sexta-feira, 16 de outubro de 2009 - 6 Comentários

Alguém se deu ao trabalho de juntar 100 das melhores frases do cinema em 200 segundos.

A pegada é pop: tem desde clássicos obrigatórios como Cidadão Kane e Taxi Driver até comédias despretensiosas como Ace Ventura  e Penetras Bons de Bico - mas sempre com frases imediatamente identificáveis. Tem o Adriaaaaan! de Rocky Balboa e o I'll be back do Terminator. Tem Biff praticando um bullying pra cima de Marty McFly em De Volta para o Futuro e tem Han Solo "desejando" que a Força esteja com Luke Skywalker...

Veja o resultado:



Vendo todas juntas, as que mais me chamam a atenção são as aparições do Marlon Brando: o grito desesperado (Steeeeella!) em Uma Rua Chamada Pecado, o desabafo (I could've been a contender...) em Sindicato dos Ladrões e a calma da "oferta que ele não poderá recusar" em O Poderoso Chefão.

Assustadora também é a fala do diretor do presídio em Rebeldia Indomável (aquela frase que foi usada na abertura de Civil War, do Guns'n'Roses).

E o contraponto cômico é ver Mel Gibson urrando por liberdade no seu Coração Valente...

Diga o que achou da lista!

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009 - 3 Comentários

Durante a semana passada, a Forbes deu uma notícia curiosa: dentre todas as estrelas de Hollywood, a que dá mais retorno financeiro para os estúdios não é Angelina Jolie, Nicole Kidman ou Scarlett Johansson, mas sim a australiana - e agora quarentona - Naomi Watts.

























Naomi Watts: quem não investiria nela?

A conta é a seguinte: pegaram a bilheteria total dos filmes em que as moças atuaram e dividiram pelo cachê de cada uma. E Naomi venceu, ao pagar aos empregadores US$ 41 milhões pra cada milhão recebido.

Avaliação do BLOGIE: justo, justíssimo. Naomi é linda, talentosa e séria como atriz. Protagoniza dramalhões (21 gramas), thrillers (Trama Internacional) e blockbusters de ação (King Kong) e de terror (O Chamado). De vez em quando, privilegia filmes de autor, como o cult Cidade dos Sonhos, do David Lynch. No ano que vem, estará no novo filme do Woody Allen.
















Em Cidade dos Sonhos, Naomi embarca na viagem de David Lynch - e deixa pelo menos uma cena na história do cinema...

Quer dizer: Angelina Jolie emagrece, adota pencas de filhos, rouba o marido da Jennifer Aniston, representa a Unicef, causa confusões, se tatua e tudo mais, mas, no fim das contas, ela deveria é estar estudando uns roteiros e escolhendo bons filmes pra fazer. Sua decantada atuação em A Troca, do Clint Eastwood, é a única coisa digna de nota que ela fez desde Garota, Interrompida - e, mesmo assim, não é grande coisa.

Veja a lista das estrelas que dão grana pros estúdios:

1- Naomi Watts (O Chamado, King Kong, 21 Gramas)

2- Jennifer Connelly (Uma Mente Brilhante, Hulk, Diamante de Sangue, Ele Não Está Tão a Fim de Você - aliás, depois de ter sido musa teen, que grande carreira Jennifer tem feito nesta década!)

3- Rachel McAdams (Diário de uma Paixão, Penetras Bons de Bico, Meninas Malvadas - uma surpresa, não? Mas a moça é talentosa e muito bonita, merece um ingresso sério no primeiro escalão de Hollywood...)

4- Natalie Portman (série Star Wars, Closer - Perto Demais  e poucos outros filmes: Natalie escolhe a dedo seus projetos, faz filmes independentes por dinheiro de pinga e evita a superexposição. Seu papel de Rainha Amidala a garante na lista.)

5- Meryll Streep (graças a Mamma Mia! e O Diabo Veste Prada, e sem perder a mão de grande atriz, como mostram Dúvida e tantos outros...)

Depois, vêm Jennifer Aniston, Halle Berry, Cate Blanchett, Anne Hathaway e Hillary Swank.

Nem sinal de Scarlett e Angelina.

Tem gente se atribuindo um preço muito alto para o que entrega.

Quanto a mim, nem preciso mentir. Já escrevi no BLOGIE várias vezes que considero Naomi Watts a atriz que está no "ponto ótimo" (maturidade, talento e beleza). A aposta mais segura que posso fazer é que ela ganhará um Oscar dentro dos próximos três anos (já deveria ter levado o seu por 21 Gramas).

Minhas outras apostas pessoais são Natalie Portman e Scarlett Johansson. Tirando o preço alto e a falta de medo de se expor da loira, ela é sempre uma atração e, hoje, é provavelmente a maior estrela do cinema. Natalie cuida melhor da carreira, é mais seletiva, mas ainda vai fazer bastante barulho. O destino de ambas é serem ícones complementares de uma era, como foram Marylin Monroe e Audrey Hepburn nos anos 50.

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009 - 0 Comentários

Continuando com a série de cenas de abertura espetaculares, hoje BLOGIE traz três clássicos dos anos 80.


Nenhum dos filmes aspirou a Oscar ou a algum lugar especial na história do cinema, mas todos foram dirigidos com grande competência e, mais importante, contam com sequências de abertura que garantem a atenção do espectador.


Comprove!

Garotos Perdidos (1987): quando vampiros adolescentes eram gente realmente estranha...


Nestes dias chatos, Crepúsculo faz sucesso com vampiros adolescentes que evitam fazer aquilo que vampiros e adolescentes mais querem fazer - se alimentar com sangue alheio e transar.


Já nos anos 80, Joel Schumacher fez um filme com vampiros jovens que são verdadeiramente barra-pesada: se divertem matando uns desavisados, andam de moto, pegam a mulherada geral e moram numa caverna sinistra com pôster do Jim Morrison na parede.






A sequência inicial traz a mãe solteira Dianne Wiest, com seus filhos adolescentes, Corey Haim e Jason Patric, chegando a uma cidadezinha de fim de mundo. Os moleques já preveem uma vidinha tediosa, pois o único point local é um parque de diversões.


Mas logo descobrirão que a cidade é cheia de gente estranha. Trilha sonora: People are Strange, do Doors, tocada com classe pelo Echo the Bunnymen, com direito a solo de teclado do grande Ray Manzareck!


Alguém Muito Especial (1987): o triângulo amoroso padrão dos anos 80


Um exercício de estilo bem interessante: na história escrita pelo então maioral do cinema adolescente John Hugues, temos um clipe de 3 minutos em que todos os personagens principais são apresentados, sem que uma fala seja dita.





Temos Mary Stuart Masterson como a roqueira solitária; Eric Stoltz como o pobretão sonhador; e Lea Thompson como a patricinha que passa o rodo. O triângulo está apresentado, e uma geração de meninas idolatram esse filme de roteiro redondinho, um campeão da Sessão da Tarde. (O recente Ele Não Está Tão a Fim de Você presta uma homenagem incrível a Alguém Muito Especial, elegendo-o um tipo de Curtindo a Vida Adoidado das meninas.)

Em tempo: a música, Dr. Mabuse,  é duma banda chamada Propaganda.



Afinado no Amor (1998): Adam Sandler enfia o pé na jaca

Este filme foi feito no meio da década de 90, mas tem o mérito histórico de ter sido o primeiro "filme de época" ambientado nos anos 80.

Adam Sandler é o cantor de casamentos que, como todo cantor de casamentos, inclui no repertório todos os sucessos do momento, pois seu trabalho é animar a festa.

Essa festa começa ao som de gosto abjeto da banda de tecno-pop Dead or Alive: You Spin Me Round (Like a Record).



O que faz dessa cena tão simples uma ótima cena de abertura? Primeiro, a apresentação do personagem: de cara, reconhecemos em Adam Sandler um cara amável, de bom coração, meio sem senso do ridículo (e muitos, como eu, conheceram Sandler através deste filme, o que significa que não entramos esperando "uma comédia do Adam Sandler). Depois, temos a reconstituição de época que ressalta o aspecto absurdo dos anos 80:  penteados, cores, roupas - enfim, toda a cafonice. E há os créditos de abertura rapidinhos, que emulam aqueles efeitos de vídeo de casamento dos primórdios do VHS. Enfim, nota dez!

Hoje, fui numa lista de filmes mais despretensiosos. A próxima vai voltar no cinema mais "sério".

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009 - 1 Comentários

Dica do blog Desculpe a Poeira: o American Film Institute (AFI) divulgou a lista das 100 melhores frases de filmes de todos os tempos.

http://www.afi.com/tvevents/100years/quotes.aspx

Em primeiro destaque, o tratamento master de Clark Gable a Vivian Leigh em ...E o Vento Levou:

"Frankly, my dear, i don't give a damn!"






















Gable está na pegada, mas diz que não tá nem aí...

Destaque também obteve O Poderoso Chefão, com suas ofertas irrecusáveis e tantas outras bossas - foram sete frases pescadas da trilogia.

O maior autor de frases da lista é o grande Billy Wilder, com 13 frases espalhadas pelos seus clássicos (Se Meu Apartamento Falasse, Crepúsculo dos Deuses, Sabrina, Quanto Mais Quente Melhor...).

E o patrono deste blog, o ícone macho Humphrey Bogart, é o ator com mais frases imortais: dez ao todo, e a principal delas é o título do primeiro post de BLOGIE: o irresistível e sóbrio brinde com Ingrid Bergman...

"Here's looking at you, kid."

Lembrando a quem passou a acompanhar este espaço recentemente: o apelido de Bogart em Hollywood (mas só junto à alta brodagem e ao mulherio) era "Bogie". Em homenagem a ele, chamei este espaço de BLOGIE. E essa foto ridícula aí do lado é uma montagem feita em cima de uma foto clássica do cara em O Falcão Maltês.

























O Bogie original. Não confundir com imitações baratas.

Qualquer dia falo de Casablanca no Filme VIP da Semana. Tenho o filme como um guia de vida. Tudo o que um homem precisa saber - sobre mulheres, trabalho, amizade, causas nobres, prazeres mundanos, angústias supremas -, está tudo lá. Bogie ensina o caminho.

Em tempo: e ele nunca disse "play it again, Sam"... essa é do Woody Allen, em sua peça Sonhos de um Sedutor, na qual ele recebe conselhos amorosos de Bogart.

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009 - 3 Comentários

No cinema, ao contrário da vida, a segunda vez quase nunca é melhor do que a primeira. A revista Empire garimpou as exceções e preparou uma lista com as melhores sequências de todos os tempos. A campeã foi Aliens, o Resgate.

Razoável. A lista também traz coisas desnecessárias como Toy Story 2 (por que não Shrek 2?) e A Supremacia Bourne, além de uma verdadeira bomba que é Superman 2 (aquele com os três bandidos que o Marlon Brando mandou pro espaço no primeiro filme).

Mas traz filmaços inquestionáveis, como O Poderoso Chefão - Parte II, O Império Contra-Ataca e Batman - O Cavaleiro das Trevas.

E ainda traz duas curiosidades deliciosas: o trash Uma Noite Alucinante, a sensacional continuação de Evil Dead (do Sam Raimi), e a singela continuação da história do jovem casal que se conheceu num trem em Viena, nove anos antes: Antes do Pôr-do-Sol, do Richard Linklater.























Ash e sua mão boba garantem um lugar para Uma Noite Alucinante na lista de melhores sequels...



Enfim, uma ótima lista, com suas obviedades, suas descobertas e sua polêmica...



Confira a lista da Empire:

1- Aliens, o Resgate

2- O Poderoso Chefão - Parte II

3- O Exterminador do Futuro 2


4- Toy Story 2

5- Batman - O Cavaleiro das Trevas

6- O Império Contra-Ataca

7- A Supremacia Bourne

8- Antes do Pôr-do-Sol

9- Superman 2 - a Aventura Continua

10- Uma Noite Alucinante



Agora, a lista de BLOGIE, em contagem regressiva:

10- Batman - O Retorno (com a Michelle Pfeiffer de Mulher-Gato!)

9- O Império Contra-Ataca


8- Batman - O Cavaleiro das Trevas

7- Antes do Pôr-do-Sol

6- Uma Noite Alucinante

5- Indiana Jones e o Templo da Perdição (pela cena do jantar com miolos de macacos!)

4- Indiana Jones e a Última Cruzada (porque é o melhor filme da série)

3- Kill Bill Vol. 2 (se bem que nem pode ser considerado uma sequência... mas é nota dez!)

2- 007 Contra Goldfinger (007 pode entrar na lista? Na minha, deve!)

1- O Poderoso Chefão - Parte II


Fato: qualquer lista que não bote o segundo Chefão, com seu Al Pacino cruel, consumido e indiferente, e seu Robert DeNiro em estado de graça, é simplesmente mal intencionada. Não é só a melhor sequência; concorre a melhor filme de todos os tempos (com o primeiro filme da série, claro).



















DeNiro como Don Vito Corleone: não ponha seu filme em segundo lugar, que ele pode responder com uma proposta que você não poderá recusar...


Mas lista legal mesmo deve ser a das piores sequências. É tanto abacaxi que tem que ser um Top 100...

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terça-feira, 18 de agosto de 2009 - 5 Comentários

O site Mr. Skin é uma referência em matéria de atrizes peladas. Ele traz como missão localizar, divulgar e analisar cenas em que há nudez feminina. E o faz com humor e muita ironia, fugindo do padrão pornô-seeker que infesta a web.

A última do Mr. Skin é uma lista com as 100 Melhores Cenas de Nudez do cinema.

BLOGIE analisou a lista - que é boa -, e mostra abaixo as suas preferidas. Comente!


94- Mischa Barton em Um Amor para Toda a Vida















O filme é fraquinho, mas Mischa dá show ao chamar a responsa e pegar o rapaz à luz do dia!


64- Naomi Watts e Laura Harring em Cidade dos Sonhos














Muito já se falou sobre as cenas da loira e da morena se pegando na cama e no sofá. Mas até agora ninguém conseguiu explicar o que significa o filme do pirado David Lynch...


50- Jennifer Aniston em Separados pelo Casamento




















Para chamar a atenção do maridão ocupado com esporte na TV e video-game, Jennifer apela para a já clássica brazilian wax, e desfila peladinha para delírio da torcida.


39- Cybill Shepherd em A Última Sessão de Cinema















De tão a fim de provar que é malandrinha e sair logo do zero a zero, a virginal Cybill resolve encarar uma festinha desinibida na piscina de um ricaço.


25- Kim Basinger em 9 e 1/2 Semanas de Amor




















Clássico absoluto do pornô-soft, 9 Semanas e 1/2 continua surpreendendo por duas coisas: 1) pela pretensa aura cool a que aspirava, revelando-se hoje pura breguice; e 2) pela beleza de Kim Basinger, em cenas pra lá de generosas na mesa, no chão da cozinha, na cama, na sacada, no metrô... não é de se admirar que Mickey Rourke tenha se tornado um pervertido.


13- Monica Bellucci em Malena













Monica Bellucci entra para a história como Malena, a mulher mais bonita da Itália em guerra. Dali para a frente, ela seria sinônimo de mulher muito, mas muito gostosa. O moleque da foto pode atestar.


20- Jennifer Connelly em Um Local Muito Quente




















Que Jennifer Connelly foi a ninfeta nº 1 dos anos 80, todos sabem. Ela enfeita Labirinto, Rocketeer e várias outras fantasias juvenis. O que poucos conhecem é Um Lugar Muito Quente, um filmeco vagabundo onde, sem razão aparente, Jennifer e uma amiga passam muito tempo pegando uma cor peladas...


13- Shanon Elizabeth em American Pie




















American Pie não tem nada de mau. O filme é engraçado, traz uns comediantes talentosos (o abobalhado Jim e o escroque Stiffler) e, cereja do bolo, tem Shanon Elizabeth como a intercambista húngara que quer transar de qualquer jeito com Jim. Perfeitamente normal, diria o pai dele.


9- Alyssa Milano em O Abraço do Vampiro






















Alyssa teve seu momento, em meados dos anos 90. Toda santinha, estilo "menina da Capricho", era o sonho de consumo da molecada. Do nada, quis provar que era atriz de verdade se metendo em um filme horrível que tinha vampiro no meio, cujo único objetivo era exibir a bobinha pelada. Hoje, é sucesso nos downloads da vida.


8- Eva Green em Os Sonhadores












O fato de Os Sonhadores, do Bertolucci, ser um bom filme, é até esquecido. Se ele é lembrado, é por ter revelado em grande estilo Eva Green, a mulher que quase fez James Bond virar um babaca. Aqui, ela inebria os sentidos do irmão e de um estudante americano.


6- Kelly Preston em A Primeira Transa de Johnathan













Hoje famosa por ser esposa do John Travolta, Kelly foi musa teen nos anos 80. Esta comédia - com o clássico tema do moleque empenhado em perder a virgindade - era até acima da média. Aliás, como Kelly estava acima da média da mulherada de peito caído que populava os Porky's da vida...


1- Phoebe Cates em Picardias Estudantis
















Digam o que quiserem. Eu concordo com o Mr. Skin: a fantasia definitiva do cinema é Phoebe Cates emergindo da piscina e andando em direção à câmera, uma névoa fina de água caindo em volta dela, as mãos agindo rapidamente ao tirar a parte de cima do biquíni vermelho. A cena dura pouco, mas o suficiente para o irmão mais velho de sua amiga prestar uma homenagem infame.

A lenda garante que as cópias de VHS do filme nos EUA tiveram que ser recolhidas, pois ficavam estragadas com tantas rebobinadas rápidas e repetições em slow-motion...

Confesso que, lá pelos idos de 1990, tive o prazer de estragar minha própria fita gravada em EP. Fico tranquilo em saber que as novas tecnologias estão aí para guardar o nobre legado de Phoebe.

P.S.: para ver a lista completa, vá ao Mr. Skin: http://www.mrskin.com/top100#10-1.

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segunda-feira, 6 de julho de 2009 - 4 Comentários

Há quarenta anos, a Apollo 11 pousava na lua, o Neil Armstrong falou aquela frase famosa, a TV transmitiu o episódio ao vivo e as mesas redondas de 1969 passaram a discutir se a coisa toda não era armação dos ianques.

Na VIP deste mês, em alusão a tão importante efeméride, você encontra uma matéria que traz uma seleção de lunetas, binóculos e telescópios, acompanhada de dicas de um astrônomo da USP sobre como observar os astros. Não que você não possa espiar a vizinha com o aparato.

Aproveitando o gancho, BLOGIE preparou uma lista das melhores citações à Lua no cinema - no sentido físico ou poético, vale tudo. Este tipo de lista é bacana, porque dá pra ser bem eclético.


Poucas e Boas: um maluco e uma lua de papelão


Woody Allen, Sean Penn, jazz do bom: um filme que você não pode perder!

No filmaço de Woody Allen, Sean Penn é Emmet Ray, um genial guitarrista de jazz dos anos 30. Apaixonado pela lua, Ray resolve entrar no palco - bêbado - montado em uma enorme lua minguante de papelão. Dá tudo errado, mas a cena é poesia pura.



Namorada de Aluguel: o velho xaveco da lua funciona

























Até pagar ele pagou, mas a gata só caiu na dele quando ele assumiu a nerdice.

Uma das comédias adolescentes mais populares dos anos 80 (vale uma lista sobre o assunto), calcada na velha história do nerd que se apaixona pela maior gata da escola. A gata, inexplicavelmente, acaba se mostrando afeita ao papo-cabeça do rapaz: ele descreve poeticamente - e em detalhes - o relevo lunar, enquanto ela espia o mar da tranquilidade pela sua luneta.



2001 - Uma Odisseia no Espaço: um passeio pela cratera de Clavius



A trilha é sinistra, e Kubrick não tinha pressa, mas o filme é bom!

No maior clássico da ficção científica, a aventura está só começando quando o Dr. Floyd viaja até a base lunar montada dentro da cratera de Clavius (um buraco com mais de 200 km de diâmetro!) para discutir um tal monolito negro. De lá, ele se manda em missão a bordo de um "ônibus lunar".

Austin Powers - Um Agente "Bond" Cama: a lua vira a Estrela da Morte



Dr. Evil recebe a moçada em sua base lunar - até que um engraçadinho começa a mexer na cena...

Dr. Evil continua tentando dominar o mundo - e roubar o mojo de Austin Powers... no segundo filme da série, o vilão afetado pretende explodir Washington com um canhão laser instalado na lua. Organizado, Dr. Evil divide a lua em duas áreas: a Unidade Alfa e a Unidade Zappa. Psicodelismo puro.



Feitiço da Lua: uma mulher de fases
























Deve-se respeitar uma mulher que vai receber um Oscar fantasiada de pavão preto.

Tem que ter estômago pra engolir um filme com um casal central tão inusitado quanto Cher e Nicolas Cage. Mas a história da mulher dividida entre o noivo e o cunhado, totalmente influenciada pelas fases da lua, é boa e rendeu Oscars para Cher (como melhor atriz) e para o roteirista, John Patrick Shanley (o mesmo autor do recente Dúvida).



Independence Day: nos alienígenas, a gente acredita; difícil é engolir o Bill Pulman como presidente dos EUA


(filme ruim não merece nem fotinho)

A cena inicial mostra uma nave alienígena fazendo um voo rasante pelo solo lunar. Passando bem perto do local onde a Apollo 11 pousara, os monstrengos levantam poeira e apagam as pegadas deixadas por Neil Armstrong e Edwin Aldrin. Mas Bill Pulman, o presidente americano mais bola-murcha da história do cinema, salvaria todo o mundo mais tarde, a bordo de um teco-teco...


Em suma, dá um pouco de trabalho selecionar filmes que tenham na Lua um tema central. Melhor e mais perigoso uso da luneta fez James Stewart em Janela Indiscreta, do Hitchcock. Assunto para outro post.

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terça-feira, 31 de março de 2009 - 2 Comentários

Um leitor assíduo deste blog decretou: Gran Torino é o filme VIP do ano. É difícil discordar do cara: é mais uma obra-prima de Clint Eastwood, e parece ter sido concebido para coroar uma carreira única no cinema (Clint já anunciou que este será seu último filme como ator).

Clint Eastwood, vamos esclarecer, é um cara que ficou famoso como astro canastrão de faroestes. Estrelou filmes lendários do Sergio Leone (Por um Dólar a Mais, Por um Punhado de Dólares, O Bom, o Mau e o Feio) durante os anos 60. Já na década seguinte, virou herói de ação e ícone com seu personagem Dirty Harry, o policial que resolve a parada com suas próprias mãos. Artisticamente, pode-se dizer que atingiu um feito ao estrelar A Fuga de Alcatraz, em 1979. Isso tudo seria suficiente para incluí-lo no rol das grandes lendas do cinema.

O diabo é que o cara também quis ser diretor. Fez alguns filmes nos anos 70 mas, a partir da década de 80, foi acertando a mão. Em 1992, aos 62 anos de idade, dirigiu e estrelou Os Imperdoáveis, vencedor do Oscar de melhor filme. Era a coroação da carreira de Clint, um ciclo se fechando, a volta ao faroeste em grande estilo, um belo ponto final.

E aí, inesperadamente, o homem começou a enfileirar obra-prima atrás de obra-prima, filmes de todo tipo e gênero, tornando-se um dos grandes diretores vivos americanos - hoje, ele só encontra concorrência em Woody Allen e em Martin Scorsese.

Clint Eastwood completará 80 anos no próximo mês, e BLOGIE aproveita para nomeá-lo o cineasta VIP (de todos os tempos). Para homenageá-lo, listamos os melhores filmes de Clint. Confira!

Honkytonk Man (1982)



Um filme pouco conhecido e muito bom! Veja o trailer!

Começa a aparecer um dos temas centrais da obra de Eastwood: a decadência, o acerto de contas com o passado. Ele faz o protagonista Red Stovall, um homem corroído pelo fracasso e pelo alcoolismo. Está doente, em estágio terminal e resolve ir para Nashville, para tentar gravar um disco como cantor country. Arrasta, para ajudá-lo na missão, seu sobrinho de 14 anos. A visão que temos do filme é a do moleque, que vê em Red um herói injustiçado, e é pelas vias tortas do tio que ele é iniciado na vida - carros, crimes, mulheres, redenção, morte. Um belo e subestimado filme, que não fez muito sucesso, mas que pelo menos serviu como matriz para uma cópia famosa - A Encruzilhada, aquele filme do Ralph Macchio buscando o blues perdido no Mississipi.

Bird (1988)

Novamente, a música. Novamente, um homem talentoso que destruiu sua própria vida com vícios e mulheres. Só que a história, aqui, é verdadeira: Bird é o apelido de Charlie Parker, lenda do jazz retratado pela melhor bio-pic de todas (bota os recentes tributos a Ray charles e Johnny Cash no chinelo). De quebra, Eastwood encontrou em Forrest Whitaker um grande ator (até então, ele se destacava em alguns papéis segundários).


Os Imperdoáveis (1992)


















O Western vira arte nas mãos do seu mais famoso pistoleiro.


Tido como a obra-prima de Eastwood, Os Imperdoáveis chega arrebentando na tela. É grande, bonito, épico, como os grandes faroestes do Sergio Leone (ele aprendeu bem a lição), mas traz uma amargura própria na mistura. Aqui, o herói consumido pela culpa tem uma dimensão humana que não aparecia nos clássicos. Clint é William Monny, um pistoleiro aposentado que, ao constatar que não se adapta à vida civil de fazendeiro, resolve encarar mais um trabalho - comprando a briga de umas prostitutas com o xerife local, vivido por Gene Hackman. Grandes atuações de Eastwood, Hackman e Morgan Freeman (que faz o velho parceiro de Monny), música épica composta pelo próprio Clint e a primeira mostra do que ele poderia oferecer como diretor. O melhor western de todos os tempos.


As Pontes de Madison (1995)

A princípio açucarado demais para o gosto masculino, As Pontes de Madison engana: é um filme devastador sobre a maturidade. E é um belo romance. Clint é o fotógrafo da National Geographic que está fazendo uma matéria sobre as curiosas pontes cobertas de Madison County. Acaba encontrando Francesca (Meryl Streep), uma mãe de família sozinha e frustrada, que lhe ajuda a encontrar as pontes e, de quebra, engata um rápido e marcante affair com o forasteiro.

A ingratidão dos filhos - outro tema que Eastwood retomaria anos depois, em Gran Torino -, o dilema entre seguir as regras (e arrefecer os instintos) ou quebrá-las (e ir pras cabeças), a cumplicidade entre um casal adulto... são muitas coisas importantes que acontecem em As Pontes de Madison, e Clint Eastwood esculpiu uma pequena e despretensiosa joia. Grande atuação de Meryl.


Sobre Meninos e Lobos (2003)














Sean Penn vai até o fim em Sobre Meninos e Lobos.


Aqui, a coisa começa a ficar pesadona. O pessimismo toma conta do velho caubói e outra obra-prima sai da sua cartola: o drama do pai (Sean Penn) que perde a filha e não consegue seguir em frente. A sede de vingança consome tudo que há de humano ou razoável no homem - e em todos à sua volta: seus amigos de infância, vividos por Kevin Beacon (que é o detetive encarregado do caso) e Tim Robbins (que sofrera abusos quando criança), são arrastados pra dentro desse poço sem fundo. Sean Penn arrebenta e ganha seu primeiro Oscar de melhor ator (tirando o doce da boca de Bill Murray, que concorria por Encontros e Desencontros).


Menina de Ouro (2004)

Um filme que pega o desavisado na curva. A primeira metade promete (e entrega) um agradável filme de redenção através do esporte, trazendo Hillary Swank como a pobretona que encontra no boxe uma chance de sair do buraco. Clint é o velho técnico ranzinza que conhece tudo do assunto, mas que, conservador, hesita em treinar uma moça. O relacionamento paterno que acaba se instalando entre eles é comovente. E aí, bem quando a moça está se dando bem - e enquanto o velho encontra nela uma boa razão para viver -, ela apanha feio, vai parar no hospital e o filme começa ir para o ralo, numa espiral de dor e sofrimento tão pesada quanto à de Sobre Meninos e Lobos. Mais um Oscar de melhor filme para o mestre.


A Conquista da Honra / Cartas de Iwo Jima (2006)

Subestimados, a dupla de filmes lançados simultaneamente são um feito impressionante: Clint mostrou os dois lados da moeda ao retratar a invasão americana na ilha de Iwo Jima, durante a 2ª Grande Guerra. A batalha é famosa especialmente pela icônica foto de soldados americanos espetando sua bandeira no alto do morro. A Conquista da Honra mostra o drama desses soldados, tornados heróis por acaso e garotos-propaganda do esforço de guerra. O filme fala mais da hipocrisia da fábrica midiática de mitos do que de guerra, embora as cenas de batalha sejam muito boas. Já Cartas de Iwo Jima traz o outro lado da história: os japoneses que sofrem a invasão na tal ilha. No primeiro filme, eles mal aparecem, tomando um tiro aqui ou já surgindo, misteriosamente mortos, em seus bunkers. Já no segundo, são seus dramas pessoais e a curiosa noção de honra deles que assume o primeiro plano. Vistos juntos, uma poderosa obra humanista de Clint Eastwood.



Gran Torino (2008)

Em cartaz nos cinemas, Gran Torino é um resumo de tudo aquilo em que Clint acredita ou se interessa: traz desde a noção justiceira dos seus faroestes e do célebre Dirty Harry, até a preocupação com o envelhecimento, com a morte, com a ingratidão dos filhos e do mundo (temas comuns aos seus filmes nos últimos vinte anos).














The Old Man and the Bear: isso que é arte.


É um testamento para a América que enriqueceu e que assumiu a cara de Clint Eastwood. A história se passa num subúrbio caidaço de Detroit (a sede da moribunda indústria automobilística americana), um bairro tomado por chineses e latinos. Tudo que é originalmente americano parece estranho e deslocado por lá: a bandeira hasteada na casa do personagem de Clint; o carro Gran Torino estacionado na sua garagem; o seu gramado sempre aparado; suas cervejas solitárias bebericadas na varanda; e o próprio Clint Eastwood, alto demais, velho demais, justo demais (e, ao mesmo tempo, intolerante demais) para o mundo em que se encontra. A partir de um determinado ponto, ele passa a enfrentar seus preconceitos, suas manias e acaba assumindo o papel de super-herói da vizinhança. Como todo personagem de Clint, portanto, carrega um peso muito grande, e sabe que pagará o preço por isso. Porque as contas que ele precisa acertar são com a sua própria consciência.

E, no momento, é o melhor filme em cartaz.

Este, sim, é um belo ponto final para a imagem de Clint Eastwood. Para a imagem, porque, como diretor, ele continua na ativa: seu próximo filme, já em produção, conta a história de Nelson Mandela no período que se seguiu ao fim do Apartheid. Morgan Freeman aparece no papel principal. Isso que é envelhecer com classe!

Por essas e outras, Clint Eastwood é o cara.

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009 - 3 Comentários

O filme-fenômeno Crepúsculo se vale de uma incômoda tendência dos fenômenos culturais juvenis: a falta de sexo. Harry Potter, High School Musical e os meninos da pequena e gelada Forks, onde a vampirada se instala, todos têm uma coisa em comum: ninguém transa nesses filmes.

Além de pouco natural, é um desperdício: a pequena Kristen Stewart (como Bella, a protagonista de Crepúsculo) não faria feio no papel de Engraçadinha, do Nelson Rodrigues. Mas são as regras do jogo nos dias de hoje...

Isso tudo faz BLOGIE se lembrar da época em que crianças eram criadas vendo loiras seminuas (e com ficha corrida extensa e variada, incluindo pornochanchadas, revistas masculinas, concurso de panteras, namoro com celebridades etc) comandando os programas infantis. Tempos em que os filmes destinados ao público jovem não economizavam naquilo que ocupa boa parte das atenções da moçada: inaugurar o marcador, sair da sêca, comer logo alguém.

Esses filmes traziam musas que variavam em estilo, beleza e talento. Mas que, certamente, eram (bem) mais desinibidas do que a Bella. Aqui estão elas:


A Pioneira: Phoebe Cates, a Linda de Picardias Estudantis



















Tudo começou em 1981, no filme Picardias Estudantis. A comédia adolescente por excelência revelou Sean Penn, Jennnifer Jason Leigh, Forest Whitaker, Nicolas Cage e mais gente. Mas a cena inesquecível é mesmo aquela em que a musa Phoebe Cates (como Linda, a garota mais vagaba do colégio) sai da piscina para entrar no inconsciente coletivo de uma geração. Seu top less ficou tão famoso que, segundo lenda de meados dos anos 80, as locadoras de vídeo tiveram problemas com as cópias em VHS do filme: estavam todas estragadas, de tanto a molecada operar o pause, rewind e slow-motion dos seus aparelhos de vídeo-cassete.


A Globalizada: Shannon Elizabeth, a Nadia de American Pie


















American Pie está para a década de 90 assim como Picardias Estudantis está para a década de 80. Portanto, para quem está na casa dos 25 anos, a estudante de intercâmbio Nadia permanece imbatível. A menina húngara (interpretada pela americana Shannon Elizabeth), por algum motivo, resolve dar um adianto na iniciação sexual do bobalhão Jim (Jason Biggs). Ela fica nua, praticamente monta em cima do rapaz, mas tudo dá errado - e o vídeo do fracasso de Jim vai parar na Internet.


O trio: Jennifer Connely, Liv Tyler e Joanna Going - as irmãs Abbot em Círculo das Paixões














No meio da década de 50, os irmãos pobres Jayce e Doug vivem orbitando em torno das três lindas e ricas filhas do Sr. Abbot. Liv Tyler é a caçula e a única com a cabeça no lugar. Joanna Going nos faz perguntar por que não há mais filmes com ela...

... E Jennifer Connelly, como é de costume, não decepciona a torcida: manda ver com Jayce, enquanto se diverte ao sentir que a transa é espiada por Doug.
























Jennifer Connelly nunca nos decepciona!

Outros momentos especiais da grande Jennifer: Rocketeer, Waking the Dead, Um Lugar Muito Quente e Requiém por um Sonho. E, para quem é mais velho, sua revelação em Labirinto continua dando saudades.


A Experiente: Elisha Cuthbert, a Danielle de Show de Vizinha





















Danielle: ela quer conhecer os amigos do namorado já no primeiro encontro...

A vizinha perfeita: linda, maluquinha e, digamos, bem experiente: Danielle, depois descobre Emile Hirsh, é uma estrela pornô. Mas aí o mané já está apaixonado pela moça. Belo filme, que fez de Elisha Cuthbert ( a filha do Jack Bauer, de 24 Horas) como a maior musa teen desta década.



O Sonho de Consumo: Ammanda Petterson como Cindy Mancini em Namorada de Aluguel



















Cindy no vestiário: quem roubou meu nerd?

Ronald Miller (Patrick Dempsey, atual estrela de Grey's Anatomy e vários filmes de Hollywood) é o maior mané da sua escola. Anda com os nerds e descola uns trocados cortando a grama dos vizinhos (seus próprios colegas!).

Cindy Mancini (Amanda Peterson) é a deusa do pedaço, e jamais daria bola para Ronald.

Certo dia, numa festa, Cindy derruba vinho no casaco de camurça que ela pegara escondido da mãe - e que custa uma fortuna. Ronald sente o cheiro da oportunidade e faz uma proposta que ela não pode recusar: ele banca, com seus trocados de aparador de grama, um casaco novo para a menina - e esta finge ser sua namorada por uns tempos.

E aí, Ronnie vira o maioral no Colégio, anda com os atletas, traça todas as gostosas - e Cindy acaba se revelando uma namorada perfeita, inteligente e interessada nos papos de astronomia do CDF.

Enfim, segundo Namorada de Aluguel, há redenção na Terra para os nerds.

Cindy Mancini, se vendendo por tão pouco - e mantendo sua "essência" -, lidera este time de musas teen que apavorariam não só Bella, como todos os vampiros e resto do elenco de Crepúsculo.

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008 - 0 Comentários

Sempre nutri uma paixão pelo Flamengo. Começou meio sem querer: eu idolatrava o Zico, o craque da minha infância, e fui me acostumando às paredes do meu quarto decoradas com o Galinho de Quintino e seus companheiros da Gávea misturados ao pôsteres do meu Corinthians. Mais tarde, em 1987, na semi-final da Copa União, me peguei torcendo loucamente pelo Mengão. 3 a 2 em cima do Atlético Mineiro, gols de Zico, Bebeto e Renato Gaúcho. O maior jogo da história, segundo minhas próprias reminiscências.

Passei a conviver com essa estranha paixão. Paulista, corintiano roxo, resolvi assumir depois de um tempo: sou flamenguista também. Tem tudo a ver, é claro, são os dois times do povo, cujas torcidas gostam de atribuir qualidades mágicas a si mesmas e à capacidade de recuperação dos seus times.




















Zico arrebenta na final de 83, contra o Santos: coisa de cinema.


Mas neste ano em que o Timão passeava pela Série B, eu depositava todas minhas fichas no Flamengo. O time começou o campeonato como favorito, tinha ótimos jogadores, vinha de uma campanha inesquecível no ano passado e a torcida vinha fervendo, inventando novas músicas a cada jogo, aquela história toda...

... Até que o Mengão cansou e foi entregando os pontos na reta final: empatou com a Portuguesa no Maracanã, mesmo palco da vergonhosa apresentação em que um 3 a 0 virou um empate com o Goiás... e acabou perdendo não só o título, como mesmo uma vaguinha na Libertadores, com uma derrota para o rebaixável Atlético Paranaense. Um fiasco!

A campanha medrosa do meu segundo time me fez lembrar de vários filmes sobre esporte. São filmes redentores, em que não faltam superação, viradas retumbantes e música épica. Coisas que, comparada a campanhas anteriores do rubro-negro, são mais próximas da realidade do que da ficção, mas que, depois de um final de ano melancólico como este, vêm bem a calhar.

Portanto, segue uma dieta cinematográfica para os irmãos flamenguistas, para respirar fundo, se preparar e sonhar com um 2009 bem melhor! (E ainda serve para a galera vascaína, palmeirense, santista, atleticana, cruzeirense, gremista, colorada - e corintiana, claro!)


Duelo de Titãs: com Denzel Washington, no papel do treinador negro que chega para dar jeito no time de futebol americano colegial de uma cidadezinha. Ele promove a integração racial, angariando ódio dos conservadores e desconfiança de todos. Monta um timaço, que se supera e atropela todo mundo na reta final. E a história é real!!!


Um Domingo Qualquer: com Al Pacino, Jamie Foxx e Dennis Quaid. Pacino é o treinador veterano que se vê obrigado a dar uma chance ao quarter-back novato (e arrogante) vivido por Jamie Foxx. Quaid, o capitão contundido, dá saudades daquele tempo do amor à camisa. Muita violência em estado bruto, muito cinismo ameaçando a essência do esporte - mas no fim este último vence. Dirigido pelo Oliver Stone, tem as melhores cenas de ação esportiva do cinema.


Um Homem Fora de Série: o melhor e mais mitológico filme de baseball. Robert Redford é o fenômeno juvenil que se perde na vida e nunca realiza seu verdadeiro talento. Até que ressurge, já velho demais para o esporte profissional, num timeco de Nova Iorque e se torna o improvável Pelé dos rebatedores. Há quem diga que o filme é brega, mas quem gosta de esporte, vai se amarrar.


Carruagens de Fogo: aquela abertura ao som do Vangelis, a moçada correndo na praia... é um filme corajoso, pois não teve medo do ridículo. A história real da delegação inglesa de Atletismo nas Olimpíadas de Paris (1920) ganhou Oscar de melhor filme e continua emocionando, especialmente nas vitórias pessoais e esportivas do judeu Harold Abrahams (100 metros rasos) e do missionário cristão Eric Liddle (400 metros rasos).


Rocky: Silvester Stalonne era um pé-rapado que vivia num cubículo em Los Angeles. Tinha escrito o roteiro de um filme que, acreditava ele, o tiraria do buraco. Camelou um bocado, rodou todos os estúdios, até que alguém se interessou. Ofereceram uma grana boa pela história do boxeador de meia-tigela que, de repente, se via às voltas com a oportunidade de sua vida. Mas ele preferiu entregar o roteiro de graça - desde que ele, Stalonne, fosse o protagonista. Só Deus sabe por que aceitaram um troço desses, mas o fato é que Rocky é um filme de lavar a alma, cheio de cenas antológicas (Rocky correndo pelas ruas da Filadelphia é ícone, assim como sua preparação sui generis, que inclui copos de ovos crus e sessões de pancadaria na câmara frigorífica de um açougue). E ganhou o Oscar de melhor filme. Atire a primeira pedra quem nunca gritou "Adriaaaaaan!" ao marcar um gol durante a aula de educação física...


Lendas da Vida: dirigido por Robert Redford, traz Matt Damon como o grande golfista que perde seu "swing" após voltar da guerra. Ganha um mentor/treinador/amigo imaginário em Will Smith (atuação inspirada). Belo filme, Charlize Theron está um arraso, dá até vontade de jogar golfe.


Sorte no Amor: com Kevin Costner, em papel claramente inspirado no de Redford em Um Homem Fora de Série. Aqui, Costner é o jogador veterano que chega para tentar uma última chance antes de se aposentar. Tim Robbins é o jovem arremessador que não sabe de nada e que precisa de uma lição. Esta é dada pelo colega veterano e, principalmente, por Susan Sarandon, que vive um momento especial como a tiete oficial do time (ela traça todo mundo). Todos ganham no final.


Esta foi a pequena seleção de BLOGIE para ajudar a nação rubro-negra - e todas as outras - a levantar a moral. Gostou da seleção? Falta algum filme? Mande seu comentário!

Em tempo: aos são-paulinos, reservo aquele ar de enfado. Parabéns e tal, mas faltou um clima de Hollywood no seu merecido sexto título brasileiro... bons tempos das grandes finais!

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008 - 5 Comentários

A revista inglesa Empire publicou uma lista com os 100 melhores personagens de cinema de todos os tempos. A lista foi montada através de votação dos leitores da revista.

A lista, como qualquer lista que carrega o peso de "melhores de todos os tempos" - e que, portanto, precisam parecer algo sério -, é até previsível, mas o que causou impacto e polêmica foi justamente o primeiro colocado...

Don Corleone? Darth Vader? Indiana Jones? Carlitos?

Nada disso. O primeiro colocado na eleição foi Tyler Durden, o personagem de Brad Pitt em O Clube da Luta, de David Fincher.



















Brad Pitt/Tyler Durden, o maior personagem de cinema de todos os tempos? Fala sério!


Este blogueiro confessa que, ao saber disso, resolveu assistir O Clube da Luta novamente. E conclui que o fã-clube de Pitt e, principalmente, do filme, é forte. Embora seja um filme marcante e influente, não há nada nele ou na atuação de Pitt que o qualifique para bater, por exemplo, um Travis Bickle (o personagem de Robert DeNiro em Taxi Driver). Ou o James Bond de Sean Connery. Ou um monte de personagens femininos que foram solenemente ignorados pela votação (Scarlett O'Hara, Holly Golightly, Annie Hall, há muitos ícones entre as mulheres!).

Veja os 25 primeiros da lista, aí embaixo:

1. Tyler Durden - Clube da luta
2. Darth Vader - Star Wars
3. Coringa - O cavaleiro das trevas
4. Han Solo - Star Wars
5. Hannibal Lecter - O silêncio dos inocentes
6. Indiana Jones
7. Jeffrey Lebowski - O grande Lebowski
8. Capitão Jack Sparrow - Piratas do Caribe
9. Ellen Ripley - Alien
10. Vito Corleone - O poderoso chefão
11. James Bond
12. John McClane - Duro de matar
13. Gollum - O senhor dos anéis
14. Exterminador - O exterminador do futuro
15. Ferris Bueller - Curtindo a vida adoidado
16. Neo - Matrix
17. Hans Gruber - Duro de matar
18. Travis Bickle - Taxi Driver
19. Jules Winnfield - Pulp Fiction
20. Forrest Gump - Forrest Gump
21. Michael Corleone - O poderoso chefão
22. Ellis 'Red' Redding - Um sonho de liberdade
23. Harry Callahan - Perseguidor implacável (Dirty Harry)
24. Ash - A morte do demônio
25. Yoda - O império contra-ataca

Outras observações:

1) É curioso o Gollum aparecer na lista, e à frente do Yoda, que é o pai desse tipo de personagem. O Yoda foi tão importante que o próprio E.T. foi inventado a partir do baixinho verde. Aliás, E.T. faz falta.

2) Quem merece aparecer e aparece é Ferris Bueller, o jovem mais admirado do cinema. Em Curtindo a Vida Adoidado, proferiu duas horas de falas que foram incorporadas no jargão básico dos adolescentes dos anos 80.




















Ferris Bueller pára meia Chicago ao simplesmente dublar Twist and Shout, dos Beatles. Histórico.


3) A curiosidade máxima é encontrar Ash, o protagonista da série de terror Uma Noite Alucinante (ou A Morte do Demônio), objeto de culto da moçada esperta e apaixonada pela sétima arte descompromissada. Ash é o cara que encontra o Livro dos Mortos, enfrenta as "criaturas do limbo" personificadas em uma floresta e que serra a própria mão fora, por esta estar possuída pelo demônio. Depois de tantos gritos, tanto sangue de mentira e tantas risadas, é um prazer ver Ash na lista da Empire.






















A mão boba de Ash não dá mole em Uma Noite Alucinante 2, o melhor da série Evil Dead.

E você? O que achou da lista? Quem faz falta nela? Quem não merecia ter aparecido?

Mande seus comentários. Ao final, BLOGIE vai montar sua própria lista dos melhores personagens do cinema.

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sábado, 29 de novembro de 2008 - 139 Comentários


Neste final-de-semana, estreou Queime Depois de Ler, novo filme dos irmãos Coen. Há vários motivos pra assistir: 1) o último filme dos irmãos (Onde os fracos não tem vez) ganhou o Oscar de melhor filme; 2) É a volta da dupla à comédia e ao sarcasmo (E aí, meu irmão, cadê você?, Arizona Nunca Mais); 3) o elenco, como é regra nos filmes dos caras, traz gente de peso e talento, como George Clooney, Brad Pitt e Frances McDormand.

Mas o que chama atenção mesmo no novo Queime Depois de Ler são as fotos promocionais que vão pintando. Por exemplo:














E aí o amigo pergunta, que cazzo é esse corte de cabelo do Brad Pitt?

Bom, é lógico que, como estamos em um filme de Joel e Ethan Coen, o ridículo faz parte do conceito, e um galã de cinema tem que fazer piada de si mesmo. É o que topa Pitt, como um funcionário de academia de malhação acéfalo. Quer dizer, a bizarrice é proposital.

Aproveitando o lançamento do filme, BLOGIE lista 5 Cortes de Cabelo Involuntariamente Bizarros no Cinema. Leia, comente, ria - mas, por São Jorge Padroeiro do Timão, não imite esses casos de polícia!


5- Tom Hanks em O Código Da Vinci




















As imagens de O Código DaVinci comprovam: há algo de muito errado com Tom Hanks.

O filme é uma droga, Hanks está perdido, a Sophie de Audrey Tatou é desprovida de sensualidade e não há química entre o casal principal. Mas quem consegue pensar em roteiro, direção, atuação, quando Tom Hanks desfila a cada segundo com aquele corte de cabelo inenarrável? Bons tempos em que um professor de arqueologia, para encarar uma aventura, andava de chapéu e chicote com um empregado pessoal menor de idade.


4- Guy Pearce em Amnésia, empatado com o gêmeo Tom Cruise em Colateral











Eles são loiros, maus e completamente sem noção.

No começo deste século, houve gente que tentou seguir uma regrinha: se quer parecer um ator sério em um filme descolado, é só deixar o cabelo estranhamente oxigenado e espetado. É o que fizeram Tom Cruise, para interpretar um assassino profissional no bom Colateral, e Guy Pearce, para estrelar Amnésia, aquele filme chato que se passa de trás pra frente e que dá dor de cabeça no espectador.


3- John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite


















Alguns falariam, "ah, mas o corte do Travolta em Pulp Fiction é mais bizarro". É verdade, mas em Pulp Fiction tudo é meio bizarro. Então, a coisa é proposital, e aqui tratamos de bizarrices acidentais. Agora, pense num mundo diferente, em que um cara mete um blazer branco, prepara o cabelo do jeito acima e sai pelas noitadas da vida, pronto para virar símbolo sexual e modelo de estilo para toda uma geração... esses foram os anos 70, era do Bizarro e do Tony Manero, personagem de Travolta no filme que fez dele um mega-astro.


2- Tom Cruise em Entrevista com o Vampiro



















Olha ele aí de novo. Cruise, não conte pra ninguém, está pirando, é óbvio. Ele quer, precisa, anseia por ganhar logo um Oscar, e não economiza em fazer papéis estranhos que fujam da sua cara de astro bem pago e pegador. Nessa linha, fez Nascido em 4 de Julho, o já citado Colateral e, no começo dos anos 90, o sucesso Entrevista com o Vampiro. Este último, no entanto, dividia as luzes com o então novato Brad Pitt, e o filme se tornou um ícone para a mulherada do primeiro e segundo colegial... apesar do corte de cabelo nojento e do aspecto geral estranhíssimo do vampiro Lestat de Cruise, prova do carisma do ator e da sua capacidade de fazer a mulherada sublimar suas esquisitices.

Ele tem testado a paciência das suas fãs, com todo o papo de cientologia e tudo mais. Vamos ver onde Cruise vai parar para ganhar um Oscar...



1- Mel Gibson, em todo e qualquer filme de sua vida

















Máquina Mortífera. Coração Valente. Maverick. O Patriota. Pegue qualquer filme, de qualquer gênero. Pode ser filme de época, pode ser sério, pode ser comédia, pode ser de ação. Pode ser bom ou ruim. Não importa: em comum, todos eles trazem Mel Gibson em papel de protagonista bonitão e desejado pelas mulheres, e sempre com um corte de cabelo ridículo. Sua marca registrada, é claro, sempre serão os oitentistas mullets da série Máquina Mortífera, mas é bom se lembrar das costeletas de Maverick, do rabinho de cavalo em O Patriota, do topete em O Preço de um Resgate e, claro, da juba de leão engraçada no premiado Coração Valente.

Estranhamente, o corte de cabelo mais plausível de Gibson é o do Mad Max, seu primeiro - e já plasticamente incômodo - papel de destaque.

Troféu Zohan-Jean Louis David para Mel Gibson.

Veja agora a lista das melhores prostitutas do cinema gringo!

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008 - 0 Comentários


O novo filme de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, é uma verdadeira coletânea de coisas que montam a vida como deveria ser: jantares com vinho, passeios por Barcelona, um final-de-semana despretensioso em Oviedo, pouco ou nenhum trabalho, carros conversíveis - e, claro, Scartlett Johansson, Penélope Cruz e Rebecca Hall, de preferência juntas.


















A vida é mansa para os personagens de Vicky Cristina Barcelona. Ou não...

Allen sabe das coisas, e não é de hoje: em Manhattan (o preferido de BLOGIE), o próprio diretor, no seu usual papel de intelectual mal resolvido, se põe a listar "as coisas que fazem a vida valer a pena". De um modo geral, ele lista as obras-de-arte que ocupam o universo das pessoas urbanas, dando uma aliviada no sofrimento causado pelas neuroses... mas termina com a constatação de que há algo na lista que está (ainda) ao seu alcance.

Acompanhe a lista de Woody Allen e monte a sua!

1- Grouxo Marx (ídolo de Allen, homenageado em outros filmes, como no final de Hannah e Suas Irmãs e numa festa de réveillon em que todos devem usar o bigode de Grouxo em Todos Dizem Eu Te Amo);

2- Louis Armstrong, na gravação de Potato Head Blues (que você também ouve no início de Harry & Sally, da Nora Ephron);


3- O segundo movimento da Sinfonia de Júpiter, de Mozart.


4- Filmes suecos - mas Allen não se refere ao gênero que celebrizou a arte sueca mais instintiva... ele se refere ao outro ídolo, Ingmar Bergman, de O Sétimo Selo e outras coisas tristes e reflexivas.



5- A Educação Sentimental, de Flaubert. O que tem muito a ver com Manhattan.

6- Marlon Brando. Jack Nicholson, que foi vizinho de Brando em Hollywood, certa vez disse que Brando não fazia sombra. Esse é o tamanho da lenda do cara.

7- A voz de Frank Sinatra.

8- "Aquelas incríveis maçãs e pêras do Cézanne", referindo-se à famosa série de natureza morta do pintor Paul Cézanne... a série está no Metropolitam Museum, em NYC.






















9- Siri no Sam Wo's. BLOGIE não trabalha com caranguejos e siris. Mas acredita no mestre.

10- O rosto de Tracy... Tracy, no caso, é a sua namoradinha adolescente no filme, vivida por Mariel Hemingway (neta do escritor Ernest Hemingway).



















Amor juvenil depois de velho: Woody sopra uma gaita enquanto Tracy (Mariel Hemingway) toma um milk-shake.



E você? Qual a sua lista de coisas que fazem a vida valer a pena?


Na minha, o item "estréia de um filme novo do Woody Allen por ano" ocupa lugar de destaque.

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008 - 2 Comentários


Bond, James Bond. Em casa, na VIP


A cada filme novo da série, é a mesma coisa: todo mundo quer saber quem é a nova Bond Girl. Geralmente, é uma atriz de terceiro ou quarto escalão (quando não simplesmente uma não-atriz), mas sempre um monumento. A beldade da vez é Olga Kurylenko, uma atriz-modelo ucraniana, que já fez uns filmes franceses (Paris, Te Amo é o mais conhecido) e um americano (Hitman, Assassino 47). Fala-se dela (como se fala de toda Bond Girl) como se um mundo estivesse prestes a se abrir.




















E quem duvida que o futuro de Olga Kurylenko é brilhante?


Mas, a julgar pelas moças que a antecederam, pode ser que isto aqui seja o topo. Exceções feitas a Halle Berry, que já tinha um Oscar e tudo antes de fazer par com 007, e a Teri Hatcher, que conseguiu se reinventar como balzaca desejável na TV em Desperate Housewives, as Bond Girls costumam ser lembradas em almanaques justamente por serem isso - Bond Girls.


Esse negócio da garota escolhida para transar com 007 é um dos grandes atrativos de cada novo filme, mas convenhamos: James Bond é o cara, ele pega todas, mas poderia pegar a melhor, a mais desejável, a mais talentosa, a garota proibida. As atrizes mais lindas e mais conceituadas geralmente torcem o nariz para esse papel-objeto. Bobagem. Todas elas assumem esse tipo de papel aqui e ali. Se houvesse justiça no mundo, esta seria a lista das Bond Girls para cada era da série 007:

>Veja algumas bondgilrs pagando peitinho em outros filmes



1962 - Audrey Hepburn: a Bonequinha de Luxo era a mulher mais elegante e a maior estrela de Hollywood na época em que saiu o primeiro filme de Bond (007 Contra o Satânico Dr. No). Era chique demais para sair do mar em trajes mínimos, como fez Ursula Andress. Mas topou fazer a garota de programa Holly Golightly, que se tornou sua marca registrada.






















1969 - Jane Fonda: talentosa e inteligente, dona de rosto e corpo dos melhores da história do cinema, Fonda encarava as maiores baixarias para agradar seu marido, Roger Vadin. Numa dessa, topou Barbarella, a mulher do espaço que matava homens com sua vagina dentada. Pagaria menos mico como parceira de cama de James Bond em 007 a Serviço de Sua Majestade.





















1977 - Jessica Lange: a atriz ganhou dois Oscars e se tornou uma lenda mas, no final da década de 70, era só um rostinho bonito (fazendo jus: era perfeita) se iniciando no cinema. Apenas um ano antes, protagonizou a versão meio capenga de King Kong - da qual só ela resta como atrativo. Em 007, o Espião que me amava, seria uma Bond Girl inesquecível (ainda que Barbara Bach tenha ido muito bem).























1987 - Cindy Crawford: com a série indo mal, lançando mão até de A-Ha para a trilha sonora (The Living Daylights), era demais pedir por uma atriz de primeiro escalão. Mas seria uma estréia no cinema mais digna para a modelo e ícone oitentista da gostosura Cindy Crawford, que faria papelão, alguns anos depois, em um filme de ação desprezível (Carga Máxima? Atração Explosiva? Algo assim...).























1995 - Nicole Kidman: a então Sra. Tom Cruise não toparia ser uma presa fácil de James Bond, ainda mais numa nova versão, ainda sub júdice. Nicole bombava em To Die For, do Gus Van Sant, onde ela aparece mais desejável do que nunca - e ainda provou pela primeira vez ser uma atriz de verdade. Mas também topou, no mesmo ano, ser presa fácil do Batman de Val Kilmer, em Batman Forever, filminho sem vergonha que botou a série do mascarado na descendente. Faria negócio - muito - melhor se entrasse de Bond Girl em 007 Contra GoldenEye, filme que deu início à fase Pierce Brosnan.
















2008 - Naomi Watts: ela é linda, é boa atriz e já ganhou algumas indicações ao Oscar. Fez dramas pesados como Cidade dos Sonhos e 21 Gramas, protagonizou o grande sucesso do terror O Chamado, está numa posição de só escolher papéis que possam lhe render um Oscar. Mas também encarou a nova versão de King Kong, um pouco melhor do que aquela da Jessica Lange, mas ainda assim constrangedora. Linda e entregue que estava ao macacão, poderia servir de par para Daniel Craig no novo Quantum of Solace.























Espero que tenham gostado da lista das Bond Girls que poderia ter sido... Mas isso não significa que não devamos aproveitar a Bond Girl da vez. Aguardem mais fotos de Olga Kurylenko!

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sábado, 18 de outubro de 2008 - 3 Comentários

Ainda na esteira do lançamento de As Duas Faces da Lei, vamos listar os melhores vilões - e são muitos! - das carreiras de Al Pacino e Robert DeNiro. É interessante notar a coincidência entre os personagens: de ex-combatentes do Vietnã a pequenos mafiosos, de Don Corleone pai e filho ao Diabo em pessoa, Pacino e DeNiro travam uma batalha de talentos há mais de três décadas. São cinco combates, dez vilões. Escolha os seus preferidos!

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008 - 0 Comentários



Nada de filmes iranianos ou chineses. Nada de documentários reveladores ou curtas alternativos. Chega de papo-cabeça no fim de semana. A Mostra Internacional de São Paulo, que começa nesta sexta, tem essas coisas todas, mas também traz muita coisa bacana. BLOGIE apresenta o Guia Bacana da Mostra. Programe-se!

Dia 17 - Hoje!


Rebobine, Por Favor - Jack Black e Mos Def são dois funcinoários de locadora cujos filmes misteriosamente são apagados. Absurdamente, põem-se a refilmá-los, da maneira mais tosca e caseira possível. Clássicos como Os Caça-Fantasmas e De Volta para o Futuro são algumas das recriações. Jack Black alucinado e hilariante, como sempre. Às 22:00, na Reserva Cultural 1.


Dia 18 - sábado:

O Casamento de Rachel - Anna Hathaway, de O Diabo Veste Prada, é uma mulher pé-na-jaca que é liberada do rehab para ir ao casamento da irmã. Muito engraçada (e bonita), em um papel que promete indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar. O filme só estreará em circuito comercial no Brasil no final de novembro! Às 18:50, no Espaço Unibanco Augusta 3.


Dia 19 - domingo:

O Poderoso Chefão - se você só puder ir a um filme da mostra, que seja esse. O melhor filme de todos os tempos (na opinião deste blogueiro e de muita gente), em versão restaurada, numa rara chance de ser visto na tela grande. Marlon Brando, Al Pacino e Robert Duvall dão show, mas o que mais impressiona é mesmo o todo - em matéria de roteiro + direção + fotografia + atores + música + tesão, O Poderoso Chefão é inigualável. Imperdível! Às 17:20, no Cinesesc.

(Se não der no domingo, vá na noite de sábado, dia 18: às 21:00, também no Cinesesc!)


Dia 20 - segunda-feira:

Rocknrolla - Guy Ritchie, devidamente separado da Madonna, volta ao mundo de crimes em Londres, tema e estética que lhe deram fama em Canos Fumegantes e Snatch. Filme-sensação que só estreará no fim do ano por aqui. Às 21:30, no Shopping Cidade Jardim 5.


Dia 21 - terça-feira:

Sinédoque, Nova Iorque - o roteirista maluco de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Charlie Kaufman, estréia na direção, neste filme sobre um diretor teatral que escreve uma peça sobre sua vida, aproveitando para melhorar uma coisinha aqui, outra ali... às 21:40, no IG Cine.


Dia 22 - quarta-feira:

CSNY - Déjà Vu - para os fãs de rock clássico, especialmente folk rock. O quarteto Crosby, Stills Nash & Young lança um documentário com suas harmonias e violões perfeitos, misturados ao seu discurso flower power meio antiquado, mas ainda sincero. Dirigido pelo próprio Neil Young, o membro bissexto da banda. Às 21:10, no HSBC Belas Artes 2.


Dia 23 - quinta-feira:

Nada de interessante. Dia do blogueiro jogar futebol com a moçada.


Dia 24 - sexta-feira:

Queime Depois de Ler - o novo filme dos irmãos Coen, vencedores do Oscar deste ano com Onde os Fracos não tem vez. Estrelado por George Clooney e Bradd Pitt, como funcionários de uma academia de ginástica que botam as mãos em informações secretas da CIA. Muito humor negro, bem ao estilo dos irmãos. Às 22:50, no Cinesesc.


Dia 25 - sábado:

A Duquesa - com Keira Knightley, Ralph Fiennes e Charlotte Rampling. Filme inglês com Knightley no papel da mulher que se casa com um duque e desafia, com seus modos e puladas de cerca, o modus operandi da nobreza do século XVIII - ganhando a simpatia do povão. Faz paralelo com a história de Lady Di. É o chamado filme de mulherzinha, mas vale pelo desempenho da moça, ao que dizem... Às 22:00, no Eldorado 7.


Dia 26 - domingo:

Carruagens de Fogo - produção inglesa que ganhou o Oscar de melhor filme em 1980. Conta a história da delegação inglesa de atletismo que fez história nas Olimpíadas de 1924. Famosa pela trilha sonora de Vangelis, campeã de colações de grau e transmissões olímpicas nas TVs do mundo todo. Pra quem gosta de esporte e cinema, é um filmaço. Às 16:00, no Unibanco Arteplex Frei Caneca 1.


Dia 27 - segunda-feira:

Vicky Cristina Barcelona - é o filme novo do Woody Allen. Considerando que os filmes do diretor novaiorquino demoram muito para estrear aqui, é a oportunidade a ser aproveitada. É o suficiente, não? Às 21:30, no Unibanco Arteplex Frei Caneca 1.


Dia 28 - terça-feira:

Vicky Cristina Barcelona de novo- OK, vale contar mais uma coisinha: o filme se passa em Barcelona, onde Javier Bardem (Mar Adentro, Carne Trêmula) é o artista que seduz todo o elenco feminino. E, no elenco feminino, temos Scarlet Johansson e Penélope Cruz. E, em determinada cena, elas se beijam. Ãh... acho que é o suficiente para ver de novo. Às 21:40, no Espaço Unibanco Pompéia 1.














Woody Allen dirige Barden, Johansson e Cruz em seu novo filme


Dia 29 - quarta-feira:

Pausa para se recompor de Vicky Cristina Barcelona.


Dia 30 - quinta-feira:

Che - é o filme mais esperado da mostra. É a biografia de Che Guevara, vivido por Benicio del Toro e dirigido por Steven Soderbergh. Traz também a mais que interessante Catalina Sandino Moreno (de Maria Cheia de Graça) e o onipresente Rodrigo Santoro. Programado para uma única exibição, será o filme mais concorrido, havendo grande risco de perder o programa. Mas, se quiser enfrentar: às 19:00 (de uma quinta!), no Unibanco Arteplex Frei Caneca 1 e 2.

Agora, se você perder Che ou estiver satisfeito de revolucionários de esquerda, resta ainda um filme nesse último dia de mostra:

Todo Mundo tem Problemas Sexuais - com Pedro Cardoso e Cláudia Abreu. Opa, mas não é o tal filme que suscitou toda aquela discussão sobre nudez no cinema nacional? Sim, meu amigo, é. A coisa toda está baseada no fato de que este é um filme sobre sexo, mas sem cenas de sexo ou nudez. Então não tem a Cláudia Abreu pelada? Não. Então pula. Às 21:40, no Espaço Unibanco Pompéia 1.


É isso. Espero que o leitor consiga aproveitar algumas das dicas deste guia. Tem muito filme bom no meio de um mar de cabecismo. O mapa da mina, você já tem. Boa maratona!

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008 - 0 Comentários


Perdendo dinheiro na bolsa? Preocupado com a crise da economia mundial? É hora de ver um filme. Só o cinema salva. BLOGIE mostra os melhores filmes para encarar os tempos difíceis...

Durante a década de 30, sob a maior crise econômica dos nossos tempos, os americanos se refugiavam no cinema, onde se entorpeciam de filmes cheios de gente rica e bem nutrida. Mas, para entender a Grande Depressão - e como sobreviver a uma nova versão dela -, o melhor mesmo é revisitar os melhores filmes contemporâneos feitos sobre aquela época.

Basicamente, o cinema nos mostra que havia três maneiras de driblar a crise:

a) Esportes:

Deposite toda sua esperança (e, talvez, o que restaram de suas economias) no seu esporte preferido. É o que fizeram os fãs de boxe ao testemunharem a ressurreição de Jim Braddock, um ex-lutador amador que, da maior pindaíba, foi parar no Madison Square Garden dando porrada no campeão do mundo. Essa é a história real em que se baseou A Luta Pela Esperança (Cinderella Man, de 2005), estrelado por Russell Crowe. É um belo exemplar de um tipo de filme comum nos EUA: o filme da redenção através do esporte, especialmente na época da crise.
























Russel Crowe vive um conto-de-fadas de macho em A Luta pela Esperança.



Um esporte que costuma carregar uma mitologia de "salvador" é o baseball. Entre os muitos filmes feitos sobre o tema, o melhor é Um Homem Fora de Série (The Natural, de 1984), com o Robert Redford. Ele é Roy Hobbs, um jovem arremessador que, por uma tragédia, não consegue se profissionalizar no esporte. Muitos anos mais tarde, já aos 30 e poucos anos, ele ressurge do nada e levanta um timinho modorrento de Nova Iorque, tornando-se um Pelé tardio do baseball - e como rebatedor! É mais fantasioso do que Luta pela Esperança, mas é de lavar a alma.















Redford esquenta o banco antes de entrar e mostrar para os meninos como se joga.


Por fim, outro esporte que ajudou os americanos a enfrentarem a Depressão foi o turfe. É o que mostra Seabiscuit (2003), filme baseado na história real do cavalo (e do jóquei, e do treinador, e do dono) que, pequeno demais para as corridas, tornou-se uma lenda e uma inspiração para a massa de pobretões. O filme é bacana, e o DVD traz imagens reais da principal corrida vencida por Seabiscuit (recriada na cena que é o clímax do filme).

Ou seja, amigo, o esporte é uma boa maneira de afogar as mágoas. Vamos pra reta final do Brasileirão, séries A e B. Pros corintianos, não há crise: o que interessa é que estamos subindo pra série A.

E, no ano que vem, será lançado o filme sobre o calvário do Timão na segundona. Aguarde a versão hollywoodiana.

2) Quando o crime compensa:

Nos anos 30, emprego era artigo de luxo. Comida também. Num cenário desses, abraçar a carreira de criminoso não era mal negócio - é o que nos dizem os filmes. Golpe de Mestre (The Sting, vencedor do Oscar de melhor filme em 1973) pega relativamente leve ao retratar um bando de trapaceiros que, liderados por Paul Newman e Robert Redford, passam a perna em policiais, homens comuns e, principalmente, em um banqueiro ainda mais ladrão do que eles. O filme, genial, pinta a Chicago da Grande Depressão da maneira mais desoladora possível.
















Durante a Grande Depressão, para Paul Newman, só tomando uma. Robert Redford tenta ajudar o amigo a se recompor.

Quem também entrou nessa vida foi o casal central de Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas (1967), vividos por Warren Beaty e Faye Dunaway. Eles se tornam uma lenda pelos seus roubos a bancos (bancos, os vilões de toda crise...) e pela boa aparência de casal classe média. Mas o filme é da década de 60, foi feito pra chocar, e não para oferecer catarse a ninguém; o final é um marco do cinema, pelo seu impacto.

Judeus novaiorquinos, ora vejam só, também entraram na vida do crime. Em Era Uma Vez na América (1984), obra-prima de Sergio Leone, acompanhamos moleques da comunidade judaica de NYC se metendo em confusões e servindo de leva-e-traz para o gângster local, durante os anos 20. Mais tarde, jovens (e já transformados em uma trupe liderada por Robert DeNiro e James Woods), eles se tornam os donos do pedaço durante os anos da Lei Sêca. Mas o filme vai bem mais longe do que retratar o período de crise. Em suas quase quatro horas de duração, Era uma Vez na América vai fundo no personagem de DeNiro, uma tragédia pessoal acompanhada por quase quarenta anos. Um filme espetacular e um tanto subestimado.
























A parada dura quase quatro horas, mas Era uma Vez na América é um filmaço. Obrigatório.



3) Só o cinema salva:

A melhor saída para a crise, no entanto, era mesmo o cinema. Durante a década de 30, o cinema escapista era o remédio geral. Era a época de musicais grandiosos e grandes aventuras (Fred Astaire, Errol Flynn). A década foi fechada por ... E O Vento Levou (por muito tempo, o maior sucesso da história) e O Mágico de Oz (o primeiro filme em cores).

Mas o filme que melhor mostra o papel do cinema durante a Depressão é mesmo A Rosa Púrpura do Cairo (The Purple Rose of the Cairo,1984), um dos melhores filmes de Woody Allen. Nele, Mia Farrow é Cecilia, uma pobre-coitada que vive pulando de sub-emprego em sub-emprego, e seus parcos rendimentos bancam a bebedeira e os jogos de dados do marido vagabundo. Da sua vida de sofrimento, Cecilia se esconde no cinema, onde mergulha em apartamentos e festas sofisticadas, em aventuras pelo Egito e outras fantasias. De tão imersa no faz-de-conta, em determinada hora o herói literalmente sai da tela e proporciona a emoção que falta à vida de Cecília. A cena final é uma das mais belas homenagens ao cinema, em um trabalho sensacional de Mia Farrow, que se limita a olhar a grande tela em que estreava o novo filme do Fred Astaire...


Veja o trailer de A Rosa Púrpura do Cairo!



Então, camarada, não se entregue. Deixe suas ações quietas, esqueça o caderno de economia por um tempo e faça alguma coisa! Hollywood mostra que é melhor depositar suas fichas no seu time, arrancar uns trocados de algum otário e fugir para o cinema. Como roubar banqueiro é um troço meio complicado hoje em dia, esqueça essa e fique no esporte e nos filmes.

E amanhã tem estréia de filme novo com o Al Pacino e o Robert DeNiro, não perca o comentário aqui no BLOGIE.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2008 - 2 Comentários

Boxeador, piloto de corridas, ex-jogador de futebol americano, trapaceiro, ladrão de bancos, exímio jogador de snooker e cartas; mulherengo incorrigível; amigo leal; um cara que faz as coisas do seu próprio jeito.




















Este era o Paul Newman que apareceu em quase sessenta filmes, muitos deles considerados clássicos, alguns premiados com o Oscar, outros sucessos de público atemporais. Surgiu na mesma fornada que deu ao mundo James Dean e Marlon Brando, formando, com esses dois, a trinca dos grandes atores que enterraram o galã à moda antiga. A partir da metade da década de 50, o protagonista deveria trazer uma certa amargura, uma qualidade de não saber direito o que quer, algo mais humano.

James Dean morreu muito cedo, ficando como uma promessa. Brando se tornou, em meio às suas manias e excentricidades, o maior ator de todos os tempos. Já Paul Newman resolveu ser simplesmente"o cara".

Manteve-se casado por toda a vida com a mesma mulher. Nunca fez concessões ao cinema moderninho ou a frescuras: seus papéis, descritos no primeiro parágrafo deste post, são de uma coerência incrível, além de encontrarem ressonância na vida real - Newman foi piloto de stock cars, depois foi dono de escuderia da Formula Indy, e ao mesmo tempo inaugurou sua própria marca de molhos para saladas (a Newman's Own), só porque não gostava do que as outras marcas ofereciam...

Especializou-se em papéis onde ele era o tutor, o irmão mais velho, o cara sábio que passa as manhas do seu jogo para um cara mais jovem - seja o Robert Redford em Golpe de Mestre, seja o Tom Cruise em A Cor do Dinheiro, seja o Tom Hanks em A Estrada da Perdição. E note: cada um desses filmes está distante dos outros em mais de 10 anos. O fato é que todos temos sempre muito o que aprender com Paul Newman.

Se o leitor não conhecer ou quiser ter uma aula de como ser macho, ponta-firme e inspirador, não deixe de conhecer as obras essenciais do mestre:


- Gata em Teto de Zinco Quente (1958): como o ex-jogador de futebol americano (e bêbado em tempo integral) Brick, Newman é assediado o tempo todo pela Elizabeth Taylor.




















É essa mulher que se joga em cima de Brick durante todo o filme.

- Rebeldia Indomável (1967): personagem ícone de Newman. Cool Hand Luke é o prisioneiro que não se submete às regras do presídio. Suas fugas são lendárias. É o herói dos detentos, dos anos 60 em geral e de umas três gerações de atores, como John Cusack, Edward Norton e outros fãs inveterados. A famosa fala "what we've got here is... failure to comunicate!" é uma das citações mais famosas do cinema e já foi usada para abrir o disco Use Your Illusion 2, do Guns'n'Roses, na introdução chuvosa de Civil War.





















É este cartaz que você vê na parede do apê do traficante vivido por Edward Norton, em A Última Noite, do Spike Lee, quando ele está prestes a ser pego pela polícia.

- Butch Cassidy e Sundance Kid (1969): um verdadeiro blockbuster da contracultura. Trazia os dois maiores astros da época (Newman e Robert Redford) atuando como comparsas em roubos de banco - e brigando pela mesma mulher (Katherine Ross, de professorinha nada ingênua). Duas cenas memoráveis: Cassidy e Sundance se jogando do alto de um penhasco (uma das minhas primeiras lembranças de Sessão da Tarde); e Newman se exibindo para a professorinha, andando de bicicleta ao som de Raindrops Fallin' on my Head.

- Golpe de Mestre (1973): vencedor do Oscar de Melhor Filme, traz a volta de Newman e Redford, desta vez como trapaceiros profissionais. Outra trilha sonora memorável, muita camaradagem e esperteza. Filmaço.

- A Cor do Dinheiro (1986): o filme que deu a Paul Newman seu Oscar de melhor ator (depois de 9 indicações). Aqui, ele retoma o mestre do snooker Eddie Felson (personagem de Desafio a Corrupção, de 1961), e ensina os truques do jogo e da vida para um Tom Cruise muito bobinho.


Tem muito mais, é só procurar. Paul Newman foi o macho em estado bruto, sem concessões ao metrossexualismo, à geração saúde ou outros modismos. Quando seu câncer atingiu estado terminal, desenganado pelos médicos, deu baixa do hospital e foi morrer em casa. Seus filmes são um curso de doutorado em vida para homens de todo o mundo.


Blogie acende um charuto em homenagem ao mestre.

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quinta-feira, 18 de setembro de 2008 - 2 Comentários

Dando início a uma série: BLOGIE sempre trará listas relacionadas aos posts e filmes do momento. Por hoje, em homenagem à Donna Sheridan de Meryl Streep em Mamma Mia!, listamos outras mulheres maduras que chutam rabos no cinema.

Se você gosta de rankings de tudo, com ou sem apuro jornalístico, com ou sem maldade, com ou sem imparcialidade, conheça o Lista de Tudo


4- Diane Keaton, Goldie Hawn e Bette Midler em O Clube das Desquitadas (1996)





MovieWeb - Movie Photos, Videos & More

Elise Elliot (Goldie Hawn) é uma atriz decadente e chegada num copo. Quando sua amiga Brenda (Bette Midler) a acusa de alcóolatra - exibindo, como prova, uma penca de garrafas de vodca vazias -, Elise não perde a pose:
- Eu tive convidados.
E Brenda responde:
- Quem? Guns'n'Roses?


3- Anne Bancroft em A Primeira Noite de um Homem (1966)




















Aqui ela aparece em um momento mais introspectivo, mas a Mrs. Robinson de Anne Bancroft sabia o que queria, e encheu os olhos de quem viu a obra-prima de Mike Nichols. Num filme que marcou época ao falar de choque de gerações e outros cabecismos do fim dos anos 60, quem dava a última palavra era sempre ela, como na memorável cena em que ela dá instruções para o jovem Benjamin (Dustin Hoffman) preparar a alcova. Nunca ninguém pediu a conta com a segurança de Mrs. Robinson.



2- Annette Bening em Adorável Julia (2004)
Adequada como grande dama do teatro inglês, Annette Bening traça sem dó um rapaz metido a malandro, ridiculariza a rival mais nova e celebra seu sucesso jantando sozinha, matando um senhor copo de cerveja. Veja no trailer quem manda no pedaço:




1- Mama Fratelli, dos Goonies (1985)



















Durante os primeiros anos da adolescência, o que queríamos saber era: aquele bicho feio que comandava a quadrilha dos Fratelli era mulher mesmo?

A resposta é: sim. Anne Ramsey tinha 56 anos quando viveu Mama Fratelli, a mulher mais durona da história do cinema. Arrancou os filhos da cadeia, manteve em cárcere privado um monstrengo parido por ela mesma, perseguiu criancinhas e protagonizou uma cena de tortura de deixar o Capitão Nascimento parecendo um recruta - aquela em que ameaça mergulhar a mãozinha gorda do Chunk no liquidificador, enquanto arranca dele o serviço todo. Aterrorizante.

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