais amado do Brasil. O filme traz alguns pecados, como Camila Morgado declamando com toda a falsidade do mundo o Soneto de Fidelidade e outras obras-de-arte, além de novos artistas assassinando músicas de Vinícius e seus parceiros. Mas traz imagens de arquivo que, sem exagero, são capazes de levar qualquer um às lágrimas. Os pontos altos são:

1- Vinícius e Tom Jobim, sentados num sofá na casa de Tom, bêbados, cantando juntos Quando a Luz dos Olhos Teus. Coisa linda, e engraçada. Eles cantam praticamente caindo um em cima do outro, enquanto pontuam as falas com declarações de amor ao uísque ("o melhor amigo do homem: o cachorro engarrafado" - Vinícius).

2- Vinícius e Baden Powell, sentados no chão de um apartamento, em uma das famosas "viniçadas", rodeados de gente cantando com eles o Canto de Ossanha. De arrepiar.

3- O poeta, sempre bêbado, conversando com seus filhos mais velhos a falta que ele sente da mãe deles (a primeira de uma legião de esposas, que ele amava profundamente por uns tempos, antes de ir pra próxima). Comove. E diverte.

4- Maria Bethânia contando o causo de como ela apresentou sua amiga a Vinícius, num episódio um tanto breve (digamos, dez minutos) que culminou no pedido de casamento do poeta à moça, que foi sua última esposa.

Outros bons documentários musicais que você acha na locadora: O Mistério do Samba, de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, premiado e merecedor de uma olhada com atenção; Titãs - A Vida até Parece uma Festa, dirigido pelo próprio Branco Mello (um dos Titãs), que é valioso pelas imagens de arquivo filmadas pela própria banda ao longo da sua história; e a caixa com 12 DVDs (!) chamada simplesmente Chico Buarque é um daqueles itens que devem ser encerrados num foguete e enviados para Marte, para que outras civilizações conheçam o que de melhor foi produzido pelos primatas deste pedaço do universo.

Mas o melhor de todos é No Direction Home, a obra-prima de Martin Scorsese sobre Bob Dylan, lançada em 2005 e facilmente encontrada nas lojas que ainda ousam vender CDs e DVDs... São quase quatro horas de filme, entre registros antigos e entrevistas atuais, nas quais o próprio Dylan se analisa de uma maneira incrivelmente aberta (o cara não gosta de se explicar) e honesta. É uma aula de cinema e de música, o melhor dos dois mundos, o encontro de dois gênios. Coisa que merece um post dedicado. Fico devendo este.

E vem mais pela frente: está em fase final de produção Mamonas, o Documentário. Aparentemente, este é o que tem mais potencial de influenciar o espírito do momento. BLOGIE prevê, na esteira do lançamento do documentário, um revival forte dos Mamonas Assassinas: a molecada de hoje vai se amarrar tanto quanto a molecada de quinze anos atrás.

Se faltou algo que mereça citação, comente! Tem muita coisa interessante no cinema para quem gosta de música boa!

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sábado, 20 de junho de 2009 - 3 Comentários

(Publiquei este post faz tempo, e aí a distribuidora atrasou o lançamento do filme, e o filme só estreou nesta sexta-feira. Então republico: aí vai a crítica (uma rara crítica negativa, adianto) de Trama Internacional, com Clive Owen e Naomi Watts.)

A embalagem promete ser exatamente aquilo de que você está precisando numa noite de sábado: um thriller bacana, com trama embolada e cheio de conspirações, rodando por vários países (o que inclui locações pitorescas), muita ação e um casal de protagonistas carismáticos - o sempre cool Clive Owen e a sempre bem-vinda Naomi Watts.

Mas é triste constatar que Trama Internacional é um desperdício de dinheiro, de talento dos atores e de tempo do espectador. Resumindo: é uma porcaria de filme.


















Naomi e Owen no set: pelo menos alguém se divertiu em Trama Internacional.


A tal trama, pra começar, parece ter sido escrita por uma criança de doze anos: um banco de Luxemburgo está sendo investigado pela Interpol (Clive Owen é o agente encarregado do caso) por estar vendendo mísseis para a China. À medida que Owen evolui na sua investigação, ele descobre que a razão para o banco fazer isso é simplesmente... tornar-se credor. Quer dizer, a "trama internacional" é um banco financiar governos corruptos do "eixo do mal" e torná-los dependentes do seu poderoso e misterioso executivo-mor. É bem idiota.

Mais idiota - e mais decepcionante - é o mau uso de Naomi Watts no filme. A loira é talentosa, linda e puxadora de audiência. Então, forçaram a mão para incluir um personagem para ela. E aí aparece a promotora de Nova Iorque que se torna parceira de Owen na investigação. Sabemos que ela é casada e tem um filho (aparece de relance em uma cena), mas nada mais do que isso. Qual é a dela? Ela sente falta da família? O marido reclama do seu trabalho misterioso? Ela quer pegar o parceiro bonitão?

Nenhuma das perguntas tem resposta. Nenhum personagem é minimamente desenvolvido. Isso não é frescura de crítico; é simplesmente a vontade de ver um filme com o qual dá pra se envolver por duas horas. Botar o Clive Owen e a Naomi Watts viajando por vários países, torrando uma grana na produção, e não pintar um climinha qualquer... é uma bobagem.

Enfim, para um filme de roteiro preguiçoso, uma crítica preguiçosa e impaciente. Vamos pra próxima.

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segunda-feira, 15 de junho de 2009 - 3 Comentários

No forno, para alegria da Fiel Torcida: 23 Anos em 7 Segundos, o novo filme do Corinthians!

A produção, da Fox (a primeira de uma série de quatro filmes, que tratarão do tetra brasileiro, do mundial de 2000 e do centenário, no ano que vem), mostra a saga do campeonato paulista de 1977, aquele da redenção, do gol do Basílio, do fim da fila de 23 anos.

Coisa pra doente. Veja o trailer:



Quando eu tinha doze anos de idade, recebi uma ligação. Era meu pai, aflito, me avisando que o Basílio estava no bar de um lava-rápido lá perto de casa, no Tucuruvi. Fui pra lá na hora, munido da minha camisa oficial mais nova (corintiano sempre tem umas seis camisas oficiais em estado de uso), o coração saindo pela boca. Colhi o autógrafo do nosso Salvador na camiseta número 6, Kalunga na barriga e nas costas. E voltei feliz pra casa.

Poucos meses depois, encontrei a mesma camisa lavadinha, cheirosa, imaculadamente dobrada na minha gaveta - e sem o autógrafo do Basílio.

Só mesmo mãe, pra ser perdoada por um crime desses.

Agora, é esperar pelo dia 10 de julho, data prevista para a estreia do filme!

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sexta-feira, 12 de junho de 2009 - 4 Comentários

Dia dos Namorados é uma das grandes frias dos tempos modernos. Você é obrigado a gastar uma bala em flores inflacionadas e presentes variados. Sua a camisa tentando selecionar um restaurante para agradar à patroa. Conseguir uma reserva é mais difícil do que ganhar sozinho na Mega-Sena, e o destino mais provável do pobre diabo é errar de restaurante em restaurante, tentando uma mesinha, sob o olhar de reprovação de uma namorada cada vez mais impaciente.

Nem preciso dizer que fim de noite no motel significa ficar com o carro estacionado na fila de espera por umas duas horas.

Então, minha dica para o leitor esperto é desencanar desses programas óbvios e ficar em casa, comprar um vinho bom, preparar um macarrão e assistir uns filmes bacanas, conduzindo a uma noite sincera de sexo apaixonado!

Quanto ao vinho e à comida, isso é assunto para o blog vizinho, do Marcão, que entende muito mais do assunto do que eu (mas eu vou de Marques de Casa Concha, merlot chileno, que você compra por uns R$ 70 nas Expand da vida). Quanto aos filmes, dou minhas dicas:


1. Fazendo uma média: Como Perder um Homem em 10 Dias


Trailer de um filme para meninas - mas que mostra que homem bacana é homem macho!

Não adianta resistir: a mulherada se amarra em comédias românticas com um certo glamour, e Como Perder um Homem... é um ótimo exemplar. Kate Hudson é a jornalista nova-iorquina que está preparando uma matéria com o mesmo título do filme. A vítima escolhida por ela é o publicitário e bon vivant vivido por Mathew McConaughey - o cara que tem aquilo que as mulheres misteriosamente chamam de "pegada". Tudo bem, vale para agradar. O filme não faz mal a ninguém: ao final, sua namorada aprenderá que McConaughey é o que é justamente porque é um cara bacana, que joga pôquer com seus bróders, não dispensa uma ida ao Madison Square Garden para ver um jogo do NY Knicks e que joga "Duvido" (em inglês, "Bullshit") com sua família. A visão de Kate Hudson em vestido longo amarelo, no final do filme, também ajuda a preparar o clima.




2. Um clássico sempre vai bem: Descalços no Parque


Veja o trailer: Jane Fonda já foi a maior gata do cinema!

A comédia romântica como a conhecemos hoje é uma invenção da década de 60. Bonequinha de Luxo, com a Audrey Hepburn, é a pedra fundamental, mas o filme que deu a cara definitiva veio em 1967, a partir de uma peça de sucesso chamada Descalços no Parque. A peça, que trata de um casal recém-casado que vive umas agruras pós-lua-de-mel, foi escrita e adptada para as telas por Neil Simon, um dos grandes autores da Broadway dos anos 60 e 70 - outras obras adaptadas para o cinema são Sweet Charity, Um Estranho Casal e Metido Em Encrencas, tudo coisa fina...

Para estrelar, foram escalados nada menos do que os dois jovens atores mais talentosos, carismáticos e bonitos de Hollywood: Robert Redford e Jane Fonda.

Redford é o jovem advogado conservador. Jane é a esposa maluquinha. Problemas relacionados a apartamento, vizinho sacana e sogra caem sobre o casal, mas não é pecado eu revelar que tudo acaba bem no final, em uma bela sequência que justifica o título. Não há como não gostar de Descalços no Parque, e, de quebra, não há como esquecer de Jane Fonda neste filme (na minha opinião, nunca houve uma mulher tão perfeita quanto Jane vestindo uma camisa social de homem - e nada mais - na cena final).



3. Esquentando o clima: De Olhos Bem Fechados

















OK, o último filme de Stanley Kubrick é pesadão, cheio de papo-cabeça e ganchos para reflexões mais cabeludas. Mas, até por isso, é o filme perfeito para chamar uma noitada mais quente. Tom Cruise dá uma pirada imaginando Nicole Kidman transando com outro cara, e acaba se metendo numa orgia chique para poucos (veja matéria na VIP deste mês sobre uma festa muito parecida que rolou aqui em São Paulo!), e... e sei lá o que acontece no filme. Não é este o ponto.

O ponto é que De Olhos Bem Fechados é todo "clima", tudo é revestido de sensualidade e gente transando ou pensando em transar, e a complicação da coisa toda é um facilitador para nos mantermos meio estanques ao papo-aranha e emendarmos logo o que interessa.

É exatamente o que a personagem de Nicole Kidman faz, ao encerrar o filme com sua já clássica última conversa com Cruise:

- Há algo muito importante que precisamos fazer...

- O quê?

- Transar.

FIM

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quarta-feira, 10 de junho de 2009 - 3 Comentários

Boa opção para o dia dos namorados no cinema: Duplicidade, com Julia Roberts e Clive Owen - um casal que já provou dar liga em Closer - Perto Demais.

O filme foi escrito e dirigido por Tony Gilroy, o homem por trás do ótimo Conduta de Risco (aquele filme com o George Clooney, que foi indicado para um monte de Oscars no ano passado). Em comum, a trama rocambolesca envolvendo industriais poderosos, os diálogos espertos e o gosto por um estilo pós-007. De diferente, o senso de humor e a tensão sexual entre os protagonistas. O resultado é bem positivo: não é algo que vá mudar a história do cinema, mas é um produto muito bem acabado e agradável. Em suma, seu dinheiro será bem gasto.
















Pelo menos uma sequência é sensacional: a abertura, com os ótimos coadjuvantes Tom Wilkinson e Paul Giamati brigando num aeroporto. Eles são os donos de duas mega-corporações da indústria de bens de consumo, e brigam por segredos industriais e pela vaidade em humilhar o outro. A cena não tem som; apenas mostra os dois discutindo, depois se agarrando e rolando pelo chão, tudo em câmera lenta, sob os olhares atônitos de seus aspones. É simplesmente genial, funcionando como ótima abertura e, ao mesmo tempo, apresentando o conflito que é o pano de fundo da trama.

O rolo é o seguinte: Clive Owen é um ex-agente da MI6 (serviço secreto britânico); Julia Roberts, ex-agente da CIA. Eles tiveram um affair no passado e, hoje, por uma coincidência que dá pulgas atrás da orelha, se veem frente a frente, um trabalhando para a empresa de Wilkinson, o outro para a de Giamatti. O trabalho de Owen é roubar uma fórmula de um produto revolucionário que Julia tem a missão de defender. Veja o trailer:





Mais importante - e mais divertido - do que essa bagunça são os deliciosos flashbacks que mostram a evolução do relacionamento do casal entre quatro paredes, sempre passando por cenários luxuosos em Dubai, Roma, Paris e Miami.

Julia Roberts, aos 41 anos, está menos exuberante, com uma atuação bem mais contida, mas ninguém impediria que ela soltasse aquela risada enorme, toda dentes e espontaneidade, que é sua marca registrada. Ela veio com uns quinze minutos de filme, de modo que não precisamos esperar muito por isso. É bom, porque é legal ver Julia num papel mais maduro e low profile.

Já Clive Owen continua fazendo o papel de Mr. Fudêncio que lhe cabe tão bem. Os filmes de Gilroy vão se mostrando boa plataforma para atores com alto potencial de garotos-propaganda de produtos de luxo (como máquinas de Nespresso, relógios Bulgari, carrões e perfumes em geral) - tanto Clooney como Owen mandam bem nesse quesito.

Minha expectativa, agora, é que deem a Gilroy a chance de dirigir um novo 007 com liberdade para mexer no roteiro e evitar a babaquice de helicópteros explodindo.

PS: Duplicidade é bem melhor do que Sr. e Sra. Smith. E ambos são piores do que True Lies. Completa-se, assim, a trilogia dos filmes de casais de agentes secretos. E o original de James Cameron, com Schwarzenegger e Jamie Lee Curtis, ainda é o melhor.

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terça-feira, 9 de junho de 2009 - 4 Comentários

Recentemente, a atriz americana Jessica Alba foi eleita a mulher mais sexy do mundo, em uma dessas enquetes que não valem nada. Ela ficou famosa pela sua antológica ponta em Sin City, e por papéis que exploram sua beleza. No que diz respeito a grandes produções, ela estrelou O Quarteto Fantástico, como a Mulher Invisível.

Eu nunca entendi por que alguém contrataria a Jessica Alba para ficar invisível, mas vá lá. Prefiro ela bem visível. Olha só:



















Mas o reinado de Jessica Alba está sofrendo uma ameaça: no novo filme de Claudio Torres, chamado A Mulher Invisível, temos Luana Piovani como a mulher imaginária que Selton Mello idealiza e passa a levar a coisa muito a sério. Não dá pra culpar o cara. Veja Luana em cena de A Mulher Invisível:



















Luana também foi eleita a mulher mais sexy do mundo, na única pesquisa que interessa, a da VIP, em 1998. Onze anos depois, ela está melhor do que nunca, e forte para a votação deste ano.

Fica a pergunta para a moçada: quem é a melhor Mulher Invisível? Jessica Alba ou Luana Piovani?

BLOGIE dá seu modesto voto: Luana dá de dez.

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domingo, 7 de junho de 2009 - 11 Comentários

Filme brasileiro sem papo-cabeça, sem favela, sem retirante, sem choro nem crítica social. Antigamente, isso era coisa rara, e como essas coisas são muito chatas, o próprio filme brasileiro tornou-se coisa rara. Daí veio o tal "renascimento", e filmes com bom potencial de público passaram a dar as cartas. Hoje, estamos tranquilos na situação de que temos uns cinco, seis "Se Eu Fosse Você" para cada Walter Salles wannabe.

É o caso de A Mulher Invisível, comédia despretensiosa e muito bem acabada de Cláudio Torres (o mesmo diretor de Redentor). O filme traz Selton Mello como o homem romântico que entra em crise após ser abandonado pela esposa. No ponto mais baixo de sua fossa, ele conhece, de maneira bem improvável, uma mulher perfeita, que imediatamente se apaixona por ele e lhe oferece a vida mais confortável de sexo, devoção e cumplicidade: Luana Piovani, fazendo a linha "nunca estive tão bonita". No apartamento vizinho, Maria Manoella nutre paixão platônica pelo personagem de Mello, munida de muita ingenuidade e um copo unindo a parede ao seu ouvido.

Relembre o primeiro ensaio de Luana Piovani na VIP


A partir daí, o filme é feito das situações bizarras que Mello protagoniza em público, imaginando que está abafando com uma Luana Piovani arfante, bem como dos contrapontos cômicos de Vladimir Britcha e Fernanda Torres, como a irmã desbocada de Maria Manoella.

É com essa fórmula consagrada de Hollywood - a da comédia romântica baseada em uma premissa absurda e que equilibra humor rasgado com ingenuidade assumida, rumando ao final feliz - que Cláudio Torres adiciona um belo feito à sua produção. O filme é muito bem feito, desde seus créditos iniciais, passando pelo roteiro repleto de boas frases e bons personagens, culminando em um ótimo trabalho de direção de atores (todos estão ótimos, e Selton Mello brilha) e de edição. A trilha sonora - com sons nada óbvios dos Ramones e da Janis Joplin - é ótima, e faz você ter vontade de ficar no cinema até o final dos créditos, para anotar os nomes das músicas.



Luana Piovani, como se viu no trailer acima, é um capítulo à parte. O amigo leitor que não tiver lá muito interesse sobre essa conversa de cinéfilo pode ir no cinema tranquilo, que a missão se pagará. Digamos que a condição de "mulher ideal" da moça é explorada a contento, pelo menos no que diz respeito à forma física.

Veja as fotos do mais recente ensaio de Luana Piovana na VIP

Ou seja: Torres (que é filho da Fernanda Montenegro e sócio da Conspiração Filmes) consegue fazer um filme com alto potencial de bilheteria, que consegue agradar os marmanjos (apesar da premissa bem feminina) e, tudo isso, embalado com o apuro estético que só se vê em filmes americanos.

De quebra, o diretor vai construindo um certo padrão autoral em sua obra: A Mulher Invisível, assim como Redentor, trata de um homem que desce a ladeira da dignidade e da sanidade ao se apaixonar por uma mulher que está bem acima da sua liga. No caminho, a perda das seguranças e confortos da classe média (emprego, amigos) e muitas trapalhadas, enquanto se busca uma certa purificação da alma. Pedro Cardoso, no primeiro filme, e Selton Mello, neste divertido conto d'A Mulher Invisível, vão montando o personagem-padrão do cinema de Torres.

Um filme que entra muito bem numa noite de sexta, sábado ou domingo. Sem risco de errar. Pode comprar o ingresso. É bacana.

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sexta-feira, 5 de junho de 2009 - 6 Comentários

David Carradine sempre foi um cara com pinta de final trágico. E foi o que ele teve. O astro de Kill Bill e de séries meio trash dos anos 70 morreu há dois dias. Primeiro, parecia que era suicídio. Agora, as notícias sugerem que o cara sofreu um acidente bizarro: ele morreu enforcado por um complicado sistema de cordas que apertava seu pescoço e seu pênis ao mesmo tempo.

Ou seja, parece que ele era adepto daquela modalidade de masturbação feita junto com um estrangulamento controlado. O problema é que alguns caras, perseguindo o orgasmo mais poderoso, vão cada vez mais perto do sufocamento total. E aí, já era. Outro adepto famoso, Michael Hutchence, vocalista do INXS, perdeu a vida da mesma maneira.

Bem sinistra, essa história, não?
























Carradine teve uma carreira bem irregular. Foi revelado na série de TV Kung Fu, e virou meio cult. Teve um único papel sério de destaque no cinema: foi o herói folk Woodie Guthrie, na cinebiografia This Land is Your Land. E ficou esquecido um tempão, até o renovador profissional de carreiras Quentin Tarantino escalá-lo para a série Kill Bill. Ele era Bill, o malvado antiherói romântico que é objeto da perseguição de Uma Thurman.

A morte de Bill, através da "técnica da explosão de coração em cinco pontos", foi bem mais bonita e poética do que a morte do ator. Lembremos dele assim.



BLOGIE faz um minuto de silêncio por David Carradine, um homem que buscou o prazer até o fim.

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quinta-feira, 4 de junho de 2009 - 2 Comentários

Coisa de moleque, mas divertido: a moda é, imitando o pirralho Kevin de Esqueceram de Mim, fazer trotes utilizando apenas falas (com som original) de filmes.

O trote abaixo foi feito apenas com a voz do Al Pacino. Ele está pedindo uma limousine. Divirta-se.



O lance, agora, é identificar de que filmes saíram as falas. Quem se arrisca?

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quarta-feira, 3 de junho de 2009 - 1 Comentários

Graças a uma péssima mania - a de afinar pra patroa, que detesta filmes de ação - e a um saudável preconceito - fugir de filmes do Michael Bay, o "gênio" por trás de Armagedon e Pearl Harbor -, acabei não vendo Transformers - o Filme. Isso significa que cheguei atrasado na última mania mundial em matéria de mulher: Megan Fox.

Mas BLOGIE manda avisar que, no dia 26 de junho, não incorrerei no mesmo erro.

Ainda mais depois da divulgação das primeiras fotos do filme. Se liga só:


Quer dizer, qual o problema em encarar um filme baseado em um dos brinquedinhos mais bestas da história? Vamos nessa. Talvez eu até mude minha opinião sobre o Michael Bay.
Ou não.

 

 

 

 

 

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segunda-feira, 1 de junho de 2009 - 4 Comentários

Em cartaz nos cinemas mais alternativos da sua cidade: Budapeste, de Walter Carvalho, baseado no romance do Chico Buarque.


Até vou escrever uma crítica sobre o filme, que merece uma reflexão mais desenvolvida mas, antes, uma constatação de macho: o Chico é o cara mesmo. Escreve um livro difícil, sobre um escritor anônimo que fica obcecado pelo idioma húngaro - e por uma mulher húngara. É elogiado e, por ser quem é, obtém boas vendas. Como é de se esperar, o livro vira filme. E o filme é bom. Mas, acima de tudo, o cara consegue atrizes globais do primeiro escalão topando ficar peladas gratuitamente no filme. Esse é o Chico Buarque.

Pra começar, que tal essa foto de uma cena do filme?
















Esta é Paola Oliveira, que anda usando o cinema para papéis mais ousados (vide Entre Lençóis, o filme caseiro que ela fez no motel com o Gianechini), aparece peladinha numa alucinação do protagonista, José Costa, o tal escritor. Closes, nu frontal, a entrega à arte é total.

Mas não fica só nisso: Giovanna Antonelli também desfila como veio ao mundo no filme, em duas cenas quentíssimas. Na primeira, ela desfila sua nudez completa pela tela, numa coreografia que remete às pornochanchadas dos anos 70, para, logo depois, fazer o favor de tapar a desagradável visão do falo de Leonardo Medeiros (o ator principal da fita), deitando-se sobre o rapaz - e revelando um derrière gloriosamente bronzeado. Já na segunda, ela povoa os pesadelos do protagonista, que a imagina transando apaixonadamente com o alemão malvado (lembro de João e Maria, a canção do Chico, na qual o cara enfrentava os alemães e seus canhões).
















Entre uma cena e outra, Giovana não larga da sua revista favorita.

Reforçando o time, a modelo/atriz (lê-se "modelo-barra-atriz") Débora Nascimento faz uma ponta linda, linda, linda, como a morena à la Gabriela Cravo-e-Canela que deixa o alemão malvado louco. A imagem do cara que escreve seu livro todo dia no corpo da mulher já é forte e erótica no livro; em filme, e com essa moça toda rabiscada, é pornografia pesada. E ainda assim artística.
























Débora Nascimento, em ensaio feito para a VIP. No cinema, tem muito mais.

Fechando a seleção das peladonas neste filme brasileiro à moda antiga, com bastante papo-cabeça e muita mulher pelada, a húngara Gabriella Hámori aparece com destaque como o principal interesse romântico de Costa. Ela defende com graça e talento seu papel no meio de tanta mulher bonita. Faz frio, muito frio em Budapeste, mas ela também tem que exibir um pouco de pele pelo bem do cinema nacional.


É isso. Se o leitor não tiver interesse por filmes de arte cheios de simbolismos, é provável que ele tenha adormecido antes da primeira aparição de Giovana Antonelli nua. Para os mais resistentes, não haverá decepção. Como dizem os americanos, coisas boas vêm para aqueles que sabem esperar.


(Para o pessoal que leva cinema a sério e que não gostou nada deste post: vou escrever a sério sobre Budapeste. Mas uma coisa de cada vez; não dá pra falar disso enquanto a visão da Paola Oliveira continuar rondando a cabeça e embaralhando as ideias...)

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sábado, 30 de maio de 2009 - 0 Comentários

Há exatamente um ano, no dia 30 de maio de 2008, um sonho de infância deste blogueiro se realizava: estive num show do Bruce Springsteen, no Emirates Stadium, em Londres.

Como falei do Nick Hornby nesta semana, este post se faz adequado.

Lembrando: o escrito londrino mora nas imediações do estádio do seu time do coração, o Arsenal. Portador de um carnê que vale para a temporada toda, não perde um jogo no belo Emirates Stadium. E é fã inveterado do Boss, coisa que aparece em seus livros, especialmente em Alta Fidelidade.

Pois não pude deixar de pensar que eu estava tendo "A" experiência definitiva de Nick Hornby, ali, na "casa" dele, vendo o Bruce em pessoa, cantando Thunder Road, Born to Run e todas aquelas canções sobre losers e carros e garotas impossíveis, a plenos pulmões. Confesso que fiquei procurando a careca do escritor, no meio do mar de carecas que, misturadas às cabeças brancas (o rock está envelhecendo), lotavam o Emirates.

Sou o par de mangas vermelhas que vai ao ar, aos 42 segundos do vídeo abaixo, que traz o comecinho do show. Inesquecível.



Não consigo me colocar no lugar de quem não estava lá, então não sei se esse vídeo vagabundo diz algo a você. Mas, pra mim, ele diz tudo e mais um pouco.

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