segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 3 Comentários

Volta às aulas na Ridgemont High. Fundava-se, ali, a tradição dos filmes de high school americanos.



O ano: 1981.O filme: Picardias Estudantis, escrito por Cameron Crowe (futuro diretor de Vida de Solteiro, Jerry Maguire e Quase Famosos) e dirigido por Amy Heckerling (que renovaria o gênero nos anos 80, com Patricinhas de Bervely Hills).

A música é American Girl, do Tom Petty and the Heartbreakers.

A letra ("she was an american girl, raised on promises!") entra no exato segundo em que Jennifer Jason Leigh aparece, perdida, nos corredores da escola. Essa grande atriz, então uma adolescente, é só uma das revelações de Picardias Estudantis.

Outras são Eric Stoltz, Nicolas Cage, Forrest Whitaker, Phoebe Cates, Judge Reinhold e, principalmente, o grande Sean Penn, como o maconheiro Spicoli - o primeiro de sua coleção de grandes personagens.

Tudo certo nesse baita filme, que captou a época como poucos. Foi o primeiro a reconhecer o shopping center como o habitat natural do adolescente, e foi um dos primeiros a enaltecer a primeira transa como objetivo de vida do adolescente (tema único desde então). Teve trilha sonora perfeita, que, além da música de Tom Petty, conta com vários outros clássicos do new wave e do rock mais mainstream.

Veja o trailer!


E foi baseado no romance escrito por Crowe, então jornalista da Rolling Stone, que pediu demissão e se matriculou no colégio para escrever o livro.

Se você é da geração criada à base de American Pie: não deixe de conferir! Por outro lado, se você é daqueles que sempre julgou esses filmes de high school uma grande bobagem... não perca Picardias Estudantis. É a manifestação mais despretensiosa da arte de captar a essência da juventude de uma época.

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sexta-feira, 26 de setembro de 2008 - 0 Comentários

Outono nos EUA. Época em que os super-heróis, filmes infantis e blockbusters em geral dão um tempo e as salas recebem as estréias dos filmes bons do ano, aqueles que vão concorrer ao Oscar e ao Globo de Ouro.

Embora estejamos no início dessa temporada, este primeiro final-de-semana está fraco em estréias: temos Mulheres - O Sexo Forte, trazendo a dispensável volta da Meg Ryan em filmes aceitáveis só para quem nunca recebeu um aporte mínimo de testosterona; temos Baby Love, um filme francês sobre um gay que resolve adotar um filho; e temos Fay Grim, de Hal Hartley, o diretor americano metido a descolado por excelência... ou seja, não há muitas opções.

Mas eis que aparece Promessas de um Cara de Pau, comédia sobre um paspalhão que, por acaso, se torna personagem central da eleição para presidente dos EUA. Esse paspalhão que, claro, só podia se chamar Bud, é vivido por Kevin Costner.


veja o trailer de Promessas de um Cara de Pau


Eu sei, você está pensando: "Kevin Costner é um babaca". Há alguns anos atrás, eu concordaria. Afinal, o cara cometeu Waterworld, o pior filme do mundo, o Íbis do cinema, e protagonizou aquele enorme sucesso dos anos 90, o filme que todas as meninas do colégio iam ver juntas, aquele horror em tela chamado O Guarda-Costas.


Mas, com um pouco mais de calma, o leitor vai perceber que Costner desenvolveu uma carreira respeitável nos filmes "menores", uns filmes bacanas e despretensiosos, que tratam de temas como a perda da juventude, a redenção através do esporte (especialmente o baseball), a busca da tal alma americana. Filmes como Campo dos Sonhos, Sorte no Amor, Por Amor (não se engane com os nomes: esses três filmes, a despeito dos títulos em português bolados pra enganar as menininhas, são coisa de macho - todos tratam de baseball e do acerto de contas com a juventude perdida. E todos são bons!). Filmes como JFK, do Oliver Stone. E como o mais recente Dizem por Aí, no qual ele encarna o "verdadeiro" Benjamin Bradock, personagem central do clássico A Primeira Noite de um Homem (então Dustin Hoffman).

Por tudo isso, preste atenção neste Promessas de um Cara de Pau (aliás, outra tradução bizarra; o título original é Swing Vote, algo como "voto decisivo"). É uma obra da maturidade do Kevin Costner. Ele não precisa mais ser o bom moço para promover os valores e a América que ele quer representar.

E se nada disso o convencer, vá à locadora e pegue Os Intocáveis, do Brian DePalma. É um daqueles filmes pra marmanjo nenhum botar defeito, da escola de O Poderoso Chefão e Scarface. Tem trilha sonora épica do Ennio Morricone, atuações antológicas de Sean Connery e Robert DeNiro (este, como Al Capone) e muita violência. Kevin Costner é o Eliot Ness, o "paladino da justiça", o personagem que ele adotou como paradigma visual e moral para os 20 anos seguintes - algo de que ele só está se livrando agora, como Bud, o idiota beberrão que aporta hoje nos cinemas brasileiros.

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quarta-feira, 17 de setembro de 2008 - 0 Comentários

A notícia começa promissora: o filme de maior bilheteria do momento no Brasil é uma adaptação de teatro estrelada pela Meryl Streep. Mas calma, antes de fechar esta janela e sair comprando o ingresso desta noite, talvez eu deva informar-lhe que o longa trata de uma garota que, às vésperas do casamento, tenta descobrir quem é o seu pai. A mãe (Streep), uma ex-cantora dos anos 70, reencontra suas colegas de banda e se vê confrontada com antigas questões do coração (os três possíveis pais da garota). Tudo isso, preste bem atenção, costurado pelas canções do ABBA, cantadas pelo elenco o tempo todo, como se não houvesse amanhã. Este é Mamma Mia!, adaptação do musical inglês homônimo, um enorme sucesso no teatro e, agora no cinema. Fora o CD com a trilha sonora, um dos poucos fenômenos de vendas de 2008.

Garantindo que isso tenha ficado claro, e se seus olhos continuam interessados nestas linhas, aconselho: vá em frente, irmão. O filme é bacana. A música é bacana, admitamos. Streep e o resto do elenco estão afiados e engraçados. E o trabalho de criação de um roteiro a partir das letras estapafúrdias da banda sueca é realmente admirável - mais do que isso, o enredo forjado é tão extravagante (leia-se cafona) e despretensioso quanto a música do ABBA, o que garante a adequação do projeto e lhe garante um certo crédito.



Confira o trailer


Por fim, como você pode notar pelo trailer, o filme tem alto potencial para arregimentar grupos de garotas para os cinemas, algo que só aquelas quatro amigas de Manhattan conseguiram fazer nos últimos tempos. Ou seja: dê vazão à sua sensibilidade, exercite seu senso de humor e curta Mamma Mia! sem maiores preconceitos. Comparando a Sex & the City, pelo menos você não sairá da sessão traumatizado por ter visto o membro caído do vizinho pegador da Samantha.

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